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Como contratar crédito com garantia de imóvel? Veja o passo a passo

Quem tem imóvel com matrícula regular pode acessar a modalidade de crédito, mas é importante entender como funciona o processo.

por Cibele Cardoso

Atualizado em 15 de junho, 2026

Como contratar crédito com garantia de imóvel? Veja o passo a passo

Neste guia, você vai encontrar:

O crédito com garantia de imóvel transforma parte do valor já acumulado no bem em crédito com custo geralmente menor do que o de modalidades sem garantia. Ao contrário do empréstimo pessoal, aqui o imóvel fica registrado como garantia da operação por meio da alienação fiduciária, reduzindo o risco para a instituição e, por consequência, o custo do crédito para quem contrata.

O escopo é mais amplo do que parece: imóveis residenciais, comerciais, rurais e até imóveis parcialmente financiados podem ser aceitos, dependendo da política da instituição.

Este artigo detalha cada etapa do processo, da simulação ao depósito, os documentos necessários e o que pode atrasar a liberação.

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Como funciona o crédito com garantia de imóvel?

Na operação, o imóvel fica registrado como garantia da dívida por meio de alienação fiduciária: o bem permanece no seu nome, mas vinculado ao contrato até a quitação total. Você continua com a posse e o uso normais.

As condições gerais praticadas no mercado:

  • Valor do crédito: de 30% a 60% do valor de avaliação do imóvel — chamado de LTV (Loan to Value)
  • Prazo de pagamento: de 12 a 240 meses
  • Taxa de juros: varia conforme a instituição, o perfil do cliente, o imóvel oferecido em garantia e as condições da operação
  • Uso do crédito: livre — quitar dívidas, reformar, investir no negócio, financiar estudos ou qualquer outra finalidade

Exemplo prático

Imagine um imóvel avaliado em R$ 500 mil.

Se a instituição trabalhar com um LTV de 60%, o valor potencial de crédito pode chegar a R$ 300 mil, desde que a renda e os demais critérios de análise sejam aprovados.

Quem pode contratar crédito com garantia de imóvel?

Os critérios para contratar o empréstimo com garantia de imóvel variam entre instituições, mas os requisitos gerais são:

  • Ser titular do imóvel: imóvel em nome de terceiro normalmente exige a participação formal do proprietário na operação, conforme as regras da instituição
  • Imóvel com matrícula regular no cartório de registro de imóveis
  • Imóvel quitado ou com financiamento em dia e saldo devedor compatível com o LTV
  • Renda comprovada compatível com a parcela — normalmente a parcela não pode ultrapassar 30% da renda líquida mensal
  • Situação cadastral compatível com os critérios de análise da instituição financeira

Pessoas com restrição no nome (negativadas) podem contratar em algumas instituições, mas as condições tendem a ser mais restritivas.

Confira depois | Como conseguir empréstimo negativado? Saiba o que avaliar

Quais documentos são necessários para contratar?

A lista padrão exigida pela maioria das instituições:

Documentos necessários para empréstimo com garantia de imóvel
Categoria Documento Observação
Pessoal RG e CPF (ou CNH) Documento com foto válido
Pessoal Comprovante de renda Últimos 3 meses — holerites, extratos ou declaração de IR
Pessoal Comprovante de endereço Emitido nos últimos 90 dias
Pessoal Certidão de casamento Se aplicável
Imóvel Matrícula atualizada Emitida em cartório nos últimos 30 dias
Imóvel Certidão de ônus reais Confirma a ausência de outros gravames
Imóvel IPTU atualizado Carnê ou certidão da prefeitura
Imóvel Planta do imóvel Exigida por algumas instituições

Reunir esses documentos antes de enviar a proposta reduz o tempo de análise e evita interrupções no processo.

Saiba mais em | Documentos necessários para solicitar empréstimo com garantia

Como contratar crédito com garantia de imóvel passo a passo?

1. Simule o valor do crédito disponível

O primeiro passo é saber quanto crédito o imóvel pode liberar. A maioria das instituições oferece simulação gratuita online, informe o valor estimado do imóvel, o valor que precisa e o prazo desejado.

O resultado mostra o valor da parcela, a taxa de juros e o CET (Custo Efetivo Total), que inclui juros, tarifas, seguros obrigatórios e demais encargos.

Compare ao menos duas ou três instituições antes de avançar. O CET é o indicador mais completo para comparar propostas, e não apenas a taxa nominal.

2. Envie a proposta e aguarde a análise de crédito

Com a simulação em mãos, formalize a proposta e envie os documentos pessoais. A instituição consulta o CPF, analisa a renda e verifica a capacidade de pagamento. Essa etapa costuma levar de 1 a 5 dias úteis.

Se a proposta for pré-aprovada, o processo avança para a avaliação do imóvel. Algumas instituições solicitam uma pré-análise antes mesmo de colher os documentos do imóvel.

3. Passe pela avaliação do imóvel

A instituição contrata um avaliador credenciado para determinar o valor de mercado do imóvel. Essa avaliação é obrigatória e define o LTV real da operação, ou seja, o valor máximo de crédito que pode ser liberado.

O avaliador visita o imóvel presencialmente ou, em alguns casos, a instituição pode utilizar modelos de avaliação remota ou análise documental complementar. Esse prazo dessa etapa varia de 5 a 15 dias.

Se o valor de avaliação for menor do que o estimado, o valor do crédito aprovado pode ser menor do que o simulado.

4. Assine o contrato e registre a alienação fiduciária

Com a avaliação aprovada, a instituição emite o contrato. A assinatura pode ser presencial ou digital, dependendo da plataforma.

O contrato é então levado ao cartório de registro de imóveis para registro da alienação fiduciária, etapa obrigatória para formalizar a garantia do imóvel.

O registro em cartório tem custo (emolumentos) que varia por estado e pelo valor da operação.

Algumas instituições adiantam esses custos e incluem no financiamento; outras solicitam pagamento antecipado. Confirme antes de assinar.

5. Receba o crédito na conta

Após o registro cartorário, a instituição libera o valor na conta corrente indicada.

O prazo total do processo, da proposta ao depósito, varia de 15 a 45 dias, dependendo da instituição, da documentação entregue e do volume de serviço do cartório na cidade do imóvel.

Quais são as taxas e condições praticadas no mercado?

As taxas variam conforme a instituição, o perfil do solicitante e o LTV da operação.

Como referência geral:

  • Grandes bancos, fintechs, cooperativas e instituições especializadas oferecem condições que variam conforme o perfil do cliente, o imóvel oferecido em garantia, o prazo da operação e a política de crédito adotada.
  • Instituições com processos mais digitais costumam oferecer jornadas mais ágeis, enquanto outras podem exigir etapas adicionais de análise e documentação.
  • As condições finais dependem da avaliação do imóvel, da análise de crédito e da política da instituição escolhida.
  • O CET inclui taxa de juros, tarifa de avaliação, custos cartorários e outros encargos eventualmente aplicáveis à operação, incluindo seguros quando contratados ou exigidos.

Solicite sempre o CET antes de assinar o contrato.

Saiba mais | Qual banco tem menor taxa de juros para empréstimo em 2026?

Vale a pena fazer portabilidade do crédito com garantia de imóvel?

Se você já tem um crédito com garantia de imóvel em andamento e identificou condições melhores no mercado, a portabilidade de crédito permite transferir a dívida para outra instituição sem encerrar o contrato e iniciar um processo do zero.

O Banco Central regulamenta a portabilidade de crédito, permitindo a transferência da dívida para outra instituição que aceite assumir a operação.

Com a proposta aprovada, a nova instituição assume o saldo devedor e o registro de alienação fiduciária é transferido. O processo costuma levar de 30 a 60 dias.

Vale calcular a economia total — considerando o CET do novo contrato e os eventuais custos de transferência — antes de decidir.

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Perguntas Frequentes

Entenda as regras de alienação para bens financiados, os prazos de liberação do dinheiro, a documentação exigida e os tipos de propriedades aceitas em 2026.

Posso contratar o empréstimo se o imóvel ainda estiver financiado?
Sim, em diversas instituições financeiras através da operação de interveniente quitante. O saldo devedor do financiamento atual é calculado e descontado do limite máximo de crédito liberado (LTV). Por exemplo: se o seu imóvel vale R$ 500 mil e você ainda deve R$ 100 mil ao banco habitacional, a nova linha de crédito será calculada com base no patrimônio líquido restante, usando o novo empréstimo para quitar o financiamento antigo e liberando a diferença para você.
Preciso sair do imóvel ao usá-lo como garantia?
Não. A assinatura do contrato estabelece a **alienação fiduciária**, o que significa que a propriedade indireta fica vinculada à instituição como garantia da dívida, mas a posse direta e o uso legítimo continuam 100% com você. O proprietário pode continuar residindo no local, alugando para terceiros ou utilizando o espaço comercialmente sem nenhuma restrição. O risco de perda do bem só se concretiza em cenários de inadimplência severa e prolongada, após a execução dos ritos de cobrança previstos em lei.
Quanto tempo leva para o dinheiro ser liberado na conta?
O prazo médio de tramitação varia entre **15 e 45 dias**, contados desde o envio da proposta até o depósito do valor. Esse intervalo é necessário para a realização da avaliação pericial do imóvel, análise jurídica dos documentos e a etapa que costuma ser o principal gargalo do processo: o registro formal da alienação fiduciária no Cartório de Registro de Imóveis (CRI) competente, cujo tempo de resposta varia em cada município.
O imóvel precisa estar obrigatoriamente no meu nome para contratar?
Sim. O proponente do crédito deve ser o proprietário legal registrado na matrícula do bem. Caso o imóvel pertença a terceiros (como pais ou parentes), o proprietário legal precisará entrar na operação formalmente como interveniente garantidor. Vale destacar que imóveis recebidos por herança que ainda estejam em fase de inventário não são aceitos até que o processo seja concluído e a partilha registrada na matrícula.
Quais tipos de imóvel são aceitos como garantia?
A aceitação varia conforme a política de risco de cada banco, mas a preferência de mercado recai sobre imóveis residenciais urbanos (casas e apartamentos) e comerciais com boa liquidez. Imóveis de uso misto, terrenos em condomínio fechado e propriedades rurais também podem ser aceitos por instituições especializadas. O fator indispensável é que o bem possua matrícula individualizada, certidões negativas de ônus em dia e estrutura em perfeitas condições de conservação.
Como o crédito com garantia de imóvel se compara ao crédito pessoal convencional?
A grande vantagem competitiva está na estrutura de custos. Como o banco assume um risco de inadimplência muito menor ao reter um imóvel como lastro, ele consegue repassar taxas de juros consideravelmente mais baratas e prazos de amortização muito mais longos (que podem chegar a 240 meses) em comparação com o empréstimo pessoal ou o cheque especial. A única contrapartida é o processo operacional mais burocrático e demorado para a liberação do dinheiro.

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