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A taxa de juros anunciada é só o ponto de partida. O valor real dos juros que você paga depende do tipo de cálculo, do prazo e do saldo devedor de cada mês. Veja como fazer essa conta.
por Vanessa Ferreira
Postado em 19 de junho, 2026
Neste guia, você vai encontrar:
Os juros de um empréstimo não são um valor fixo cobrado uma única vez sobre o total contratado. Eles incidem sobre o saldo que ainda está em aberto, mudam a cada parcela e se acumulam de forma diferente dependendo do sistema adotado pelo contrato.
Quanto você pagará de juros não é definido somente com o percentual declarado, mas pela combinação entre taxa, prazo, sistema de amortização e encargos adicionais. Este artigo explica como calcular os juros de empréstimo passo a passo: com as fórmulas de cada método, exemplos numéricos e os pontos que mais influenciam o resultado final.
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Os juros representam o custo do dinheiro emprestado, ou seja, o valor que a instituição financeira cobra pelo capital disponibilizado. Sua base de cálculo é sempre a mesma:
Juros do período = saldo devedor × taxa de juros
O que varia é o saldo devedor sobre o qual essa taxa incide. Em contratos com juros simples, a base de cálculo não muda. Em contratos com juros compostos, sendo a maioria dos empréstimos pessoais, o saldo remanescente é recalculado a cada período, e os juros incidem sobre um valor que já incorporou os juros anteriores.
Além da taxa, outros elementos compõem o custo total do empréstimo:
Compreender cada camada do cálculo é o que permite comparar propostas justamente, sem se guiar apenas pelo percentual mensal anunciado.
Nos juros simples, a taxa incide sempre sobre o valor original do empréstimo, independentemente do prazo. O montante cresce de forma linear.
Fórmula: M = C × (1 + i × n)
Onde:
Exemplo: R$ 5.000 a 3% ao mês por 6 meses. M = 5.000 × (1 + 0,03 × 6) = 5.000 × 1,18 = R$ 5.900
Nos juros compostos, como no empréstimo com garantia de imóvel e crédito com garantia de veículo, a taxa incide sobre o saldo acumulado, incluindo os juros do período anterior. O montante cresce exponencialmente.
Fórmula: M = C × (1 + i)^n
Mesmo exemplo: R$ 5.000 a 3% ao mês por 6 meses. M = 5.000 × (1,03)^6 = 5.000 × 1,1941 = R$ 5.970,26
A diferença parece pequena em 6 meses, mas se amplia bastante em prazos mais longos. Empréstimos pessoais, consignados e financiamentos operam quase sempre com juros compostos. Os juros simples aparecem principalmente em cálculos de multa por atraso e em alguns títulos de renda fixa.
Leia também | Juros simples e compostos: entenda as diferença e como calcular
Os empréstimos com parcelas fixas seguem sistemas de amortização que definem quanto de cada pagamento vai para juros e quanto reduz o saldo da dívida. Os dois mais comuns no Brasil são a tabela Price e a tabela SAC, e cada um produz uma distribuição diferente ao longo do contrato.
Na Tabela Price (Sistema Francês de Amortização), o valor da parcela é fixo durante todo o contrato, mas sua composição interna muda a cada mês: no início, a maior parte vai para os juros; no final, a maior parte vai para a redução do saldo da dívida.
Fórmula da parcela (Price):
PMT = C × [i × (1 + i)^n] / [(1 + i)^n − 1]
Exemplo: R$ 5.000 a 2% ao mês em 12 parcelas.
PMT = 5.000 × [0,02 × (1,02)^12] / [(1,02)^12 − 1] PMT = 5.000 × [0,02 × 1,2682] / [0,2682] PMT ≈ R$ 472,43
Evolução das primeiras parcelas nesse contrato:
| Mês | Saldo devedor | Juros do mês | Amortização | Parcela |
|---|---|---|---|---|
| 1 | R$ 5.000,00 | R$ 100,00 | R$ 372,43 | R$ 472,43 |
| 2 | R$ 4.627,57 | R$ 92,55 | R$ 379,88 | R$ 472,43 |
| 3 | R$ 4.247,69 | R$ 84,95 | R$ 387,48 | R$ 472,43 |
Pontos importantes sobre a tabela Price:
Na Tabela SAC (Sistema de Amortização Constante), a redução do saldo da dívida é fixa a cada mês, e as parcelas diminuem ao longo do tempo, porque os juros incidem sobre um saldo decrescente. As parcelas iniciais são mais altas do que na Price, mas o custo total de juros ao final do contrato tende a ser menor. O SAC é mais comum em financiamentos imobiliários.
Leia depois | SAC ou Price: qual a melhor forma de amortizar as parcelas do financiamento em 2026?
A maioria das instituições informa a taxa de juros mensal, mas o CET é sempre expresso em percentual anual. Converter entre os dois é essencial para comparar propostas com periodicidades diferentes.
Fórmula de equivalência (juros compostos):
Taxa anual = (1 + taxa mensal)^12 − 1
Exemplos:
| Taxa mensal | Taxa efetiva anual |
|---|---|
| 1,0% a.m. | 12,68% a.a. |
| 1,5% a.m. | 19,56% a.a. |
| 2,0% a.m. | 26,82% a.a. |
| 3,0% a.m. | 42,58% a.a. |
| 4,0% a.m. | 60,10% a.a. |
A conversão inversa, de anual para mensal, utiliza:
Taxa mensal = (1 + taxa anual)^(1/12) − 1
Importante: uma taxa de 3% ao mês não equivale a 36% ao ano. Com capitalização composta, equivale a 42,58% ao ano, uma diferença de 6,58 pontos percentuais. Utilizar a taxa nominal (36%) em vez da efetiva (42,58%) subestima o custo real do empréstimo.
Quando o contrato informa uma taxa mensal e você precisa calcular os juros para um número de dias, por exemplo, em caso de quitação antecipada ou atraso de pagamento, a conversão é feita por equivalência.
Fórmula da taxa diária a partir da taxa mensal:
Taxa diária = (1 + taxa mensal)^(1/30) − 1
Exemplo com taxa de 2% ao mês:
Taxa diária = (1,02)^(1/30) − 1 ≈ 0,066% ao dia
Para calcular os juros de 15 dias sobre um saldo devedor de R$ 3.000:
Juros = 3.000 × [(1,00066)^15 − 1] ≈ 3.000 × 0,00992 ≈ R$ 29,76
Esse cálculo é usado nos seguintes contextos:
A taxa de juros não é arbitrária, ela reflete uma série de fatores que as instituições financeiras analisam na hora de precificar o crédito.
Os principais fatores são:
Taxa Selic:
A taxa selic é a referência básica da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Quando a Selic sobe, as taxas de empréstimo tendem a subir junto.
Tipo de crédito:
Empréstimo com garantia (imóvel, veículo) ou desconto em folha têm taxas menores porque o risco de inadimplência é menor.
Prazo do contrato:
Prazos mais longos elevam o risco para a instituição e costumam ter taxas maiores.
Histórico de crédito do tomador:
Cadastros como Serasa e o Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central são consultados na análise de risco.
Relacionamento com a instituição:
Clientes com conta ativa e movimentação regular podem ter condições mais favoráveis.
A taxa média de juros para diferentes modalidades pode ser consultada diretamente no portal do Banco Central, na seção “Notas de Crédito”. Esse número funciona como parâmetro para avaliar se a proposta recebida está dentro ou fora da média do mercado.
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O cálculo estrutural segue a fórmula da tabela Price, sob o regime de juros compostos. Como o desconto das parcelas ocorre diretamente na folha de pagamento ou benefício previdenciário, o risco de crédito é baixo, resultando em taxas menores. Para descobrir a cota de juros de uma parcela específica, aplica-se a fórmula:
$$\text{Juros do Mês} = \text{Saldo Devedor Atual} \times \text{Taxa Mensal Contratada}$$
Para simular o contrato completo de forma automatizada, ferramentas gratuitas como a Calculadora do Cidadão do Banco Central (bcb.gov.br) são as mais recomendadas.
Por lei, o consumidor tem o direito garantido à redução proporcional dos juros e demais encargos em caso de liquidação antecipada da dívida. Você deve solicitar ao banco o boleto ou extrato de saldo devedor atualizado para a data exata do pagamento. O cálculo remove a projeção dos juros futuros que incidiriam sobre o saldo. Para fins de auditoria ou conferência, a fórmula financeira utilizada para trazer as parcelas restantes ao valor presente é:
$$SD = PMT \times \frac{1 - (1 + i)^{-n}}{i}$$
Onde $SD$ é o saldo devedor atualizado, $PMT$ é o valor da parcela mensal, $i$ é a taxa de juros na forma decimal e $n$ representa a quantidade de parcelas que ainda restavam para vencer.
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