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Saia do vermelho

Como acabar com a dívida de cartão de crédito? Veja os 7 passos

Uma lei federal limita o crescimento do rotativo ao dobro da fatura desde 2024. Entenda como isso funciona e veja o passo a passo para quitar a dívida.

por Cibele Cardoso

Postado em 28 de agosto, 2026

Como acabar com a dívida de cartão de crédito? Veja os 7 passos

Neste conteúdo, você verá:

A dívida de cartão de crédito surge quando a fatura não é paga integralmente e o saldo restante passa para o crédito rotativo, um dos encargos mais caros do sistema financeiro nacional. O cartão parece uma forma simples de organizar gastos, mas basta um pagamento parcial para o saldo virar dívida financiada quase sem o titular perceber.

O que determina o tamanho real da dívida não é só a taxa de juros aplicada, mas o tempo que o saldo permanece no rotativo antes de uma negociação. Este artigo explica como o rotativo funciona, o que uma lei recente mudou nesse cálculo e traz um passo a passo para quitar o cartão sem comprometer o orçamento.

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O que acontece se não pagar a fatura do cartão de crédito?

Quando a fatura não é quitada integralmente até o vencimento, o valor em aberto entra no crédito rotativo. A partir desse momento, os juros passam a incidir sobre o saldo devedor.

As consequências desse atraso são:

  • O saldo passa a ser financiado automaticamente, com juros do rotativo incidindo dia a dia;
  • O orçamento dos meses seguintes fica comprometido, já que parte da renda futura precisa cobrir o saldo anterior;
  • A situação pode levar à negativação do CPF, se o atraso se prolongar sem negociação.

A Lei nº 14.690/2023, regulamentada pela Resolução CMN nº 5.112/2023, determina que o valor total da dívida decorrente do crédito rotativo e do parcelamento da fatura não pode ultrapassar o dobro do valor original do débito. Uma dívida inicial de R$ 1.000, por exemplo, não pode ultrapassar R$ 2.000, mesmo somando juros e encargos acumulados.

Além desse limite permanente, o governo costuma lançar programas temporários de renegociação, como o Desenrola Brasil, com regras próprias de elegibilidade, desconto e prazo. Como essas condições mudam a cada edição do programa, é recomendável consultar as regras vigentes no momento da negociação diretamente no banco ou no site do Ministério da Fazenda.

O que é o crédito rotativo do cartão de crédito?

O crédito rotativo é o financiamento automático do saldo da fatura quando o titular paga menos que o valor total. Pode ser usado por até 30 dias, e o restante passa a ser cobrado com juros até o próximo vencimento.

Ele é acionado sempre que o pagamento da fatura é parcial, mesmo com uma diferença pequena entre o valor devido e o valor pago.

Por que os juros do cartão de crédito são tão altos?

O cartão de crédito libera limite sem exigir garantias e sem reavaliar o risco a cada compra. Para compensar essa exposição, as instituições aplicam juros altos e compostos no rotativo, entre as taxas mais caras do mercado de crédito.

Abaixo, as taxas de juros do rotativo do cartão de crédito nos principais bancos do país:

Comparativo de taxas de juros por modalidade de crédito (agosto de 2026)
Modalidade de crédito Taxa de juros ao mês (%)
Empréstimo com garantia de imóvel (creditas) a partir de 1,09% + IPCA
Empréstimo com garantia de veículo (creditas) a partir de 1,49%
Consignado privado (creditas) a partir de 1,29%
Empréstimo pessoal 8,23%
Cheque especial 8%
Consignado privado 3,4%
Consignado público 2,2%
Consignado INSS 1,8%
Rotativo do cartão de crédito 14,2%

Fonte: Procon e Banco Central.

Confira | Qual banco tem menor taxa de juros para empréstimo em 2026?

Por que a dívida do cartão vira uma bola de neve?

A dívida cresce por meio de juros compostos: os juros incidem sobre o valor original e também sobre os juros já acumulados. Veja como uma dívida de R$ 1.000, com juros de 12% ao mês, evolui sem novas compras:

  • 1º mês: R$ 1.120.
  • 2º mês: R$ 1.254.
  • 3º mês: R$ 1.405.

Em três meses, o saldo cresce mais de 40%. É esse padrão de crescimento que a Lei 14.690/2023 passou a limitar, travando o total no dobro do valor original.

Temos um guia sobre Como renegociar dívida e sair do vermelho?

Quanto custa deixar uma dívida de R$ 2.000 no rotativo por 12 meses?

Numa simulação ilustrativa, com juros de 12% ao mês, uma dívida de R$ 2.000 sem limite legal chegaria a mais de R$ 4.400 já no 7º mês, sem nenhuma compra nova.

É exatamente nesse ponto que a Lei 14.690/2023 age: como o valor total cobrado não pode ultrapassar o dobro do valor original, o débito para de crescer ao atingir R$ 4.000, mesmo que o saldo continue em aberto por mais tempo. Antes da lei, esse mesmo saldo podia seguir crescendo indefinidamente enquanto não fosse negociado.

Ou seja: aos 12 meses, essa dívida de R$ 2.000 custa, no máximo, R$ 4.000 de saldo total. É o teto que a lei impõe, mesmo que a fatura continue em aberto por mais tempo.

Vale a pena parcelar a fatura do cartão de crédito?

Depende da taxa oferecida e da capacidade de pagamento. O parcelamento faz sentido quando a taxa é bem menor que a do rotativo e as parcelas cabem no orçamento sem gerar novos atrasos.

Na prática, o parcelamento reduz o impacto imediato no caixa, mas mantém um custo elevado. Se as parcelas comprometem demais a renda, trocar o rotativo pelo parcelamento apenas adia o desafio financeiro. Isso acontece porque a taxa oferecida no parcelamento depende da política de crédito da instituição e do perfil do cliente, não apenas do uso anterior do rotativo.

Como quitar a dívida do cartão de crédito?

Manter a fatura em aberto agrava o endividamento, já que os juros são altos e o saldo cresce rápido. Um passo a passo organizado ajuda a reverter a situação.

1. Descubra o total da dívida

Peça à administradora do cartão o CET (Custo Efetivo Total), que mostra o custo real da dívida, incluindo juros e encargos. É um direito do consumidor solicitar esse valor. Aproveite para checar se há outras dívidas em cartões diferentes. Usar um limite para cobrir outro é comum em momentos de desequilíbrio, mas mascara o tamanho real do desafio.

2. Faça um raio-x da sua situação financeira

Após entender a dívida, avalie quanto é possível separar por mês para o pagamento, com o apoio de uma planilha ou aplicativo financeiro. Revisar faturas antigas também ajuda a identificar onde o desequilíbrio começou, para evitar que ele se repita.

3. Negocie com o banco

Com o CET e o orçamento em mãos, entre em contato com a central do cartão e avalie as opções de negociação, como parcelamento ou redução de encargos. Se a parcela não couber no orçamento, o mais seguro é voltar a negociar: aceitar uma condição inviável só aumenta a chance de um novo atraso.

4. Avalie a proposta com cautela

Resolver uma dívida cara pede agilidade e planejamento. Uma proposta fora do orçamento gera um novo desequilíbrio à frente, então retomar a negociação até encontrar uma condição compatível é o caminho mais seguro.

5. Ajuste os gastos

Quando a fatura não fecha, geralmente os gastos superam a renda. Revisar despesas, reduzir excessos e definir limites para categorias como lazer e supermercado ajuda a manter o controle, sem eliminar momentos de descanso.

6. Evite novas compras parceladas

Durante a renegociação, novas compras parceladas dificultam a saída da dívida, mesmo em valores pequenos. Antes de comprar, avalie se a despesa é necessária naquele momento ou se pode esperar.

7. Troque a dívida cara por uma mais barata

Quando a negociação com o cartão não oferece boas condições, faz sentido comparar alternativas com juros menores, como empréstimo com garantia. Entre essas opções, o empréstimo com garantia de veículo costuma ter taxas menores que o rotativo do cartão, porque o bem dado em garantia reduz o risco para a instituição financeira.

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Confira | Como funciona empréstimo com garantia? Veja mitos e verdades!

Dívida no cartão pode gerar negativação ou processo?

Sim. A inadimplência pode levar à inclusão do nome nos cadastros de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, e o credor pode recorrer à cobrança judicial, juridicamente possível em qualquer valor, embora mais comum em dívidas economicamente viáveis para o banco cobrar. Essa negativação tem prazo: depois de cinco anos, ela deixa de aparecer nesses cadastros, mas a dívida em si continua existindo e pode seguir sendo cobrada por outros meios.

Como evitar cair novamente na dívida do cartão de crédito?

Evitar o retorno ao endividamento passa por diferenciar crédito de renda e usar o limite de forma estratégica. O cartão não deve funcionar como extensão do salário. Manter um limite compatível com a renda, reduzir parcelamentos e acompanhar a fatura ao longo do mês ajuda a evitar o acúmulo de despesas. Sem ajuste no orçamento, qualquer renegociação é só temporária.

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Perguntas frequentes

Entenda o impacto de dívidas de cartão de crédito em casos de falecimento, processos judiciais de penhora e bloqueio, prescrição em órgãos de proteção, portabilidade e declaração no Imposto de Renda em 2026.

O que acontece com a dívida do cartão de crédito de uma pessoa falecida?
A obrigação financeira é transferida para o espólio, que representa a totalidade dos bens, direitos e obrigações deixados pelo falecido. Os herdeiros respondem pelo débito exclusivamente até o limite das forças da herança (patrimônio transmitido), não havendo qualquer obrigação jurídica de liquidação da dívida com recursos ou patrimônio pessoal dos sucessores.
A dívida de cartão de crédito pode bloquear a conta bancária?
Não de maneira direta ou automática. O bloqueio de valores depositados em conta bancária depende estritamente de ordem judicial emitida via sistema SISBAJUD, decorrente do ajuizamento de ação de cobrança ou execução promovida pela instituição financeira credora.
A inadimplência no cartão de crédito pode levar à penhora de bens?
Sim, porém unicamente após o trâmite regular de um processo judicial. Caso o banco ingresse com ação executiva e o juiz defira o pedido, poderão ser objeto de penhora ativos financeiros, veículos ou outros bens do devedor, observadas as impenhorabilidades previstas no Código de Processo Civil.
A dívida do cartão de crédito caduca após cinco anos?
Apenas o registro público de restrição (negativação) nos órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, expira após o prazo quinquenal. A dívida subjacente não é extinta e continua existindo, podendo ser objeto de cobrança administrativa e negociação entre as partes de forma contínua.
Não pagar um cartão afeta os outros cartões de crédito que eu possuo?
Não há cancelamento automático dos demais cartões mantidos em outras instituições. Contudo, a inclusão de restrições no CPF e a atualização do histórico de crédito no SCR do Banco Central podem motivar outros emissores a promover a redução preventiva de limites ou o bloqueio de novas operações de crédito.
Dívida de cartão de crédito pode bloquear meu CPF ou minha CNH?
Não de forma automática. O não pagamento resulta na inclusão do CPF nos cadastros de inadimplentes (SPC e Serasa), sem alterar o status de regularidade cadastral do documento na Receita Federal ou suspender de forma imediata a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Medidas atípicas sobre a CNH dependem de decisão judicial fundamentada em processo executivo.
É possível fazer a portabilidade da dívida do cartão de crédito?
Sim. Conforme as diretrizes regulatórias vigentes do Banco Central, o consumidor pode transferir o saldo devedor do cartão de crédito ou do parcelamento da fatura para outra instituição financeira que apresente proposta de consolidação com menor Custo Efetivo Total (CET).
Como reduzir os juros do cartão de crédito?
A estratégia inicial consiste na repactuação direta com a administradora do cartão buscando taxas preferenciais de parcelamento fixo. Caso as condições permaneçam elevadas, a alternativa mais eficiente é a substituição da dívida de juros altos por uma linha de crédito mais barata, como o crédito consignado ou o empréstimo com garantia de veículo ou imóvel.
Dívida de cartão de crédito entra na declaração do Imposto de Renda?
Sim, sempre que o montante acumulado em atraso for superior a R$ 5.000 em 31 de dezembro do ano-base da declaração. O valor deve ser informado na ficha "Dívidas e Ônus Reais". Essa declaração destina-se unicamente ao acompanhamento da evolução patrimonial pela Receita Federal, não gerando qualquer incidência de imposto a pagar.

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