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Crédito e empréstimo

Cheque especial: o que é, como funciona e como calcular os juros

Uma das linhas de crédito mais populares entre os brasileiros está entre os principais motivos do mau endividamento. Descubra o porquê e entenda como ela funciona
Escrito por Flávia Marques em 25.09.2019 | Atualizado em 28.04.2020
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Entender como funciona o cheque especial é uma necessidade urgente no Brasil. Por aqui, entre os mais de 60 milhões de consumidores com dívidas em atraso, 52% entraram na lista de inadimplentes por conta dessa linha de crédito. Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). 

Mas, apesar de perigosa, essa modalidade ainda é uma das mais acessadas pela população por conta da praticidade na contratação e facilidade de acesso. Por isso, muitas vezes o limite pré-aprovado - outro nome dado ao cheque especial - é utilizado para “completar a renda mensal” e continuar consumindo mesmo quando já não há saldo disponível na conta. 

Afinal, o que é o cheque especial?

O cheque especial é uma linha de crédito pré-aprovado que o banco disponibiliza desde a abertura da sua conta corrente, mesmo sem você ter solicitado. 

Ele não deixa de ser um tipo de empréstimo, embora o acesso não dependa de análises de crédito complexas. Normalmente, é utilizado como uma solução rápida para momentos de aperto ou de confusão com as finanças pessoais.

Vale lembrar que o cheque especial também é conhecido por outros nomes: limite pré-aprovado, LIS e cheque azul são alguns deles. 

Como funciona o cheque especial?

O cheque especial funciona como uma espécie de “empréstimo automático”. Quando o correntista utiliza todo o saldo da sua conta bancária, o banco empresta automaticamente um valor pré-aprovado para que ele possa continuar consumindo. E, como em qualquer empréstimo, há cobranças para o uso desse montante.

Se você tem 200 reais em sua conta corrente e paga um boleto de 250 reais, por exemplo, vai usar 50 reais do valor disponível do seu cheque especial. Essa quantia deverá ser devolvida com juros, assim que entrar algum dinheiro na conta.

O cheque especial funciona de forma um pouco diferente das demais modalidades de empréstimo. Quando opta por essa modalidade, a pessoa não precisa solicitar crédito ou receber um contrato detalhado com todas as taxas e encargos financeiros cobrados - e, por ser mais automática, a contratação muitas vezes é feita sem planejamento. 

O limite de cada cliente é determinado pelas instituições financeiras considerando informações básicas do cliente, sem análises tão complexas. Normalmente, leva-se em consideração apenas a renda mensal média movimentada na conta, o histórico de pagamentos com a instituição e tempo de abertura de conta. E esse é um dos motivos pelos quais essa modalidade de crédito tem as maiores taxas de juros do mercado.

Leia também | Juros do cheque especial: entenda por que as taxas são altas

Juros do cheque especial: como calcular e por que é tão alto?

Embora existam instituições financeiras que oferecem alguns dias para a utilização do cheque especial sem a cobrança de juros, após esse período as taxas podem chegar a mais de 300% ao ano. Para fins comparativos, o empréstimo com garantia de imóvel da Creditas pode ficar em menos de 12% ao ano – algo como 1% ao mês.

Veja o valor médio das principais taxas de juros, segundo dados divulgados pelo Banco Central no início de 2020: 

Modalidade de crédito  Taxa de juros (ao ano)
Cheque especial 318,7%
Rotativo do cartão de crédito  300,3%
Parcelamento do cartão de crédito 175,2%
Crédito pessoal 119,5%
Crédito consignado  22,5%
Empréstimo com garantia de veículo (Creditas) 17,88%
Empréstimo com garantia de imóvel (Creditas) 11,88%

Como o cliente entra automaticamente no cheque especial e o dinheiro também é liberado dessa forma, a instituição financeira não tem garantia nenhuma de que o valor será ressarcido. É aquela relação: quanto menor a confiança, maior serão as cobranças. Quanto maior o risco de inadimplência, maior será a taxa de juros. A consequência é repassar esse risco ao correntista por meio das taxas elevadas.

Resumidamente, o crédito no cheque especial é caro devido à natureza da modalidade, que não exige garantias de pagamento ao banco e está à disposição para o uso do cliente a qualquer momento.

Como calcular os juros do cheque especial?

É ainda mais importante fazer o cálculo exato dos juros do cheque especial porque ele funciona de forma diferenciada em relação a outras linhas de empréstimo. Embora as taxas sejam acrescidas ao valor principal todo mês, a cobrança é realizada por dia, sob juros compostos.

Isso significa que no primeiro dia de uso do cheque especial a taxa incide sobre o total inicial devido. No dia seguinte, ela recai sobre o valor inicial mais o juro do dia anterior e assim por diante. O resultado é um custo altíssimo para quem contrata. 

É importante lembrar que mesmo nos bancos que não cobram juros nos primeiros dias de uso do cheque especial o consumidor paga mais caro pela utilização. Isso porque assim que o limite pré-aprovado começa a ser usado, a instituição cobra o IOF (Imposto sobre Operação Financeira), uma taxa exigida pelo governo pela utilização do crédito. 

Vale a pena usar o cheque especial?

Inúmeros especialistas recomendam cautela ao contratar essa modalidade de crédito. A principal dica é sempre manter um bom planejamento financeiro para não precisar recorrer ao cheque especial ou entrar sem perceber.

Para evitar o pagamento de taxas abusivas, tente, ao máximo, evitar o cheque especial. Em caso de emergência - e falta de reserva financeira - a principal recomendação é quitar o uso da modalidade antes que os juros comecem a rodar. Uma maneira de fazer isso é trocar as dívidas caras por opções de créditos com taxas mais baratas, como o empréstimo com garantia ou o empréstimo consignado, por exemplo. 

Vale lembrar que muitas vezes as pessoas confundem esse limite pré-aprovado com saldo, já que os dois valores costumam aparecer no extrato bancário. No entanto, desde dezembro de 2018, o Banco Central (BC) determina que as instituições financeiras comuniquem de forma clara para os clientes onde termina o saldo e começa o cheque especial. De qualquer forma, conferir os extratos bancários pelo menos uma vez por semana ajuda a evitar surpresas. 

Leia também |  Como fugir do juros do cheque especial com empréstimo com garantia

Novas regras do cheque especial

Em 2018, foram implementadas algumas alterações nas regras quanto à contratação do cheque especial, principalmente para evitar cobranças de forma automática e confusão para o cliente.

As medidas têm o objetivo de fazer com que as pessoas usem essa linha de crédito de forma mais consciente, tendo noção de que está tomando essa modalidade de crédito e não estão utilizando um dinheiro realmente disponível em seu orçamento. 

Entenda as principais mudanças:

  1. Aviso: o banco precisa enviar notificações assim que você entrar no cheque especial. As mensagens enviadas têm o objetivo de educar e orientar o cliente sobre o seu uso;
  2. Extrato: na descrição do extrato precisa estar separado e discriminado o que é o limite do cheque especial e o que é o saldo disponível de forma clara. Evitando assim a tradicional confusão entre as diferentes informações.
  3. Negociação: Agora você pode entrar em contato com a instituição financeira e negociar melhores condições de pagamento.
  4. Modalidade mais barata: se a sua dívida com o cheque especial for superior a 15% do seu limite de crédito por mais de 30 dias, a instituição financeira deve oferecer outra linha com juros menores.

Se eu não pagar o cheque especial o que acontece?

Assim como qualquer empréstimo ou financiamento, o não pagamento desse tipo de crédito pode trazer muitas consequências como o cadastro do correntista em órgãos de proteção ao crédito, negativação do nome e impossibilidade de ter acesso a novas linhas de crédito. Isso sem falar na taxa elevada de juros, que correm diariamente e podem virar uma bola de neve. 

Leia também | Como sair das dívidas rapidamente: confira 20 dicas práticas

A dívida do cheque especial caduca em cinco anos?

Você já deve ter ouvido falar que uma dívida pode deixar de existir após cinco anos, mas não funciona exatamente assim. De acordo com o CDC (Código de Defesa do Consumidor), quando o cliente é registrado no cadastro de inadimplentes do SPC e Serasa, ele deve ter o nome limpo automaticamente após cinco anos.

No entanto, embora o CPF fique regularizado, a dívida não deixa de existir e as cobranças podem continuar acontecendo. Além disso, a dívida permanece no histórico do consumidor, o que pode impactar o seu poder de compra e acesso ao crédito por longos anos. 

Como sair do cheque especial?

Entrar no cheque especial é, sem dúvida, muito fácil. Aliás, esse é um dos pontos que levam as pessoas a optarem pelo crédito. Para quitar a dívida, basta depositar o valor utilizado na conta corrente, o que evita que os juros aumentem.

O problema é quando essa dívida foge do controle e a pessoa se vê diante de uma quantia alta para pagar. Se você já está nessa situação, não se preocupe. Listamos quatro dicas para ajudar você a quitar essa dívida. Confira: 

1 - Tente negociar o cheque especial

Se você precisou recorrer a esse tipo de crédito frequentemente nos últimos meses e está com dificuldades para quitar a dívida, uma saída é conversar com o seu gerente e tentar negociar a melhor forma de pagamento.

Em geral, as instituições costumam facilitar esse tipo de negociação, já que elas são as principais interessadas no pagamento da dívida. Mas, atenção: antes de negociar, é importante entender quanto do seu orçamento mensal pode ser comprometido com o pagamento dessa dívida. Com essa informação em mente, é possível fazer uma proposta ao banco que seja vantajosa para ambas as partes. 

Leia também | Como renegociar dívidas: 5 dicas para você quitar os débitos

2 - Escolha uma modalidade de crédito com juros menores

Se não for possível quitar o valor completo da dívida, existem outras modalidades no mercado com juros menores e que podem ser usadas para organizar as finanças e sair da bola de neve do cheque especial. Dessa forma, é possível trocar as suas dívidas caras por uma mais barata, com um prazo maior, que te ajuda a planejar melhor os pagamentos das parcelas. Faça uma simulação e compare as taxas de juros entre diferentes modalidades de empréstimo e o cheque especial:

Na contratação do empréstimo na Creditas, por exemplo, as dívidas que você tem em seu nome já são quitadas e passam a estar unificadas em uma única parcela. Essa é uma solução mais vantajosa, já que as taxas de juros começam em 0,99% para empréstimos com garantia de imóvel e 1,49% para empréstimo com garantia de veículo.

Caso não tenha um bem, como um carro ou um imóvel, a opção é recorrer a modalidades como o empréstimo consignado, que também possui taxas baixas pela garantia estar atrelada ao salário.

3 - Reduza o limite do seu cheque especial

Muitos bancos oferecem uma série de facilidades para o cliente usar o cheque especial, já que é uma modalidade muito lucrativa para eles. 

Para não cair nessa armadilha, a dica é pedir ao banco para reduzir o limite do seu cheque especial ou simplesmente cancelar o serviço. Assim, você se livra de uma vez por todas do risco de ter a conta e o nome negativados por esse tipo de crédito.

4 - Controle suas finanças pessoais de perto

Por último, e não menos importante, vale dizer que a melhor forma de se livrar do endividamento é ter maior controle sobre suas finanças pessoais. Por isso, é fundamental avaliar seus rendimentos e despesas a fim de identificar onde é possível economizar e evitar gastos desnecessários até que o orçamento fique controlado.

Leia também | Planilha de controle de gastos: download gratuito 

E então, conseguiu tirar suas dúvidas sobre o cheque especial? Já precisou recorrer a essa modalidade de crédito? Compartilhe suas experiências com a gente nos comentários.

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Flávia Marques

Escrito por Flávia Marques

Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.

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