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Concentração de renda: bilionários são mais ricos que 60% da população

Às vésperas do Fórum Econômico de Davos, a ONG Internacional Oxfam divulga relatório que alerta o mundo sobre a concentração de renda e a desigualdade social

Escrito por Elaine Ortiz em 20.01.2020 | Atualizado em 20.01.2020

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • Segundo a ONG Oxfam, os 2.153 bilionários que havia no mundo em 2019 tinham mais dinheiro do que 60% da população do planeta;
  • A fortuna do 1% mais rico do mundo corresponde a mais que o dobro da riqueza acumulada dos 6,9 bilhões de pessoas menos ricas;
  • 42% das mulheres no mundo não conseguem ter um trabalho remunerado devido à enorme carga de atividades com cuidados nos âmbitos privado ou familiar.

 

Os números são alarmantes: em 2019, os 2.153 bilionários que havia no mundo tinham mais dinheiro do que 60% da população do planeta. É o que diz a ONG Internacional Oxfam em relatório divulgado nesta segunda-feira (20), véspera da abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, ponto de encontro da elite política e econômica global.

O levantamento da ONG, que foi feito com base em dados publicados pela revista Forbes e pelo banco Crédit Suisse, mostra também que a fortuna do 1% mais rico do mundo corresponde a mais que o dobro da riqueza acumulada dos 6,9 bilhões de pessoas menos ricas, ou seja, 92% da população do planeta. 

Para Emmanuel Nunes, professor de Relações Internacionais da Universidade São Judas Tadeu, dois fatores principais justificam o nível da desigualdade social e o aumento da concentração de renda no mundo: valor de mercado de algumas empresas e ausência de políticas do tipo social democrata.

“Com a mudança do padrão tecnológico surgiram algumas empresas que conquistaram um valor enorme de mercado e essas empresas estão concentradas nas mãos de um ou dois sócios, com valores absurdos como Google, Apple, esse tipo de empresa acabou concentrando grandes fortunas nas mãos de pouca gente”, explica.

“Outro ponto é a ausência de assistência do Estado em relação a políticas públicas, o fim da social democracia fez com que parte da população, principalmente da América do Sul, Central, algumas partes da Ásia e África se empobrecesse ainda mais”. 

Além disso, segundo cálculos da Oxfam, 42% das mulheres no mundo não conseguem ter um trabalho remunerado devido à enorme carga de atividades com cuidados nos âmbitos privado ou familiar contra apenas 6% dos homens.

“As mulheres estão na primeira fila das desigualdades devido a um sistema econômico que as discrimina e as aprisiona nos ofícios mais precários e menos remunerados, a começar pelo setor de cuidados”, afirmou Pauline Leclère, porta-voz da Oxfam France. A instituição estima em 10,8 trilhões de dólares a cada ano o valor monetário do trabalho de cuidados não remunerado das mulheres com mais de 15 anos.

Leia mais: Negros ainda são os que mais sofrem efeitos da desigualdade social

Concentração de renda no Brasil

A ONG também pontua as opções econômicas de alguns governos, como o do Brasil, dizendo que a maioria dos líderes mundiais ainda está perseguindo agendas políticas que conduzem a uma maior distância “entre os que têm e os que não têm”. 

“Líderes como o presidente Trump, nos Estados Unidos, e Bolsonaro, no Brasil, são exemplos dessa tendência. Eles estão oferecendo políticas como redução de impostos para bilionários, obstruindo medidas para enfrentar a emergência climática, ou o racismo, o sexismo e o ódio às minorias", diz a Oxfam.

“De fato, uma agenda econômica liberal mais radical, como a do presidente Jair Bolsonaro, é uma expressão que tende a aumentar a desigualdade”, diz o professor Emmanuel Nunes. “Não sabemos o resultado a longo prazo dessas políticas, mas se o dinheiro que estava sendo gasto com subsídio para indústria, por exemplo, fosse transferido para políticas educacionais, no longo prazo a desigualdade no Brasil seria reduzida”, diz. 

“O Brasil sempre foi um país com alta desigualdade social e de renda, embora a gente tenha observado um aumento de desigualdade nos últimos três anos, o Brasil convive com esse fato desde o começo do século passado”, diz Nunes, da São Judas. 

Leia mais: Como a iniciativa privada pode reduzir a desigualdade no Brasil? 

O sonho de integrar a OCDE

Enquanto isso, o Brasil  segue com 52 milhões de cidadãos abaixo da linha da pobreza, ou seja, com rendimentos inferiores a US$ 5,50 PPC (Paridade de Poder de Compra) por dia, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em novembro. E, ainda assim, tem como meta de governo entrar para a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Na sexta-feira (17)  o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o governo deve criar uma nova secretaria para acelerar o ingresso do Brasil na OCDE. A medida foi anunciada depois que o presidente americano, Donald Trump, apoiou publicamente a entrada brasileira no grupo das economias mais ricas. Um país tem que aderir a 254 instrumentos legais para fazer parte da OCDE - o Brasil já aderiu a 81 e outros 65 estão em análise do organismo, segundo a Casa Civil.

“Tem algumas vantagens para o Brasil integrar a OCDE, uma dela é aumentar a qualidade do controle das políticas públicas, deixa a política mais transparente, aumenta o controle, e isso, no limite, pode ter um impacto positivo na diminuição da pobreza no país", diz o professor Emmanuel Nunes. 

A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que a economia brasileira crescerá 1,7% em 2020, enquanto o Ministério da Economia vislumbra uma taxa de crescimento de 2,4% do PIB. Já o mercado financeiro estima em 2,3%, de acordo a última pesquisa Focus, feita pelo Banco Central, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que o crescimento da economia brasileira em 2020 irá avançar 2,2%. Qualquer número que seja, ainda é abaixo da taxa de crescimento encontrada entre os 36 países que constituem a OCDE.

Fórum Econômico Mundial de Davos

A edição de 2020 do Fórum Econômico Mundial de Davos tem início na terça-feira (21). O ministro da Economia, Paulo Guedes, irá representar o Brasil no evento. Seu objetivo será mostrar que o Brasil mudou de cara em 2019, saindo do que ele chamou de “abismo fiscal” para um período de recuperação econômica, com inflação e juros baixo, e, assim, atrair novos investimentos. 

Este ano, um dos assuntos principais do evento será o clima. O Relatório Global de Riscos publicado pelo Fórum na semana passada colocou as mudanças climáticas e outras ameaças ambientais à frente dos riscos apresentados por tensões geopolíticas e ataques cibernéticos. É a primeira vez que a pesquisa constata que os cinco principais riscos de longo prazo são ambientais, desde eventos climáticos extremos a governos e empresas que não conseguem mitigar e se adaptar às mudanças climáticas.

Cerca de 3.000 participantes de quase 120 países estarão presentes no evento, 53 chefes de Estado e governo e quase 1.700 líderes empresariais, incluindo CEOs de 8 das 10 empresas mais valiosas do mundo. 

Leia mais: Vencedores do Prêmio Nobel de economia: a luta contra a desigualdade

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Elaine Ortiz

Escrito por Elaine Ortiz

Repórter do Portal Exponencial, com dez anos de experiência em redações de jornais e revistas. Acredita que informação de qualidade é capaz de fazer a diferença na vida das pessoas e que conhecimento financeiro tem tudo a ver com liberdade.

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