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Ao considerar usar um imóvel ainda financiado como garantia de crédito, a dúvida mais comum é: isso é permitido? Entenda como funciona, quanto é possível obter e quais bancos operam essa modalidade.
por Cibele Cardoso
Postado em 17 de junho, 2026
Neste guia, você vai encontrar:
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Sim, em muitos casos é possível usar um imóvel ainda financiado como garantia para contratar crédito. O valor disponível depende do patrimônio já acumulado no imóvel e das regras de cada instituição financeira.
O empréstimo com garantia de imóvel financiado é uma modalidade que ganhou escala no Brasil após a aprovação do Marco Legal das Garantias. Existem algumas particularidades desse modelo de crédito que precisam ser levadas em consideração.
Este artigo explica como o mecanismo funciona, como calcular o crédito disponível, quais bancos aceitam, o que muda para negativados e os riscos que valem atenção.
Sim. Desde 2023, o Marco Legal das Garantias (Lei nº 14.711/2023) ampliou as possibilidades de utilização de imóveis como garantia em operações de crédito, inclusive em situações envolvendo imóveis financiados.
Na prática, o financiamento continua existindo normalmente. O que muda é que a parte do imóvel que já pertence efetivamente ao proprietário pode servir como garantia para uma nova operação de crédito, observadas as regras legais e a política da instituição financeira.
O fator mais importante nessa análise é o equity, que representa a diferença entre o valor atual do imóvel e o saldo que ainda falta pagar do financiamento.
Condições para que o imóvel seja aceito:
Em resumo
O crédito liberado depende do LTV (loan-to-value), que representa a relação entre o crédito e o valor do imóvel. A maioria das instituições trabalha com um percentual máximo sobre o valor de avaliação do bem.
Quando o imóvel ainda está financiado, o saldo devedor é descontado desse limite.
A fórmula é:
Crédito disponível ≈ (percentual máximo de LTV adotado pela instituição × valor de avaliação do imóvel) − saldo devedor do financiamento
Confira alguns fatores que são capazes de influenciar no valor liberado pela instituição financeira:
Capacidade de pagamento → a instituição avalia se a parcela cabe no orçamento do solicitante. Em muitas operações, o comprometimento da renda não pode ultrapassar determinado percentual da renda mensal.
LTV da instituição → cada instituição define o percentual máximo que pode ser emprestado em relação ao valor do imóvel. Em imóveis financiados, esse limite pode ser mais conservador.
Tipo do imóvel → imóveis residenciais costumam ter maior aceitação do que imóveis comerciais, terrenos ou imóveis rurais, o que pode influenciar diretamente o valor aprovado.
Prazo → embora não altere diretamente o valor liberado, prazos mais longos reduzem o valor da parcela e podem facilitar a aprovação da operação.
Em alguns casos, sim. A garantia real, ou seja o imóvel, reduz o risco para a instituição e pode viabilizar a operação mesmo com restrição no CPF.
Mas as condições variam:
Bancos tradicionais tendem a ser mais restritivos para negativados. Algumas instituições podem aceitar perfis que não seriam aprovados em outras, desde que o financiamento esteja em dia e a garantia seja considerada suficiente para a operação.
A dívida em aberto não pode ser com o próprio banco onde está o financiamento. Parcelas do financiamento em dia são um critério central; atrasos ativos geralmente inviabilizam a operação.
Quando aprovado para negativados, o crédito costuma vir com taxa de juros acima da média da modalidade.
Saiba mais | Como conseguir empréstimo negativado? Saiba o que avaliar
Simular em mais de uma instituição antes de formalizar a proposta é a forma mais prática de comparar as condições reais disponíveis para o perfil.
O processo tem mais etapas do que um empréstimo pessoal, mas cada uma é previsível.
O fluxo típico:
Calcule o saldo devedor do financiamento e compare com o percentual máximo de LTV utilizado pela instituição. Se o resultado for positivo, há margem para o empréstimo.
Considere se o banco exige que o financiamento esteja com ele. Compare taxas, prazos e o Custo Efetivo Total (CET).
A maioria dos bancos permite simular antes de formalizar a proposta.
O banco avalia renda, histórico de pagamento e capacidade de comprometimento mensal.
Um perito credenciado visita o imóvel e define o valor de mercado atual. Esse custo pode ser cobrado antecipadamente.
Feita em cartório ou por meio digital, com registro da garantia da operação conforme a estrutura jurídica aplicável ao contrato.
Após o registro em cartório, o valor é creditado na conta. O prazo médio é de 15 a 30 dias após a aprovação.
Abaixo, confira uma lista inicial de documentos que podem ser solicitados:
A Creditas opera a modalidade de empréstimo com garantia e analisa imóveis financiados caso a caso. O processo é digital, com avaliação do imóvel feita por peritos credenciados e acompanhamento por especialistas em cada etapa, da simulação ao registro em cartório.
Esse processo começa com uma simulação online, sem compromisso. Após a proposta, a Creditas solicita a documentação do imóvel e do solicitante, encaminha a avaliação presencial do bem e, com o contrato assinado, registra a garantia da operação em cartório. A liberação do crédito ocorre após o registro.
Na Creditas, as taxas dessa modalidade estão entre as mais baixas do mercado, mas como citado, as propostas são avaliadas caso a caso. Abaixo, confira as taxas praticadas:
| Instituição | Modalidade | Taxa de juros (%) ao mês |
|---|---|---|
| Creditas | Empréstimo com garantia de imóvel | 1,09% + IPCA |
| Creditas | Empréstimo com garantia de veículo | 1,49% |
Vale lembrar que as operações com garantia de imóvel costumam apresentar juros menores do que modalidades sem garantia, como o crédito pessoal. As condições variam conforme o perfil do cliente, o imóvel oferecido e a política de crédito da instituição.

O principal risco é a perda do imóvel em caso de inadimplência. Como a garantia dá ao credor o direito de executar o bem conforme os procedimentos previstos em lei e contrato, o não pagamento pode levar aos procedimentos legais de execução da garantia, incluindo a venda do imóvel conforme a legislação aplicável.
Imagine um imóvel avaliado em R$ 500 mil com saldo devedor de R$ 200 mil no financiamento.
Se o proprietário contratar um empréstimo utilizando a margem disponível e tiver dificuldade para manter tanto as parcelas do financiamento quanto as do novo crédito, o risco financeiro aumenta. Por isso, é importante avaliar se as duas obrigações cabem no orçamento ao longo de todo o contrato.
Outros pontos que merecem atenção especial:
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