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Saia do vermelho
Uma lei federal limita o crescimento do rotativo ao dobro da fatura desde 2024. Entenda como isso funciona e veja o passo a passo para quitar a dívida.
por Cibele Cardoso
Postado em 28 de agosto, 2026
Neste conteúdo, você verá:
A dívida de cartão de crédito surge quando a fatura não é paga integralmente e o saldo restante passa para o crédito rotativo, um dos encargos mais caros do sistema financeiro nacional. O cartão parece uma forma simples de organizar gastos, mas basta um pagamento parcial para o saldo virar dívida financiada quase sem o titular perceber.
O que determina o tamanho real da dívida não é só a taxa de juros aplicada, mas o tempo que o saldo permanece no rotativo antes de uma negociação. Este artigo explica como o rotativo funciona, o que uma lei recente mudou nesse cálculo e traz um passo a passo para quitar o cartão sem comprometer o orçamento.
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Quando a fatura não é quitada integralmente até o vencimento, o valor em aberto entra no crédito rotativo. A partir desse momento, os juros passam a incidir sobre o saldo devedor.
As consequências desse atraso são:
A Lei nº 14.690/2023, regulamentada pela Resolução CMN nº 5.112/2023, determina que o valor total da dívida decorrente do crédito rotativo e do parcelamento da fatura não pode ultrapassar o dobro do valor original do débito. Uma dívida inicial de R$ 1.000, por exemplo, não pode ultrapassar R$ 2.000, mesmo somando juros e encargos acumulados.
Além desse limite permanente, o governo costuma lançar programas temporários de renegociação, como o Desenrola Brasil, com regras próprias de elegibilidade, desconto e prazo. Como essas condições mudam a cada edição do programa, é recomendável consultar as regras vigentes no momento da negociação diretamente no banco ou no site do Ministério da Fazenda.
O crédito rotativo é o financiamento automático do saldo da fatura quando o titular paga menos que o valor total. Pode ser usado por até 30 dias, e o restante passa a ser cobrado com juros até o próximo vencimento.
Ele é acionado sempre que o pagamento da fatura é parcial, mesmo com uma diferença pequena entre o valor devido e o valor pago.
O cartão de crédito libera limite sem exigir garantias e sem reavaliar o risco a cada compra. Para compensar essa exposição, as instituições aplicam juros altos e compostos no rotativo, entre as taxas mais caras do mercado de crédito.
Abaixo, as taxas de juros do rotativo do cartão de crédito nos principais bancos do país:
| Modalidade de crédito | Taxa de juros ao mês (%) |
|---|---|
| Empréstimo com garantia de imóvel (creditas) | a partir de 1,09% + IPCA |
| Empréstimo com garantia de veículo (creditas) | a partir de 1,49% |
| Consignado privado (creditas) | a partir de 1,29% |
| Empréstimo pessoal | 8,23% |
| Cheque especial | 8% |
| Consignado privado | 3,4% |
| Consignado público | 2,2% |
| Consignado INSS | 1,8% |
| Rotativo do cartão de crédito | 14,2% |
Fonte: Procon e Banco Central.
Confira | Qual banco tem menor taxa de juros para empréstimo em 2026?
A dívida cresce por meio de juros compostos: os juros incidem sobre o valor original e também sobre os juros já acumulados. Veja como uma dívida de R$ 1.000, com juros de 12% ao mês, evolui sem novas compras:
Em três meses, o saldo cresce mais de 40%. É esse padrão de crescimento que a Lei 14.690/2023 passou a limitar, travando o total no dobro do valor original.
Temos um guia sobre Como renegociar dívida e sair do vermelho?
Numa simulação ilustrativa, com juros de 12% ao mês, uma dívida de R$ 2.000 sem limite legal chegaria a mais de R$ 4.400 já no 7º mês, sem nenhuma compra nova.
É exatamente nesse ponto que a Lei 14.690/2023 age: como o valor total cobrado não pode ultrapassar o dobro do valor original, o débito para de crescer ao atingir R$ 4.000, mesmo que o saldo continue em aberto por mais tempo. Antes da lei, esse mesmo saldo podia seguir crescendo indefinidamente enquanto não fosse negociado.
Ou seja: aos 12 meses, essa dívida de R$ 2.000 custa, no máximo, R$ 4.000 de saldo total. É o teto que a lei impõe, mesmo que a fatura continue em aberto por mais tempo.
Depende da taxa oferecida e da capacidade de pagamento. O parcelamento faz sentido quando a taxa é bem menor que a do rotativo e as parcelas cabem no orçamento sem gerar novos atrasos.
Na prática, o parcelamento reduz o impacto imediato no caixa, mas mantém um custo elevado. Se as parcelas comprometem demais a renda, trocar o rotativo pelo parcelamento apenas adia o desafio financeiro. Isso acontece porque a taxa oferecida no parcelamento depende da política de crédito da instituição e do perfil do cliente, não apenas do uso anterior do rotativo.
Manter a fatura em aberto agrava o endividamento, já que os juros são altos e o saldo cresce rápido. Um passo a passo organizado ajuda a reverter a situação.
Peça à administradora do cartão o CET (Custo Efetivo Total), que mostra o custo real da dívida, incluindo juros e encargos. É um direito do consumidor solicitar esse valor. Aproveite para checar se há outras dívidas em cartões diferentes. Usar um limite para cobrir outro é comum em momentos de desequilíbrio, mas mascara o tamanho real do desafio.
Após entender a dívida, avalie quanto é possível separar por mês para o pagamento, com o apoio de uma planilha ou aplicativo financeiro. Revisar faturas antigas também ajuda a identificar onde o desequilíbrio começou, para evitar que ele se repita.
Com o CET e o orçamento em mãos, entre em contato com a central do cartão e avalie as opções de negociação, como parcelamento ou redução de encargos. Se a parcela não couber no orçamento, o mais seguro é voltar a negociar: aceitar uma condição inviável só aumenta a chance de um novo atraso.
Resolver uma dívida cara pede agilidade e planejamento. Uma proposta fora do orçamento gera um novo desequilíbrio à frente, então retomar a negociação até encontrar uma condição compatível é o caminho mais seguro.
Quando a fatura não fecha, geralmente os gastos superam a renda. Revisar despesas, reduzir excessos e definir limites para categorias como lazer e supermercado ajuda a manter o controle, sem eliminar momentos de descanso.
Durante a renegociação, novas compras parceladas dificultam a saída da dívida, mesmo em valores pequenos. Antes de comprar, avalie se a despesa é necessária naquele momento ou se pode esperar.
Quando a negociação com o cartão não oferece boas condições, faz sentido comparar alternativas com juros menores, como empréstimo com garantia. Entre essas opções, o empréstimo com garantia de veículo costuma ter taxas menores que o rotativo do cartão, porque o bem dado em garantia reduz o risco para a instituição financeira.
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Confira | Como funciona empréstimo com garantia? Veja mitos e verdades!
Sim. A inadimplência pode levar à inclusão do nome nos cadastros de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, e o credor pode recorrer à cobrança judicial, juridicamente possível em qualquer valor, embora mais comum em dívidas economicamente viáveis para o banco cobrar. Essa negativação tem prazo: depois de cinco anos, ela deixa de aparecer nesses cadastros, mas a dívida em si continua existindo e pode seguir sendo cobrada por outros meios.
Evitar o retorno ao endividamento passa por diferenciar crédito de renda e usar o limite de forma estratégica. O cartão não deve funcionar como extensão do salário. Manter um limite compatível com a renda, reduzir parcelamentos e acompanhar a fatura ao longo do mês ajuda a evitar o acúmulo de despesas. Sem ajuste no orçamento, qualquer renegociação é só temporária.
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