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Entenda quando trocar uma dívida cara por um crédito mais barato compensa, como fazer essa conta e quando a estratégia pode virar uma armadilha financeira.
por Cibele Cardoso
Atualizado em 29 de julho, 2026
Neste guia, você vai encontrar:
Atualmente, 82,8 milhões de brasileiros estão inadimplentes, segundo estudo divulgado pelo Serasa. Para algumas pessoas, trocar uma dívida por um novo crédito parece, à primeira vista, apenas adiar o pagamento, mas essa não é a lógica da consolidação de dívidas: o objetivo é substituir um juro alto por um mais baixo.
A prática vai além do cartão por empréstimo pessoal: pode envolver consignado, crédito com garantia de veículo ou de imóvel e até o FGTS. O que define se a troca compensa não é a taxa anunciada, mas a comparação entre o CET do novo crédito, o custo real da dívida atual e a parcela que cabe no orçamento.
Este artigo explica como fazer essa conta, quando evitar a consolidação e modalidades, incluindo alternativas do governo, funcionam melhor para cada perfil.
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Pegar empréstimo para pagar dívidas é usar um novo crédito para quitar outras dívidas, geralmente com o objetivo de reduzir a taxa de juros paga atualmente. O nome técnico dessa prática é consolidação de dívidas.
Esse movimento costuma fazer sentido porque boa parte das dívidas está concentrada nas modalidades mais caras do mercado: segundo o Banco Central, o rotativo do cartão passa de 14% ao mês em média, e o cheque especial gira em torno de 8%. Em março de 2026, 82,8 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, segundo o Serasa, principalmente por cartão, empréstimos e cheque especial.
A consolidação existe para substituir esses juros altos por modalidades mais baratas. Quando a diferença entre as taxas é grande, a troca pode gerar economia real; quando é pequena, ela só posterga o pagamento sem reduzir o custo.
A troca funciona quando o novo empréstimo tem um CET (Custo Efetivo Total) menor do que a taxa efetiva das dívidas atuais. O Banco Central obriga as instituições financeiras a informar o CET antes da contratação, o que permite essa comparação direta.
Se uma pessoa paga 14% ao mês no rotativo do cartão e consegue um empréstimo com CET de 4% ao mês, parte do valor que antes era consumido pelos juros passa a reduzir o saldo devedor, e não só cobrir o custo do crédito.
Imagine uma dívida de R$ 5 mil no rotativo do cartão, sem pagamento relevante durante seis meses. Em juros compostos de 14% ao mês, o saldo cresceria para mais de R$ 11 mil, mas a Lei nº 14.690/2023 limita o total de juros e encargos do rotativo a 100% do valor original da dívida: na prática, esse saldo fica travado em R$ 10 mil. Mesmo com o teto, o rotativo continua entre as modalidades mais caras do mercado.
O mesmo valor em um empréstimo pessoal a 4% ao mês chegaria a cerca de R$ 6,3 mil no mesmo período. A diferença entre os dois cenários é o que faz a consolidação funcionar nessas condições.
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Para saber se compensa, compare três números: a taxa mensal real da dívida atual, o CET do novo empréstimo e o valor da parcela mensal que ele vai exigir.
No cartão, a informação aparece na fatura como juros do crédito rotativo. Em empréstimos já contratados, o CET fica nas informações obrigatórias do contrato. Com mais de uma dívida, vale calcular uma média ponderada pelo peso de cada saldo.
O novo crédito só tende a fazer sentido quando o CET é menor do que o custo efetivo das dívidas atuais. Ofertas com CET igual ou maior não resolvem o desafio, apenas trocam o credor.
Mesmo com taxa menor, o empréstimo pode virar um novo desafio se a parcela não couber no orçamento. A regra mais usada em educação financeira, embora não seja norma do Banco Central, é limitar o comprometimento a até 30% da renda líquida mensal.
Para Gui Casagrande, educador financeiro da Creditas, o empréstimo para pagar dívida pode ajudar a consolidar débitos com juros altos, mas exige avaliar se as parcelas cabem no orçamento. Antes de decidir, vale negociar direto com os credores ou comparar alternativas com juros mais baixos, como crédito com garantia ou consignado.
Veja como as principais modalidades se comparam. As taxas da Creditas são condições mínimas divulgadas pela empresa; as demais são médias de mercado:
| Modalidade de crédito | Taxa de juros ao mês (%) |
|---|---|
| Empréstimo com garantia de imóvel (Creditas) | A partir de 1,09% + IPCA |
| Empréstimo com garantia de veículo (Creditas) | A partir de 1,49% |
| Consignado privado (Creditas) | A partir de 1,49% |
| Empréstimo pessoal* | 8,5% |
| Cheque especial* | 8% |
| Consignado privado** | 3,4% |
| Consignado público** | 2,2% |
| Consignado INSS** | 1,8% |
| Rotativo do cartão de crédito** | 14,7% |
Fonte: Procon e Banco Central. As taxas fornecidas diretamente pela Creditas são válidas em julho de 2026.
O empréstimo para pagar dívidas vira armadilha quando a causa do endividamento não muda. Quitar o cartão com um empréstimo pessoal e continuar usando o cartão do mesmo jeito costuma gerar duas dívidas em vez de uma.
A dívida normalmente é consequência de:
Se isso continuar acontecendo, o novo empréstimo só adia o desafio.
Se o orçamento já está no limite, uma parcela fixa pode pesar mais do que o pagamento mínimo do cartão, que é variável e cai conforme o saldo diminui. Um empréstimo mal dimensionado gera inadimplência no novo crédito, o que pode resultar em negativação e custo maior para regularizar a situação. É por isso que existe o mesmo limite de 30% de comprometimento de renda.
Pessoas negativadas ou sem garantia costumam receber propostas com CET elevado, e nesses casos a troca pode piorar a situação financeira. Quando o custo do novo crédito é maior do que o da dívida original, faz mais sentido tentar a renegociação direta ou participar de mutirões e acordos com os bancos.
Renegociar significa ajustar direto com quem já é credor: desconto, juros menores ou prazo maior, sem abrir uma operação nova. Pegar um empréstimo troca o credor e reinicia o contrato com outro CET.
A renegociação costuma vir primeiro quando o credor aceita reduzir a taxa ou dar desconto. O novo empréstimo faz mais sentido quando existe uma modalidade com CET claramente menor, como consignado ou crédito com garantia, e o credor atual não cede.
Na prática, vale comparar o valor final de cada caminho e escolher o mais barato no prazo total.
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Estar negativado não impede necessariamente a contratação, mas reduz as opções: algumas instituições aceitam propostas de quem está negativado quando existe um bem envolvido, como carro, imóvel ou margem consignável, já que a garantia reduz o custo do crédito.
Sem garantia, o CET oferecido tende a ser bem mais alto do que o de quem tem o nome limpo. Se esse CET for maior do que o custo da dívida atual, a troca piora a situação em vez de resolver, e a renegociação direta com o credor costuma ser o primeiro caminho a testar.
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Sim, mas de forma temporária. O Novo Desenrola Brasil, instituído pela Medida Provisória nº 1.355/2026 em maio de 2026, permite usar até 20% do saldo do FGTS (ou R$ 1 mil, o que for maior) para abater dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos, contratadas até 31 de janeiro de 2026, pela Caixa, para quem ganha até cinco salários mínimos. Por ser medida provisória, o programa depende de conversão em lei pelo Congresso para continuar valendo; vale confirmar a vigência antes de contar com ele.
Também existe o Crédito do Trabalhador, da Lei nº 15.179/2025, linha de consignado privado que permite usar até 10% do saldo do FGTS como garantia, ou até 100% da multa rescisória, com limite de comprometimento de até 35% do salário. Vale comparar o CET dessa linha com o das outras modalidades da tabela, já que usar o FGTS tem custo de oportunidade: o dinheiro sai de uma reserva que renderia em caso de demissão.
O empréstimo que funciona para quitar dívidas é aquele com CET menor do que a dívida atual e parcela que cabe no orçamento. As opções vão do consignado privado, para quem é CLT, ao crédito com garantia de imóvel, para quem tem um imóvel quitado ou parcialmente financiado.
O consignado privado costuma ter uma das menores taxas para trabalhadores CLT porque o desconto ocorre direto na folha de pagamento, o que dá mais segurança de recebimento à instituição financeira e permite juros menores. O perfil mais comum é de quem tem renda estável e dívidas concentradas em cartão ou cheque especial.
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Para quem tem carro quitado, o empréstimo com garantia de veículo costuma ter taxas menores do que o empréstimo pessoal sem garantia, e o carro continua com o proprietário durante o contrato. Os prazos costumam variar de 18 a 60 meses e taxa de juros a partir de 1,49%. Essa opção funciona bem para autônomos ou pessoas CLT com veículo quitado e sem imóvel para dar em garantia.
Para dívidas mais altas, quando o valor não cabe no consignado nem no crédito com garantia de veículo, o crédito com garantia de imóvel pode reduzir bastante o custo financeiro. Na Creditas, as taxas partem de 1,09% ao mês mais IPCA, com prazo de até 240 meses.
Em caso de inadimplência persistente, a lei prevê um rito de retomada extrajudicial do imóvel, sem passar por penhora judicial, por isso essa modalidade exige uma análise cuidadosa da capacidade de pagamento antes da contratação.
Quem quiser entender melhor as condições pode simular o empréstimo com garantia de imóvel da Creditas.

Fazer um empréstimo para pagar a dívida do cartão de crédito pode valer a pena, já que os juros do cartão são muito altos, passando de 400% ao ano. Trocar essa dívida cara por outra com juros menores ajuda a economizar e facilita quitar o débito à vista, o que pode render descontos com a operadora.
Mas é preciso cuidado. Antes de contratar, confira se as parcelas cabem no seu orçamento e compare o custo total do empréstimo. Sem controle, há o risco de contrair novas dívidas e agravar a situação financeira.
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