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Vale a pena pegar empréstimo para pagar dívidas? Veja quando compensa em 2026
Entenda a lógica da consolidação de dívidas, como calcular se a troca faz sentido e quando essa estratégia vira armadilha.
por Elaine Ortiz
Postado em 20 de maio, 2026
Atualmente, 82,8 milhões de brasileiros estão inadimplentes, segundo estudo divulgado pelo Serasa. Para pagar as dívidas e finalmente melhorar o score e ter acesso a crédito com mais facilidade, surge a ideia de solicitar um empréstimo para sanar esses débitos. Mas será que isso é possível?
A resposta não é um simples sim ou não. É uma equação com condições. Este artigo explica a lógica da troca, mostra como calcular se ela faz sentido no seu caso e deixa claro quando essa estratégia pode aliviar o orçamento e quando vira uma segunda armadilha financeira.
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Pegar empréstimo para pagar dívidas é utilizar um novo crédito para quitar outras dívidas, geralmente com o objetivo de reduzir a taxa de juros paga atualmente. O nome técnico dessa prática é consolidação de dívidas. Esse movimento faz sentido principalmente porque boa parte das dívidas no Brasil está concentrada nas modalidades mais caras do mercado.
O rotativo do cartão de crédito pode ultrapassar 15% ao mês, enquanto o cheque especial opera próximo de 8% ao mês, conforme dados do Banco Central em 2024. Com essas taxas, uma dívida de R$ 5 mil pode crescer rapidamente em poucos meses sem redução relevante do saldo principal.
A consolidação existe justamente para substituir juros muito altos por modalidades mais baratas. Quando a diferença entre as taxas é grande, a troca pode gerar economia real. Quando não é, ela apenas alonga o problema.
Como funciona a troca de dívida?
A troca funciona quando o novo empréstimo possui CET (Custo Efetivo Total) menor do que a taxa efetiva das dívidas atuais.
Se uma pessoa paga 15% ao mês no rotativo do cartão e consegue um empréstimo com custo total de 4% ao mês, parte do dinheiro que antes era consumido pelos juros começa efetivamente a amortizar a dívida.
Vale ressaltar que, por determinação do Banco Central (Resolução CMN nº 3.517/2007), toda instituição financeira é obrigada a informar o CET antes da contratação.
Exemplo prático
Imagine uma dívida de R$ 5 mil no rotativo do cartão a 15% ao mês, sem amortização relevante durante seis meses.
Com juros compostos, o saldo chegaria próximo de R$ 11,5 mil. O mesmo valor em um empréstimo pessoal a 4% ao mês chegaria perto de R$ 6,3 mil no mesmo período.
A diferença entre os dois cenários supera os R$ 5 mil. É justamente essa distância entre os juros que faz a consolidação funcionar em determinadas situações.
Como calcular o empréstimo para pagar dívidas compensa?
Para saber se o empréstimo compensa, você precisa comparar três números: a taxa mensal realda dívida atual, o CET do novo empréstimo e o valor da parcela mensal que esse empréstimo vai exigir.
Passo 1: Levante o custo real da dívida atual
No cartão de crédito, a informação costuma aparecer na fatura como juros do crédito rotativo.
Em empréstimos já contratados, o CET normalmente está na seção de informações obrigatórias do contrato. Se houver mais de uma dívida, vale calcular uma média considerando o peso de cada saldo.
Passo 2: Compare com o CET do novo empréstimo
O novo crédito só tende a fazer sentido quando o CET é menor do que o custo efetivo das dívidas atuais.
Passo 3: Verifique se a parcela cabe no orçamento
Mesmo quando a taxa é menor, o empréstimo pode virar problema se a parcela não couber no orçamento. A regra prática mais utilizada é limitar o comprometimento a até 30% da renda líquida mensal. Acima disso, o risco de inadimplência aumenta significativamente.
O objetivo da consolidação não é apenas reduzir juros. É tornar a dívida financeiramente sustentável no dia a dia.
Vale a pena fazer um empréstimo para pagar dívida?
Para Gui Casagrande, educador financeiro da Creditas, fazer um empréstimo para pagar dívida pode ser útil para consolidar débitos com juros altos, mas é essencial avaliar se as parcelas cabem no seu orçamento.
Antes de optar por esse caminho, considere negociar com os credores ou buscar alternativas com juros mais baixos, como empréstimos com garantia ou consignados.
Veja abaixo um comparativo entre modalidades de crédito para entender melhor esse cenário:
Comparativo de taxas de juros por modalidade de crédito (Maio)
Modalidade de crédito
Taxa de juros ao mês (%)
Empréstimo com garantia de imóvel (Creditas)
A partir de 1,09% + IPCA
Empréstimo com garantia de veículo (Creditas)
A partir de 1,49%
Consignado privado (Creditas)
A partir de 1,49%
Empréstimo pessoal*
8,59%
Cheque especial*
8%
Consignado privado**
3,4%
Consignado público**
2,1%
Consignado INSS**
1,8%
Rotativo do cartão de crédito**
14,8%
Fonte: *Procon e **Banco Central - As taxas fornecidas diretamente pela Creditas são válidas em maio de 2026.
Quando o empréstimo para pagar dívidas é uma armadilha?
O empréstimo para pagar dívidas se torna armadilha quando a causa das dívidas não muda. Quitar o cartão com empréstimo pessoal e continuar utilizando o cartão da mesma forma resulta em duas dívidas no lugar de uma.
Comportamento financeiro não muda
Quitar o cartão com empréstimo pessoal e continuar usando o cartão da mesma forma costuma gerar duas dívidas em vez de uma.
A dívida normalmente é consequência de:
Orçamento desequilibrado;
Renda insuficiente;
Ausência de reserva financeira;
Consumo acima da capacidade de pagamento.
Se isso continuar acontecendo, o novo empréstimo apenas adia o problema.
Quando a parcela do empréstimo não cabe no orçamento atual
Se o orçamento já está no limite, uma parcela fixa mensal pode ser mais crítica do que o pagamento mínimo do cartão, que é variável e tende a cair conforme o saldo diminui.
Um empréstimo mal dimensionado gera inadimplência no novo crédito, o que pode resultar em negativação e custo ainda maior para regularizar a situação. O critério dos 30% de comprometimento de renda existe exatamente para evitar esse ciclo.
Quando o empréstimo disponível tem taxa maior do que a dívida
Pessoas negativadas ou sem garantia muitas vezes recebem propostas com CET elevado. Nesses casos, a troca pode piorar a situação financeira.
Quando o custo do novo crédito é maior do que o da dívida original, normalmente faz mais sentido tentar a renegociação direta, participar de mutirões e acordos com os bancos.
Qual tipo de empréstimo funciona para quitar dívidas?
O empréstimo que funciona para quitar dívidas é aquele com CET menor do que sua dívida atual e parcela que cabe no orçamento. As opções vão do consignado privado, para quem é CLT, ao empréstimo com garantia de imóvel, para quem tem imóvel quitado ou parcialmente financiado.
Consignado privado (para CLT com margem disponível)
O consignado privado costuma ter uma das menores taxas para trabalhadores CLT porque o desconto ocorre diretamente na folha de pagamento.
Isso reduz o risco de inadimplência para a instituição financeira e permite juros menores. O perfil mais comum são trabalhadores em regime CLT, com renda estável e dívidas concentradas em cartão ou cheque especial.
Empréstimo com garantia de veículo (para quem tem carro quitado)
Para quem tem carro quitado, o empréstimo com garantia de veículo oferece taxas menores do que o empréstimo pessoal sem garantia. O carro permanece com o proprietário durante o contrato.
Os prazos costumam variar de 18 a 60 meses. Perfil adequado: autônomo ou CLT com veículo quitado e sem imóvel para utilizar como garantia.
Empréstimo com garantia de imóvel (para dívidas maiores)
Para dívidas mais altas, o empréstimo com garantia de imóvel pode reduzir significativamente o custo financeiro. Na Creditas, por exemplo, as taxas partem de 1,09% ao mês + IPCA, com prazo de até 240 meses.
Existe um ponto de atenção: o imóvel fica em alienação fiduciária durante o contrato. Isso significa que a inadimplência pode levar à perda do bem. Por isso, essa modalidade exige análise cuidadosa da capacidade de pagamento antes da contratação.
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Empréstimo para pagar cartão de crédito vale a pena?
Fazer um empréstimo para pagar a dívida do cartão de crédito pode valer a pena, já que os juros do cartão são muito altos, passando de 400% ao ano. Trocar essa dívida cara por outra com juros menores ajuda a economizar e facilita quitar o débito à vista, o que pode render descontos com a operadora.
Mas é preciso cuidado. Antes de contratar, confira se as parcelas cabem no seu orçamento e compare o custo total do empréstimo. Sem controle, há o risco de contrair novas dívidas e agravar a situação financeira.
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Entenda quando vale a pena unificar seus débitos, as diferenças entre as modalidades de crédito e como funciona o prazo para limpar o nome em 2026.Empréstimo para pagar dívidas compensa?
Compensa quando o CET (Custo Efetivo Total) do novo empréstimo é menor do que o custo efetivo das dívidas atuais. Trocar o rotativo do cartão de crédito ou o cheque especial por uma linha de crédito parcelada e estruturada pode reduzir significativamente o montante total gasto com juros.
Devo fazer empréstimo para pagar dívidas se meu nome estiver negativado?
Depende da taxa de juros disponível para o seu perfil. Se o CET do empréstimo ofertado para negativados for maior do que o custo da sua dívida atual, a troca piorará a sua saúde financeira. Nesses cenários, a renegociação direta com o credor original normalmente faz mais sentido econômico.
Vale a pena pegar empréstimo consignado para pagar dívidas?
Na maioria dos casos, sim. O crédito consignado privado ou público possui uma das menores taxas do mercado porque o desconto ocorre direto na folha de pagamento ou benefício. Se você possui margem disponível, é uma das ferramentas mais eficientes para liquidar dívidas caras.
Posso utilizar o empréstimo com garantia de imóvel para quitar dívidas?
Sim. Esta modalidade (Home Equity) oferece taxas de juros reduzidas e prazos longos para pagamento. Contudo, o imóvel fica vinculado ao contrato em alienação fiduciária, o que significa que a inadimplência persistente pode resultar na perda do bem em leilão. Deve ser contratado com planejamento rigoroso.
Qual é a diferença entre CET e taxa de juros?
A taxa de juros representa apenas o custo nominal do dinheiro. O CET (Custo Efetivo Total) inclui os juros, o IOF, as tarifas administrativas, seguros e quaisquer outros encargos obrigatórios do contrato. É o CET que você deve utilizar como base para comparar com o custo da sua dívida atual.
Quanto tempo leva para limpar o nome depois do pagamento?
Após a quitação do débito ou o pagamento da primeira parcela do acordo, o credor tem o prazo legal de até 5 dias úteis para solicitar a retirada da negativação dos birôs de crédito (como Serasa e SPC), conforme estabelece o Código de Defesa do Consumidor.
Empréstimo pessoal ou consignado: qual é melhor?
Para quem cumpre os requisitos e possui margem consignável ativa, o consignado é superior por oferecer um CET mais baixo. O empréstimo pessoal convencional não exige vínculo empregatício específico, mas cobra juros mais altos devido ao maior risco de inadimplência assumido pelo banco.
O que é a consolidação de dívidas?
Consolidação de dívidas é o processo de agrupar vários débitos diferentes (cartão, cheque especial, carnês) em uma única operação de crédito nova, com juros menores e prazos readequados. O objetivo principal é simplificar a gestão financeira, substituindo múltiplos vencimentos por apenas uma parcela mensal que caiba no orçamento.
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