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Saia do vermelho

Como acabar com a dívida de cartão de crédito? Veja os 7 passos

Uma lei federal limita o crescimento do rotativo ao dobro da fatura desde 2024. Entenda como isso funciona e veja o passo a passo para quitar a dívida.

por Vanessa Ferreira

Postado em 16 de julho, 2026

Como acabar com a dívida de cartão de crédito? Veja os 7 passos

Neste guia, você vai encontrar:

A dívida de cartão de crédito surge quando a fatura não é paga integralmente e o saldo restante passa para o crédito rotativo, um dos encargos mais caros do sistema financeiro nacional. O cartão costuma parecer uma forma simples de organizar gastos, mas basta um pagamento parcial para o saldo virar dívida financiada quase sem o titular perceber.

O que determina o tamanho real da dívida não é só a taxa de juros aplicada, mas o tempo que o saldo permanece no rotativo antes de uma negociação. Este artigo explica como o rotativo funciona, o que uma lei recente mudou nesse cálculo e traz um passo a passo para quitar o cartão sem comprometer o orçamento.

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O que acontece se não pagar a fatura do cartão de crédito?

Quando a fatura não é quitada integralmente até o vencimento, o valor em aberto entra no crédito rotativo. A partir desse momento, os juros passam a incidir sobre o saldo devedor.

As consequências desse atraso são:

  • O saldo passa a ser financiado automaticamente, com juros do rotativo incidindo dia a dia.
  • O orçamento dos meses seguintes fica comprometido, já que parte da renda futura precisa cobrir o saldo anterior.
  • A situação pode levar à negativação do CPF, se o atraso se prolongar sem negociação.

A Lei nº 14.690/2023, regulamentada pela Resolução CMN 5.112/2023, determina que o valor total da dívida decorrente do crédito rotativo e do parcelamento da fatura não pode ultrapassar o dobro do valor original do débito. Uma dívida inicial de R$ 1.000, por exemplo, não pode ultrapassar R$ 2.000, mesmo somando juros e encargos acumulados.

Além desse limite permanente, o governo costuma lançar programas temporários de renegociação, como o Desenrola Brasil, com regras próprias de elegibilidade, desconto e prazo. Como essas condições mudam a cada edição do programa, é recomendável consultar as regras vigentes no momento da negociação diretamente no banco ou no site do Ministério da Fazenda.

O que é o crédito rotativo do cartão de crédito?

O crédito rotativo é o financiamento automático do saldo da fatura quando o titular paga menos que o valor total e pode ser usado por até 30 dias. 

O restante passa a ser cobrado com juros até o próximo vencimento. Sempre que o pagamento da fatura for parcial, mesmo com uma diferença pequena entre o valor devido e o valor pago.

Saiba mais | Rotativo do cartão: veja novo limite de juros do cartão de crédito

Por que os juros do cartão de crédito são tão altos?

O cartão de crédito libera limite sem exigir garantias e sem reavaliar o risco a cada compra. Para compensar essa exposição, as instituições aplicam juros altos e compostos no rotativo, entre as taxas mais caras do mercado de crédito.

Abaixo, as taxas de juros do rotativo do cartão de crédito nos principais bancos do país:

Taxas de juros do cheque especial por instituição
Instituição % a.m. % a.a.
Banco do Brasil 13% 333,4%
Caixa Econômica Federal 12% 292,2%
Banco Safra 9% 184,7%
Itaú 14% 384,5%
Santander 16% 497,7%
Bradesco 13,6% 365,9%

Fonte: Banco Central,  julho de 2026.

Confira | Qual banco tem menor taxa de juros para empréstimo em 2026?

Por que a dívida do cartão vira uma bola de neve?

A dívida cresce por meio de juros compostos: os juros incidem sobre o valor original e também sobre os juros já acumulados. Veja como uma dívida de R$ 1.000, com juros de 12% ao mês, evolui sem novas compras:

  • 1º mês: R$ 1.120.
  • 2º mês: R$ 1.254.
  • 3º mês: R$ 1.405.

Em três meses, o saldo cresce mais de 40%. É esse padrão de crescimento que a Lei 14.690/2023 passou a limitar, travando o total no dobro do valor original.

Temos um guia sobre Como renegociar dívida e sair do vermelho?

Quanto custa deixar uma dívida de R$ 2.000 no rotativo por 12 meses?

Numa simulação ilustrativa, com juros de 12% ao mês, uma dívida de R$ 2.000 sem limite legal chegaria a mais de R$ 4.400 já no 7º mês, sem nenhuma compra nova.

É exatamente nesse ponto que a Lei 14.690/2023 age: como o valor total cobrado não pode ultrapassar o dobro do valor original, o débito para de crescer ao atingir R$ 4.000, mesmo que o saldo continue em aberto por mais tempo. Antes da lei, esse mesmo saldo podia seguir crescendo indefinidamente enquanto não fosse negociado.

Vale a pena parcelar a fatura do cartão de crédito?

Depende da taxa oferecida e da capacidade de pagamento. O parcelamento faz sentido quando a taxa é bem menor que a do rotativo e as parcelas cabem no orçamento sem gerar novos atrasos.

Na prática, o parcelamento reduz o impacto imediato no caixa, mas mantém um custo elevado. Se as parcelas comprometem demais a renda, trocar o rotativo pelo parcelamento apenas adia o desafio financeiro. Isso acontece porque a taxa oferecida no parcelamento depende da política de crédito da instituição e do perfil do cliente, não apenas do uso anterior do rotativo.

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Como quitar a dívida do cartão de crédito?

Manter a fatura em aberto tende a agravar o endividamento, já que os juros são altos e o saldo cresce rápido. Um passo a passo organizado ajuda a reverter a situação.

1. Descubra o total da dívida

Peça à administradora do cartão o CET (Custo Efetivo Total), que mostra o custo real da dívida, incluindo juros e encargos. É um direito do consumidor solicitar esse valor.

Aproveite para checar se há outras dívidas em cartões diferentes. Usar um limite para cobrir outro é comum em momentos de desequilíbrio, mas costuma mascarar o tamanho real do desafio.

2. Faça um raio-x da sua situação financeira

Após entender a dívida, avalie quanto é possível separar por mês para o pagamento, com o apoio de uma planilha ou aplicativo financeiro. Revisar faturas antigas também ajuda a identificar onde o desequilíbrio começou, para evitar que ele se repita.

3. Negocie com o banco

Com o CET e o orçamento em mãos, entre em contato com a central do cartão e avalie as opções de negociação, como parcelamento ou redução de encargos. Se a parcela não couber no orçamento, o mais seguro é voltar a negociar: aceitar uma condição inviável só aumenta a chance de um novo atraso.

4. Avalie a proposta com cautela

Resolver uma dívida cara pede agilidade e planejamento. Uma proposta fora do orçamento tende a gerar um novo desequilíbrio à frente, então retomar a negociação até encontrar uma condição compatível costuma ser o caminho mais seguro.

5. Ajuste os gastos

Quando a fatura não fecha, geralmente os gastos superam a renda. Revisar despesas, reduzir excessos e definir limites para categorias como lazer e supermercado ajuda a manter o controle, sem eliminar momentos de descanso.

6. Evite novas compras parceladas

Durante a renegociação, novas compras parceladas dificultam a saída da dívida, mesmo em valores pequenos. Antes de comprar, avalie se a despesa é necessária naquele momento ou se pode esperar.

7. Troque a dívida cara por uma mais barata

Quando a negociação com o cartão não oferece boas condições, faz sentido comparar alternativas com juros menores, como empréstimo pessoal, consignado ou crédito com garantia.

Entre essas opções, o empréstimo com garantia de veículo costuma ter taxas menores que o rotativo do cartão, porque o bem dado em garantia reduz o risco para a instituição financeira.

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Confira | Como funciona empréstimo com garantia? Veja mitos e verdades!

Dívida no cartão pode gerar negativação ou processo?

Após cinco anos, a dívida deixa de aparecer nos cadastros de inadimplência, como SPC e Serasa, mas continua existindo junto ao banco e pode seguir sendo cobrada por outros meios. A cobrança judicial é juridicamente possível em qualquer valor, embora, na prática, seja mais comum em dívidas economicamente viáveis para o banco cobrar.

Como evitar cair novamente na dívida do cartão de crédito?

Evitar o retorno ao endividamento passa por diferenciar crédito de renda e usar o limite de forma estratégica. O cartão não deve funcionar como extensão do salário. Manter um limite compatível com a renda, reduzir parcelamentos e acompanhar a fatura ao longo do mês ajuda a evitar o acúmulo de despesas. Sem ajuste no orçamento, qualquer renegociação tende a ser só temporária.

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Perguntas frequentes

Entenda o destino das obrigações financeiras após o falecimento do titular, as regras de penhora de bens, o prazo de caducidade e as alternativas para reduzir os juros do cartão em 2026.

O que acontece com a dívida do cartão de crédito de uma pessoa falecida?
A obrigação financeira passa a ser de responsabilidade do **espólio** — que é o conjunto de bens, direitos e obrigações deixados pela pessoa falecida. É o patrimônio do falecido que responde pela quitação do débito antes que ocorra a partilha de bens entre os herdeiros. O Código Civil brasileiro assegura que os herdeiros não respondem pelas dívidas com seu patrimônio próprio; a obrigação limita-se estritamente às forças da herança recebida.
Dívida de cartão de crédito pode bloquear a conta bancária?
Não de forma direta ou automática por iniciativa do banco. O bloqueio de valores em contas correntes ou poupanças só pode ser determinado por meio de uma **decisão judicial** (via sistema SisbaJud), após a instituição financeira mover uma ação de cobrança ou execução na Justiça. O atraso simples no pagamento da fatura, por si só, não autoriza o banco a travar seus saldos.
A inadimplência no cartão de crédito pode levar à penhora de bens?
Sim, mas essa medida extrema exige a judicialização do débito. Caso o banco ingresse com um processo de execução e o juiz determine o pagamento, a falta de quitação pode culminar na penhora de ativos financeiros, veículos ou outros bens penhoráveis do devedor. Trata-se de um desfecho que costuma ocorrer em dívidas de valores mais expressivos e após esgotadas as tentativas de acordo extrajudicial.
A dívida do cartão de crédito caduca após cinco anos?
Existe uma distinção importante: o direito de manter o nome do devedor negativado nos cadastros dos órgãos de proteção ao crédito (como SPC e Serasa) expira após o prazo de **cinco anos**. Contudo, a dívida em si não deixa de existir. O credor original pode continuar cobrando o saldo amigavelmente e o histórico de inadimplência permanecerá registrado internamente na instituição e no Sistema de Informações de Crédito do Banco Central (SCR), o que limita a liberação de novos limites e empréstimos.
Não pagar um cartão afeta os outros cartões de crédito que eu possuo?
Não há cancelamento automático dos cartões ativos em outras credoras. Entretanto, a inserção de uma restrição financeira no seu CPF alerta o mercado de forma geral. Como as bandeiras e os bancos realizam análises periódicas de risco em suas carteiras de clientes, a inadimplência em um cartão pode motivar outras instituições a reduzirem seus limites de crédito ou bloquearem novas transações preventivamente.
É possível fazer portabilidade da dívida do cartão de crédito?
Sim. O Banco Central regulamenta a transferência de saldos devedores de faturas de cartão de crédito. O consumidor pode buscar outra instituição financeira que ofereça uma linha de crédito mais barata e com menor Custo Efetivo Total (CET) para liquidar o saldo devedor na instituição de origem, migrando o compromisso sob taxas e parcelas mais sustentáveis.
Como reduzir os juros do cartão de crédito?
O primeiro passo estratégico é propor uma negociação direta com a administradora do cartão buscando taxas menores ou um parcelamento fixo. Caso a proposta continue inviável, a melhor saída financeira é a substituição de dívida: contratar uma linha de crédito estruturalmente mais barata — como o empréstimo com garantia de veículo — e utilizar esse recurso de baixo custo para quitar integralmente a fatura rotativa do cartão, trocando uma das maiores taxas de juros do mercado por parcelas fixas e previsíveis.

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