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Crédito e empréstimo

Spread bancário: entenda o que é, os impactos e como funciona 

Saiba o que significa e qual a relação do spread bancário com os juros que você paga ao fazer empréstimos ou financiamentos
Escrito por Elaine Ortiz em 03.04.2020 | Atualizado em 14.05.2020
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Spread bancário. Eis um termo que assusta e que somente pela leitura da expressão não é possível fazer a menor ideia do que se trata. Para quem não está habituado com termos financeiros, mas entende a importância de saber cada vez mais sobre economia e os impactos para o bolso da família e do negócio, entender o que é spread bancário é fundamental. Afinal, é um tipo de operação presente e constante na vida de todo mundo que utiliza serviços bancários.

Mas, o que é e como funciona o spread bancário?

Por definição, spread bancário é a diferença entre os juros que os bancos pagam quando você investe seu dinheiro, por exemplo, ao colocar suas economias na poupança ou aplicá-las em produtos de renda fixa, e os juros que os bancos cobram quando você faz um empréstimo ou um financiamento, para quitar dívidas ou adquirir bens.

Por exemplo, quando você aplica seu dinheiro na poupança e recebe um rendimento de 5% ao ano (taxa de juros de captação) e o banco cobra 25% ao ano para fazer um empréstimo para você, o spread bancário dessa transação é de 20% (25 - 5 = 20). Ou seja, quanto maior o spread bancário, maior será o lucro dos bancos nas operações e mais caro serão os juros que os clientes pagarão ao utilizarem empréstimos e financiamentos. 

A grande polêmica que envolve essa operação está justamente no fato dessa diferença entre o que o cliente recebe ao investir e o que ele paga ao tomar dinheiro emprestado ser, aparentemente, exagerada à favor do banco. 

É por esse motivo que o spread bancário é visto como vilão por muita gente. Mas, essa não é uma verdade absoluta. No spread bancário estão embutidos uma série de custos que não são visíveis ao cliente e que, no fim das contas, sustentam toda a estrutura da economia. 

Como é calculado o spread bancário?

Além da diferença entre a remuneração que o banco paga para captar um recurso e o quanto esse banco cobra para emprestar o dinheiro, cinco grandes custos estão embutidos e formam o spread bancário, interferindo em seu valor final. São eles:

1. Inadimplência

Como o Brasil é um dos países com as mais altas taxas de inadimplência -- em 2019, 63,2 milhões de pessoas estavam com as contas atrasadas --, a instituição financeira que irá oferecer crédito precisa contar com uma espécie de “margem de segurança”, em caso de não receber de volta ao seu caixa o valor emprestado. 

O risco do não recebimento acaba entrando na composição do spread bancário. Por isso, muitos bancos  atribuem a esse fator o elevado spread bancário brasileiro. 

2. Lucros

Instituição financeira não faz filantropia. Isto é, qualquer banco, cooperativa de crédito, fintech ou banco digital que ofereça crédito precisa remunerar os empresários e os acionistas que investem na empresa. Precisam de lucro. Este lucro, portanto, também integra o spread bancário.

3. Impostos diretos

Os tributos influenciam bastante na formação do spread bancário. Os impostos considerados no spread são: Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que incidem sobre os lucros da instituição,  Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), que são cobrados sobre a receita total. 

O Imposto sobre Operação Financeira (IOF) é pago diretamente pelo cliente e, segundo os bancos, esse é o imposto que ajuda a reduzir o rendimento do aplicador e a encarecer o custo para o tomador. 

4. Compulsório e encargos

O depósito compulsório é um dos instrumentos que o Banco Central usa para controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia. Trata-se de uma determinação legal, obrigatória a todos os bancos comerciais e outras instituições financeiras. Esse depósito é referente a parte das captações em poupança, depósitos à vista e depósitos à prazo.

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) recolhe 0,0125% do valor dos depósitos totais das instituições filiadas. É um mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores, que permite recuperar, até um limite determinado, os recursos mantidos em uma instituição financeira em caso de falência ou liquidação.

Os dois, compulsório e FGC, também estão embutidos no spread bancário.

5. Custo administrativo

Os gastos de operação, como segurança, agências, caixas eletrônicos, salários, aluguéis e outros serviços necessários para as instituições financeiras existirem, também entram na conta do spread bancário.

É por isso que alguns serviços de empréstimo e financiamento oferecidos por bancos digitais e fintechs, instituições financeiras que contam com muitos recursos tecnológicos e que não possuem agência física, acabam sendo mais baratos, com juros menores dos que os oferecidos pelos bancos tradicionais. 

Por que o spread bancário no Brasil é tão alto?

Madagascar é uma ilha localizada no sudoeste da África. Somente esse país possui um spread bancário maior que o brasileiro. Mas, porque isso acontece? Diversos problemas estruturais e macroeconômicos podem ser citados como responsáveis pela alto spread bancário no país. 

Felipe Guerra, economista, sócio da Messem Investimentos, CFP®️ - Certified Financial Planner, explica que o primeiro deles é o risco. “No Brasil você tem uma alta inadimplência por parte dos devedores, isso acaba elevando o spread bancário. Um outro ponto muito abordado é a grande concentração do mercado financeiro do Brasil. Comparando com outros países, que têm mercado de capitais e mercado financeiro mais desenvolvidos, o país possui um baixíssimo número de instituições financeiras que fazem esse trabalho”, explica. 

Confira os cinco principais fatores que explicam por que o spread bancário do Brasil é tão alto:

1. Inadimplência

A inadimplência é uma das variáveis que mais eleva o spread bancário. Segundo o Banco Central, na divisão dos recursos que formaram o spread em 2016 a inadimplência correspondeu a 39,95%.

Como o Brasil é um país com um alto índice de inadimplentes -- cerca de 40,3% da população adulta do país não está com as contas em dia --  esse risco é embutido no custo do spread bancário. “O spread bancário é nocivo para o bom pagador, aquela pessoa que possui crédito e que sempre pagou suas dívidas em dia, já que o spread é calculado pela média, tanto de bons pagadores quanto de maus pagadores, então quem é bom pagador vai arcar com um juros maior do que pagaria”, diz Felipe Guerra.

Leia também: Inadimplência: a saga dos milhões de brasileiros negativados

2. Concentração bancária

A concentração bancária é unânime entre os especialistas ao explicar os motivos que impactam no alto spread aplicado no Brasil. No país, cinco grande bancos são responsáveis pela maioria das operações de empréstimos e financiamentos. 

Nos mercado, quanto maior for a concorrência, mais possível é os preços dos serviços e produtos caírem. Por isso, a entrada de novos players no mercado, como bancos digitais e fintechs, contribuem nesse processo de desoneração  do crédito e queda do spread. 

4. Juros e inflação

Outro motivo para o Brasil ter um spread bancário tão elevado é porque ele acompanha a taxa básica de juros, a Selic, que por muito tempo também figurou entre as maiores do mundo. 

A Selic é a base para saber o quanto de rendimento o investidor terá. Mas qual a relação do spread bancário com a taxa Selic? Em linhas gerais, quanto menor for a taxa básica de juros do país, menos os bancos tendem a pagar pelos recursos que captam no mercado, uma vez que muitos investimentos pagam juros atrelados à Selic. Assim, se ela fica menor, aumenta a possibilidade das taxas do crédito caírem e também o spread

No entanto, para calcular o rendimento correto de um investimento é preciso descontar a inflação, que corresponde ao quanto o seu dinheiro se desvaloriza no mesmo período. Assim, de nada adianta seu dinheiro render 10%, se o preço das coisas crescerem 20%.

“Para entender a questão de juros no Brasil é necessário compreender que o dinheiro é como se fosse qualquer produto”, explica Felipe Guerra, da Messem Investimentos. “Você imagina que ao invés de comprar um produto à vista você vai comprá-lo e pagá-lo daqui a um ou dois anos. Ou seja, você está antecipando um consumo, a compra de algo que você não tem capacidade de pagar hoje”, diz.

“Você está antecipando receita, e se trata de uma receita incerta, você não tem certeza que terá aquele recurso ao longo dos próximos meses. Se tenho que emprestar dinheiro a primeira coisa que tem que levar em consideração é quanto que eu receberia de remuneração pelo meu dinheiro, já que estou abrindo mão do meu consumo hoje para emprestar para alguém”, explica. 

5. Carga tributária

Os elevados tributos no Brasil acabam também inflando o spread bancário nacional, uma vez que a concentração bancária possibilita que o banco repasse os custos dos impostos para quem precisa de crédito.

6. Crédito bancário

O Crédito Direcionado é o empréstimo fornecido por bancos públicos para pessoas físicas e jurídicas, com finalidades específicas. Eles englobam os empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o crédito rural e o financiamento habitacional.

Alguns especialistas afirmam que o elevado volume de créditos direcionados, principalmente, dos bancos públicos reduz o volume disponível para os investidores, que resulta em menos capital para as outras atividades, fazendo com que o preço dos juros se eleve.

Qual o impacto do spread bancário na vida das pessoas?

Segundo o economista Felipe Guerra, quanto maior a taxa de juros, maior é o incentivo das pessoas deixarem seu dinheiro parado numa aplicação financeira. E, por outro lado, quanto menor a taxa de juros, maior é o incentivo das pessoas para consumirem mais, produzirem mais, aumentarem suas empresas, contratarem mais pessoas. 

“Ou seja, quanto maior o spread bancário, menos as pessoas vão consumir, vão pegar crédito, vão comprar apartamento ou carro financiado, vão investir numa  empresa, vão contratar mais pessoas”, explica. “A redução do spread bancário é bem importante para que algumas atividades econômicas se tornem mais atrativas, além de impactar positivamente na vida das pessoas, reduzindo as dívidas que elas possuem ou, muitas vezes, facilitando uma renegociação dessas dívidas”.

O economista exemplifica relembrando o caso do cheque especial que, em 2015, tinha uma taxa de juros que chegou a bater 287% em um ano. Em 2020, caiu para 130% entre janeiro e fevereiro. “A taxa ainda é muito alta, mas a redução foi muito grande, então isso impacta positivamente na percepção que as pessoas possuem em utilizar essas ferramentas de antecipação de consumo ou até mesmo utilizá-las para aumentar a produção de sua empresa”. 

É possível diminuir o spread bancário?

Sim, existe a possibilidade de diminuir o spread bancário. Segundo o economista da Messem investimentos Felipe Guerra, abrir o mercado, reduzir o compulsório, gerar maior transparência no mercado de empréstimo, criar leis mais claras em relação aos devedores de liquidação de bens de garantias são alguns dos caminhos que podem contribuir para essa redução do spread. 

Como podemos ver, entender sobre o spread bancário é muito importante para quem quer cada vez mais ter um melhor controle de sua vida financeira e fazer escolhas saudáveis ao solicitar empréstimos ou financiamentos. 

E você, o que achou de saber mais sobre spread bancário? Ainda tem alguma dúvida a respeito do assunto? Compartilhe com a gente nos comentários.

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Elaine Ortiz

Escrito por Elaine Ortiz

Repórter do Portal Exponencial, com dez anos de experiência em redações de jornais e revistas. Acredita que informação de qualidade é capaz de fazer a diferença na vida das pessoas e que conhecimento financeiro tem tudo a ver com liberdade.

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