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Controle Financeiro

Previdência ou ações? Como escolher a melhor opção para se aposentar

Com a aprovação da reforma da Previdência, 30% dos brasileiros passaram a poupar. Saiba o que é mais vantajoso para garantir a aposentadoria sem depender do governo

por Elaine Ortiz

Atualizado em 11 de fevereiro, 2021

Economizar e investir está cada vez mais se tornando hábito do brasileiro. É o que constatou o Ibope Inteligência, em pesquisa encomendada pelo C6 Bank com mais de 2 mil pessoas das classes A,B e C das cinco regiões do país. Segundo os dados, um terço dos cidadãos mudaram de comportamento e passaram a guardar dinheiro com regularidade após a reforma da Previdência ser promulgada pelo Congresso, em novembro. Agora, a dúvida que surge é sobre como investir esse dinheiro poupado, previdência privada ou fundo de investimento?

Com as novas normas para a aposentadoria, como fixação de idade mínima para se aposentar (65 anos para homens e 62 anos para mulheres), regras de transição para o trabalhador ativo e média dos salários recebidos para o cálculo do benefício, boa parte da população sentiu a necessidade de procurar meios próprios para garantir a aposentadoria, independentemente das decisões do governo. 

Segundo a pesquisa, 33% agora guardam dinheiro com regularidade, 26% continuam a investir como sempre fizeram, 31% ainda não fizeram nada pensando na reforma da previdência e 10% declararam que não têm o hábito de investir e que não conseguirão poupar dinheiro nos próximos anos.

Poupar e investir

É muito positivo que a necessidade de poupar mensalmente parte dos recursos financeiros com foco no futuro tenha ganhado evidência. Esse é o primeiro passo para quem quer organizar as finanças e viver a velhice com tranquilidade. No entanto, poupar não é suficiente: é preciso investir o dinheiro. E mais: escolher o melhor e mais rentável investimento a longo prazo. 

Além de averiguar sobre o hábito de poupar, o estudo do Ibope também questionou a população quanto os investimentos. A constatação é que a  poupança é ainda hoje o produto mais difundido entre os brasileiros, com 48% dos pesquisados dizendo que sabem bem sobre ela. Entre os produtos menos conhecidos estão a bolsa de valores e fundos imobiliários, com apenas 16% afirmando que têm bom conhecimento. Em fundos de renda fixa e previdência, o percentual daqueles que afirmam que entendem bem sobre o assunto é de 28% e 27%, respectivamente.

Com a queda na taxa Selic, que passou a registrar novo piso histórico de 4,5%, as opções de renda fixa perdem cada vez mais espaço - ou pelo menos deveriam perder, afinal, 32% do total das aplicações brasileiras ficarão abaixo da inflação projetada para os próximos 12 meses. Ou seja, aplicações tradicionais como a caderneta de poupança, os fundos de renda fixa atrelados à taxa DI, que acompanha de perto a taxa Selic (Fundos DI), e os títulos de Tesouro Direto indexados pela Selic (Tesouro Selic) não serão capazes de proteger o investimento do brasileiro da perdas inflacionárias. 

Deve ser por isso que a Bolsa de Valores de São Paulo registrou um novo recorde em novembro e chegou a 1,5 milhão de pessoas físicas investindo em ações, depois de ter fechado 2018 na casa dos 800 mil. 

Leia mais: Recorde na Bolsa: como vencer o medo e começar a investir?

Previdência privada ou fundo de investimento?

O Portal Exponencial pediu ajuda do educador financeiro da Messem Investimentos, Leandro Benincá, para compreender qual opção pode ser mais rentável para quem quer se aposentar em 40 anos. Previdência privada ou fundo de investimento?

Utilizando uma calculadora de juros compostos, Benincá mostrou o seguinte cenário:

Simulação 1: Fundos de investimento

*O mercado de ações cresceu 12% ao ano nos últimos 20 anos. Ainda assim, foi utilizada a taxa de 10% ao ano, “mais conservadora”

Segundo Benincá, um dos pontos positivos de investir em ações é o fator “inflação”. “A inflação já está corrigida para quem está dentro do balanço das empresas porque, na verdade, o preço que a empresa pratica  em seus produtos é que puxa a inflação”, explica. Ainda assim, quem quiser corrigir a inflação é só corrigir também os aportes. “Vamos supor que a gente teve uma inflação 5%, é só aumentar seus aportes em 5% ao ano. Ou seja, se no primeiro ano você colocou R$ 200 reais por mês, no próximo ano, para compensar a inflação, você deve colocar R$ 210 reais por mês”.

Simulação 2: Previdência Privada

Benincá explica que para previdência privada é possível fazer inúmeros cálculos diferentes. “Os fundos de previdência vão desde fundos de renda fixa, que rende só a Selic (hoje seria um rendimento real de 2% ao ano por conta do desconto da inflação), até fundos de ações, que tem uma variedade de possibilidades, mas a média dos últimos anos é de 8 a 9 % de rendimento (que daria um líquido de 5 a 6% ao ano de rendimento real)”. 

A conclusão do educador financeiro é diversificação. “Esse é o melhor dos mundos, montar uma carteira onde você tenha parte do seu dinheiro aproveitando o mercado de ações, que tem mais volatilidade, tem mais chances de você ganhar mais dinheiro, mas também aproveitando a segurança de fundos, a segurança de renda fixa, para você se segurar um pouco mais em momentos de crise e poder surfar as melhores ondas”. 

Leia mais: Previdência privada vale a pena? Confira dicas para a aposentadoria

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