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2,9 milhões procuram emprego há mais de dois anos. Como se recolocar?

Um em cada quatro desempregados procura emprego há mais de dois anos. Especialista apresenta dicas para conseguir uma recolocação no mercado de trabalho, apesar do gap no currículo
Escrito por Elaine Ortiz em 21.02.2020 | Atualizado em 11.05.2020
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O número de desempregados no Brasil é de 12,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país fechou 2019 com taxa média de desemprego de 11,9%, pouco abaixo do ano anterior (12,3%), mas com crescimento expressivo do trabalho informal, que atinge 41,1% da mão de obra, ou 38,4 milhões de pessoas. Mais: a queda de 1,7% em relação a 2018 não é suficiente para minimizar o fato de que, em cinco anos, o contingente de desempregados cresceu 87,7% – eram 6,8 milhões em 2014.

O cenário é ainda mais desanimador quando se considera o tempo que o trabalhador leva para conquistar uma nova recolocação no mercado de trabalho.  Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad-C), referentes ao último trimestre de 2019 e divulgadas em fevereiro, cerca de 25% dos desempregados no Brasil estão à procura de emprego há dois anos ou mais: são 2,9 milhões de pessoas que estão com o gap no currículo por um longo período. 39,2% estão na busca por trabalho há um ano ou mais e 84%, há um mês ou mais.

É o caso de Diego Rodrigues Teodoro, de 24 anos, que cursa Arquitetura e Urbanismo e após oito meses de busca por recolocação profissional em sua área, aceitou recentemente um emprego como analista administrativo em um supermercado de médio porte, sua antiga ocupação. 

“Foi um período muito difícil, de desespero total, porque os boletos continuaram chegando e eu não tinha como pagar”, conta. “Tive que mudar meu foco e procurar um emprego fora de arquitetura e urbanismo, um mercado que está ruim desde 2016 e que pede muita experiência mesmo para os profissionais novos na área”. 

Mudar de área de atuação, como fez Diego, é uma das estratégias para conseguir uma nova colocação profissional após ficar um longo período sem trabalho. Segundo Roberta Valezio, People Experience Manager da WAVY, empresa de customer experience do Grupo Movile, trata-se de uma excelente alternativa. “Procurar adquirir uma nova competência com certeza é válido para quem está em um emprego e quer migrar, fazer uma transição de carreira. Para quem está fora do mercado é ainda mais forte e importante”.  

Confira a entrevista na íntegra com Roberta Valezio para se recolocar no mercado de trabalho.

Leia também: Trabalho informal bate recorde e trava economia. Entenda o porquê

Existe um tempo médio "aceitável" para que uma pessoa demore para encontrar um novo emprego?

Acredito que depende muito da área de atuação da pessoa e em que tipo de empresa ela está buscando. As carreiras, atualmente, são cada vez menos lineares, sinto que as empresas estão aprendendo, principalmente as de tecnologia ou as empresas mais flexíveis, a lidar com tudo isso. Vemos bastante gente em migração de carreira, por exemplo no ramo da tecnologia, que passou por um processo de redescoberta de caminho e eventualmente está migrando, ainda mais vendo que este é um ramo que está contratando muito.

Às vezes as pessoas que estão há algum tempo desempregadas aprendem uma competência nova para ir para um setor que está mais aquecido. Valorizar as pessoas com backgrounds diferentes é muito importante. Normalmente, uma transição de carreira leva tempo, mas mesmo para as pessoas que estão buscando uma colocação na mesma carreira e estão com dificuldade para encontrar esse emprego, a tendência é que o gap no currículo se torne cada vez mais aceitável pelo mercado, desde que essa pessoa tenha passado esse período se desenvolvendo, buscando aprender coisas diferentes. 

Leia também: Trabalho intermitente não gera vagas e remunera abaixo do mínimo 

Quais suas dicas e orientações para conseguir um emprego rapidamente após sair de uma empresa?

A primeira é justamente procurar adquirir uma nova competência e quando for para uma entrevista, seja lá o motivo que tenha te levado a ficar com um o gap no currículo, ressalte os cursos que fez, os meetups que esteve presente, as pessoas que se conectou, os trabalhos voluntários que fez. O fato da pessoa buscar se capacitar, se conectar com outras opções tem muito valor. As pessoas têm muito esse papel de ativar suas redes cada vez mais numa era digital, hoje a gente consegue se conectar e saber de oportunidades, não só de empregos, mas de aprendizados, cada vez mais com as redes sociais. É importante a pessoa se manter atualizada sempre.

Outra dica é ativar as redes de modo consciente, abordar as pessoas  que você conhece ou que tem nas suas redes por algum motivo, ou que conheceu em algum evento, mas não valorizando a dificuldade, ressaltando o que você faz bem, quais são os seus sonhos, suas habilidades, como você se conecta com aquela empresa que essa pessoa trabalha. Abordar pessoas em diferentes contextos é um caminho muito legal que pode ser uma saída transformadora. Cada vez menos os caminhos da contratação são os tradicionais, se você se candidatar em um site, eventualmente seu currículo irá cair entre um monte de outros, é mais difícil se destacar do que você abordando as pessoas e fazendo seu marketing pessoal.

A terceira dica é justamente saber se vender. É muito curioso que tem muita gente que se vende muito mal. A pessoa te aborda e diz que está precisando de uma oportunidade e apenas passa o contato. A pessoa do outro lado não vai fazer o exercício de descobrir os motivos pelos quais ela tem que encontrar você. Você tem que se vender, então diga: “olá, estou te abordando porque vi que a empresa tem uma cultura tal, que sou apaixonado por tal questão, e é por isso que a gente se conecta. Podemor marcar um papo?”. Você já propõe fazer o papo, fazer a entrevista. Às vezes você não conseguiu o contato do RH da empresa, mas tem um conhecido que trabalha ali em outra área. Entra em contato com ele, solicita o contato do RH, se apresente, diga que considera que tem o perfil da vaga, peça ajuda, mande o currículo.

Mas ao pedir  ajuda das pessoas, faça também uma abordagem mais organizada. Acho que o mais importante é as pessoas saberem valorizar o que elas sabem, o que elas têm, o que elas querem e não o que falta. Não ressaltar sua falta, o porque você ficou dois anos fora do mercado, o que você não faz, o que você não tem, o desespero. Ninguém compra seu desespero, compra a sua paixão, o seu sonho, o que você oferece, isso é o que precisa ser o foco. 

Leia também: Situações desconfortáveis no trabalho: como melhorar o ambiente profissional?

Não consigo arrumar um emprego, o que posso fazer como alternativa? 

Com a tecnologia está cada vez mais fácil empreender a baixo custo. Então, vender um produto ou  um serviço online, uma consultoria, oferecer algum tipo de coisa que você faz e que vai agregar valor para alguém é totalmente possível. Entender como você pode fazer disso um modelo de negócio e serviço é importante. Com a tecnologia,  às vezes usando uma série de ferramentas gratuitas e redes sociais também gratuitas, você consegue criar algum tipo serviço, oferecer alguma coisa a custo quase zero e comercializar na internet. 

Algumas pessoas  às vezes pensam: “mas eu vou fazer isso e como depois depois vou buscar um emprego numa área que não tem nada a ver com isso?” Os empregadores valorizam cada vez mais as pessoas empreendedoras, com perfis criativos, que se reinventem, que  acham outros caminhos para resolver problemas. Isso agrega valor para qualquer caminho posterior que a pessoa seguir. 

Já estive em posições em que as empresas não sabiam valorizar os perfis que não fossem tão óbvios, da pessoa que fez boa faculdade, teve bom emprego e quer migrar. Hoje tem muita gente incrível que às vezes vem de um ramo completamente diferente e está migrando.  Em tecnologia, sobretudo, temos que saber acolher essas histórias diferentes e isso traz diversidade, que é um super valor para as empresas. 

Ainda mais em tecnologia, que sofre com a falta de mão de obra especializada?

Sim, exatamente. Existe uma série de iniciativas ajudando essas pessoas que querem fazer essa migração e precisam de ajuda para aprender tecnologia. Buscando, especialmente em cidades como São Paulo, encontra-se muita oportunidade para quem quer começar de novo. Tem demanda de mão de obra no Brasil  e no mundo, tem muito mais a ver com a vontade de sair da zona de conforto, apesar de ser clichê, e correr atrás de aprender algo novo. 

Quanto mais tempo demora para conseguir uma nova colocação, mais difícil fica encontrar?

Tenho a impressão que sim, o mercado tende a ficar mais difícil, mas quando a pessoa se mantém conectada, estudando e tudo mais, acho que é muito mais uma questão de achar uma oportunidade que tenha a ver com o que você tem para oferecer.

Acho que as empresas mais tradicionais também estão aprendendo a perder esse preconceito, especialmente no cenário atual em quem a empregabilidade inclui também um viés político.  Estamos em um contexto de um país no qual o desemprego tem sido uma pauta bastante discutida, então as empresas estão aprendendo a lidar com essa questão melhor. 

Para gente não tem tabu nenhum , mas depende muito de como a pessoa se comporta nesse período. Se ficou dois, três anos esperando em casa e agora enxergou essa oportunidade, não é tarde demais, é só virar o jogo, começar a estudar,  buscar oportunidades, se conectar com gente boa. Nunca é tarde. Não é necessário ficar inseguro, nem pensar que passou do prazo. Estamos aqui para se reinventar e as empresas têm que aprender a lidar com isso.

Geralmente, os gaps trazem novas visões, as pessoas estão na geladeira somente na carteira de trabalho, na vida real estão se desenvolvendo e aprendendo outras coisas.

Leia também: Os desafios das mulheres na liderança e no mercado de trabalho

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Elaine Ortiz

Escrito por Elaine Ortiz

Repórter do Portal Exponencial, com dez anos de experiência em redações de jornais e revistas. Acredita que informação de qualidade é capaz de fazer a diferença na vida das pessoas e que conhecimento financeiro tem tudo a ver com liberdade.

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