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O que são juros abusivos, como identificar e o que fazer?

Veja como identificar juros abusivos no financiamento de carro, no cartão de crédito e no empréstimo, calcule se a taxa que você paga está fora da curva e descubra o que fazer a respeito.

por Cibele Cardoso

Postado em 17 de setembro, 2026

O que são juros abusivos, como identificar e o que fazer?

Neste guia, você vai encontrar:

Juros abusivos são cobranças que criam um desequilíbrio entre o valor emprestado e o custo final pago pelo consumidor, ficando desproporcionais à modalidade de crédito contratada. Não é qualquer juro alto: é o juro que foge do razoável para aquele tipo de operação.

Essa distinção importa porque 69% dos brasileiros demonstram preocupação com juros altos, segundo pesquisa da Ipsos, mas nem todo juro alto é abusivo, e a diferença muda o que você pode fazer a respeito.

Neste conteúdo, você vai ver como identificar juros abusivos em financiamento de carro, cartão de crédito e empréstimo, como calcular se o que você paga está fora da curva, e o que fazer a partir daí: negociar, acionar o Procon, entrar com uma ação revisional ou trocar de instituição.

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O que são juros abusivos?

O abuso aparece quando o valor da dívida cresce muito acima do esperado para aquele tipo de crédito, não simplesmente porque a taxa é alta.

Na prática, o abuso vem acompanhado de falta de transparência, dificuldade de entendimento do contrato ou encargos pouco claros. Ou seja, nem todo juro alto é abusivo, mas todo juro abusivo gera impacto relevante no orçamento.

Um exemplo ajuda a visualizar isso na prática. Imagine um empréstimo pessoal em que a média de juros do mercado está acima de 8% ao mês, mas a instituição pratica uma taxa de 22% ao mês. A diferença expressiva em relação à média é um sinal de alerta e pode justificar uma análise mais cuidadosa do contrato, mas não caracteriza, por si só, juros abusivos. A abusividade depende das circunstâncias específicas da operação.

Juros altos e juros abusivos são a mesma coisa?

Não, juros altos e juros abusivos não são sinônimos. Algumas modalidades possuem taxas naturalmente mais elevadas devido ao risco envolvido.

Um empréstimo pessoal com juros de 8,23% ao mês pode ser considerado alto, mas não necessariamente abusivo, se essa taxa estiver dentro da média do mercado e claramente informada no contrato. Já uma cobrança de 12% ao mês para a mesma modalidade, sem explicação clara e muito acima da média praticada, pode ser um sinal de alerta, mas a caracterização de abuso depende da análise do caso concreto.

Leia também | Como calcular taxa de juros de empréstimo?

Como identificar juros abusivos na prática?

Identificar juros abusivos começa pela análise do Custo Efetivo Total (CET), que mostra quanto o crédito realmente custa. Não basta olhar apenas para a parcela mensal.

Em muitos casos, a prestação cabe no bolso, mas o valor final pago é significativamente maior do que o esperado. Por isso, antes de assinar, peça o CET junto com a proposta e compare com outras ofertas para a mesma modalidade.

É comum encontrar contratos com juros aparentemente baixos, mas CET elevado. Isso acontece quando há cobranças adicionais embutidas. Por isso, o ideal é sempre avaliar prazo, juros, encargos e impacto real no orçamento.

Não existe um teto geral de juros para todas as operações de crédito no Brasil. Algumas modalidades e determinados encargos têm limites específicos definidos em lei ou regulamentação. Veja o que diz a norma, por tipo de operação:

  • Juros de mora em contratos bancários: nos contratos não regidos por legislação específica, podem ser convencionados em até 1% ao mês, segundo o Tema Repetitivo 30 do STJ (julgado em fevereiro de 2023).
  • Cartão de crédito e parcelamento: pela Lei nº 14.690/2023 (em vigor desde 3 de janeiro de 2024), juros e encargos não podem superar 100% do valor da dívida original.
  • Juros remuneratórios das instituições financeiras em geral: não têm um teto fixo em lei. A média do Banco Central serve como referência para análise, não como limite jurídico. O STJ exige que a abusividade seja demonstrada a partir das circunstâncias concretas de cada contrato, não apenas pela comparação com a média [a validar: citação e data do acórdão do STJ sobre juros remuneratórios, se quiser referenciar uma decisão específica].

O Banco Central divulga mensalmente as taxas médias praticadas pelas instituições financeiras, e esses dados funcionam como referência inicial de comparação. Uma taxa muito acima da média da modalidade é um sinal de alerta que pode justificar uma análise mais aprofundada do contrato, mas não caracteriza abusividade por si só.

Saiba também | Qual banco tem menor taxa de juros para empréstimo em 2026?

Quais as modalidades com juros mais elevados?

As modalidades com juros mais elevados são aquelas contratadas sem garantia e com maior risco de inadimplência. O cartão de crédito rotativo é a mais cara de todas, seguido por linhas como empréstimo pessoal. Quanto mais simples o acesso ao crédito, maior tende a ser o custo.

Essas linhas costumam ser usadas em momentos de urgência, o que reduz a comparação entre as opções disponíveis. Por isso, aparecem com frequência entre as dívidas que se tornam mais difíceis de equilibrar ao longo do tempo.

Antes de contratar por urgência, confira se existe uma modalidade com taxa menor que resolva o mesmo problema, como o consignado ou o crédito com garantia. A Creditas não opera cartão de crédito nem cheque especial, mas crédito com garantia que você confere mais à frente neste conteúdo.

Comparativo de juros por modalidade

Comparativo de juros no mercado brasileiro
Modalidade Juros médios ao mês* Risco financeiro
Cartão de crédito rotativo 15% Alta chance de crescimento rápido da dívida
Cheque especial 8% Uso automático dificulta controle
Crédito pessoal 8,66% Impacto direto no orçamento mensal
Consignado privado (Creditas) A partir de 1,29% Menor custo, mas compromete renda futura
Empréstimo com garantia de veículo (Creditas) A partir de 1,49% Exige planejamento, mas reduz juros
Empréstimo com garantia de imóvel (Creditas) A partir de 1,09% + IPCA Exige planejamento, mas reduz juros

Fonte: Banco Central e Creditas. Taxas consultadas em setembro de 2026. As condições da Creditas estão sujeitas à análise de crédito.

Esse comparativo mostra como o tipo de crédito influencia diretamente o valor final pago. Uma dívida pequena pode crescer apenas pela escolha da modalidade.

Juros abusivos no financiamento de carro: como identificar?

Se você desconfia que o juro do financiamento do seu carro está fora da curva, o primeiro passo é comparar a taxa contratada com a média divulgada pelo Banco Central para financiamento de veículos, não só o valor da parcela. Pedir o contrato e o demonstrativo de CET à instituição financeira é um direito seu, a qualquer momento.

Alguns sinais costumam aparecer junto com juros abusivos em financiamento de carro:

  • Venda casada de seguro ou outros produtos como condição para aprovar o crédito;
  • Tarifas de abertura de crédito (TAC) embutidas sem explicação clara;
  • Taxa de juros muito acima da média do segmento, sem justificativa de risco.

Se a taxa estiver muito acima da média, uma alternativa é avaliar a renegociação, a portabilidade ou outras modalidades com custo menor, como o refinanciamento do veículo. É o caso do empréstimo com garantia de veículo da Creditas, em que o próprio carro que já é seu serve de garantia para uma nova operação com taxas menores.

Como calcular se os juros do meu financiamento são abusivos

Calcular se os juros do seu financiamento são abusivos passa por três passos: comparar a taxa contratada, olhar o CET (não só a taxa nominal) e projetar a diferença de custo até o fim do contrato.

  • Identifique a taxa de juros que está no seu contrato e compare com a taxa média que o Banco Central divulga mensalmente para a mesma modalidade de crédito.
  • Confira o CET: ele soma juros, tarifas, seguros e impostos, e é o número que mostra o custo real da operação, não só o juro isolado.
  • Projete essa diferença no tempo, calculando o total pago do início ao fim do contrato nas duas taxas.

Exemplo prático:

Você tem um financiamento de R$ 30 mil pago em 48 parcelas, a diferença entre pagar uma taxa de 1,5% ao mês e uma taxa de 4% ao mês, ambas apenas para ilustrar a conta, ultrapassa R$ 25 mil a mais em juros ao longo do contrato. Esse acúmulo no tempo, mais do que o valor da parcela isolada, é o que precisa entrar na sua conta.

Juros abusivos no cartão de crédito e no rotativo

O rotativo do cartão de crédito é hoje a modalidade de crédito mais cara do mercado brasileiro, com taxa média de 14,2% ao mês segundo o Banco Central, bem acima do crédito pessoal (8,23%) e do cheque especial (8%). Isso não significa abusividade: mostra apenas que o rotativo está entre as modalidades de crédito de maior custo e exige atenção especial ao orçamento.

Pela Lei nº 14.690/2023 (em vigor desde 3 de janeiro de 2024), os juros e encargos de cartão de crédito e parcelamento não podem superar 100% do valor da dívida original. Se você está usando o crédito rotativo e a dívida já dobrou de tamanho, verifique se os juros e encargos respeitam o limite estabelecido pela legislação, conferindo a fatura com atenção.

A Creditas não opera cartão de crédito nem rotativo. Se o problema é o rotativo, duas saídas costumam ser mais baratas do que continuar rolando a dívida no cartão: negociar diretamente com o banco a migração para um parcelamento com juros menores, ou buscar uma modalidade de crédito com taxa mais baixa para quitar o cartão, como o consignado ou o empréstimo com garantia da Creditas, que você confere mais à frente neste conteúdo.

O que fazer diante de juros abusivos? Procon e ação revisional

Diante de juros que parecem abusivos, existem dois caminhos principais: reclamar no Procon, uma via administrativa, e entrar com uma ação revisional, uma via judicial. Eles não são excludentes.

O Procon recebe reclamações de consumidores e pode notificar a instituição financeira para que ela se manifeste sobre a cobrança, funcionando como uma mediação. Já a ação revisional é um pedido feito à Justiça para que as cláusulas de juros de um contrato sejam revisadas, com base no argumento de que a cobrança foge do razoável para aquela modalidade.

Antes de entrar com uma ação revisional, considere que o processo judicial costuma levar meses e não garante um resultado favorável automaticamente. Cada caso é avaliado individualmente pela Justiça. Negociar diretamente com a instituição ou avaliar a portabilidade pode ser uma alternativa antes de recorrer à via judicial. Caso a negociação não resolva a situação, o consumidor também pode buscar orientação jurídica para avaliar as medidas cabíveis.

Saiba mais | Dívida com banco: aprenda a negociar a dívida e quitar seu débito

Quais as alternativas para quitar contrato com juros abusivos?

O empréstimo com garantia é a forma mais barata de pegar crédito no país, e existem diversas formas de colocar um bem como garantia de uma operação. 

Com menos risco de inadimplência, as instituições financeiras que oferecem essa modalidade podem reduzir as taxas para emprestar dinheiro. As modalidades mais comuns são: 

Empréstimo com garantia de veículo: você oferece seu automóvel como garantia e pode ter juros menores, em comparação a outras opções, como crédito pessoal.

Empréstimo com garantia de imóvel: é possível usar casa ou até terrenos, o que pode permitir taxas menores e prazos mais longos do que em modalidades sem garantia.

Empréstimo consignado: com desconto direto na folha de pagamento, ele diminui os riscos da operação e proporciona taxas de juros ainda menores.

Cada opção exige análise cuidadosa de taxa, prazo e impacto no orçamento. Abaixo, conheça as condições para solicitar empréstimo na Creditas.

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Garantia de veículo
Crédito de R$ 5 mil a R$ 150 mil
Taxa a partir de: 1,49% ao mês

Garantia de imóvel
Crédito de R$ 50 mil a R$ 3 milhões
Juros a partir de 1,09% ao mês + IPCA

Consignado Privado
Crédito de R$ 500 a R$ 70 mil
Juros a partir de 1,29% ao mês

Como evitar cair em juros abusivos?

Evitar juros abusivos começa antes da contratação do crédito. Por isso, antes de contratar, compare quanto será pago no total, e não apenas se a parcela cabe no orçamento.

Comparar propostas, entender o custo total e avaliar o impacto no orçamento ajudam a reduzir riscos no médio e longo prazo. Muitas vezes, o problema não está apenas na taxa, mas na combinação entre prazo longo, parcelas pequenas e pouca clareza sobre o valor final.

  •  Priorizar crédito com taxas menores quando necessário
  • Evitar parcelamentos longos sem planejamento
  • Revisar contratos e gastos com frequência
  • Comparar a taxa com a média divulgada pelo Banco Central

Essas atitudes não eliminam totalmente o custo do crédito, mas ajudam a manter as decisões mais conscientes e sustentáveis ao longo do tempo.

Saiba mais | Como funciona empréstimo com garantia? Veja mitos e verdades!

Perguntas frequentes

Entenda como identificar juros abusivos, a relevância do CET, os caminhos jurídicos e operacionais para a redução de custos e os riscos do atraso em 2026.

Como saber se estou pagando juros abusivos no meu contrato?
Para identificar eventual abusividade, compare a taxa de juros do seu contrato com a taxa média de mercado divulgada mensalmente pelo Banco Central do Brasil para a mesma modalidade de crédito na época da contratação. Além disso, avalie o Custo Efetivo Total (CET) da operação. Quando a taxa contratada supera excessivamente a média de mercado sem justificativa razoável baseada no perfil de risco do tomador, a cobrança pode ser questionada judicial ou administrativamente.
Cobrar juros abusivos é considerado crime no Brasil?
Não. A cobrança de juros em patamares desproporcionais não é tipificada como crime penal na esfera bancária privada, tratando-se de uma controvérsia de natureza cível e contratual. A revisão de cláusulas abusivas deve ser buscada por meio de reclamações nos órgãos de defesa do consumidor (como o Procon), notificação à ouvidoria do banco, denúncia ao Banco Central ou mediante ação revisional de contrato no Poder Judiciário.
O CET é mais importante do que a taxa de juros nominal?
Sim. A taxa de juros nominal representa apenas uma parte do custo financeiro. O CET é o indicador percentual que consolida a totalidade dos encargos da operação: juros nominais, impostos federais (IOF), tarifas administrativas de cadastro, seguros e despesas cartorárias. O CET é a única métrica idônea para mensurar e comparar o custo real de contratos de crédito.
Posso renegociar uma dívida que possui juros muito altos?
Sim. O consumidor pode buscar a repactuação direta junto à instituição credora com foco na redução da taxa de juros, alongamento de prazo ou obtenção de abatimentos no saldo devedor. Caso a instituição de origem não ofereça condições competitivas, o tomador tem o direito de solicitar a portabilidade de crédito para outro banco que apresente uma proposta com CET menor.
A portabilidade de crédito realmente reduz os juros da dívida?
Sim, desde que efetuada com análise criteriosa. A portabilidade garante a transferência do saldo devedor para uma nova instituição sem cobrança de tarifas de migração. Contudo, a vantagem financeira real só se confirma se o CET da nova proposta for comprovadamente inferior ao do contrato atual. Uma taxa nominal aparentemente menor pode ser anulada pela inclusão de novos seguros ou encargos agregados.
Esperar a dívida diminuir com o passar do tempo funciona?
Não. Deixar um débito sem liquidação sob a expectativa de que o montante reduza naturalmente é um equívoco técnico. Em situação de inadimplência, ocorrem sobre o saldo devedor juros de mora, multa contratual e correção monetária diária, o que faz a dívida crescer exponencialmente no curto e médio prazo. A atitude mais recomendada é buscar a repactuação formal ou a troca do débito por uma linha de crédito mais barata o quanto antes.

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