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O que é hipoteca: entenda como funciona a hipoteca de imóvel no Brasil

A hipoteca é utilização do imóvel para conseguir um empréstimo com juros baixos a longo prazo. Entenda como ela funciona e para que serve.

por Cibele Cardoso

Atualizado em 16 de abril, 2026

O que é hipoteca: entenda como funciona a hipoteca de imóvel no Brasil

A palavra "hipoteca" aparece em filmes americanos, em contratos de décadas atrás e, às vezes, no título do imóvel herdado dos pais. Para muita gente, ela soa complexa, quase um sinônimo de perder a casa. Mas o que é hipoteca, afinal? E ela existe no Brasil?

A resposta é sim: a hipoteca ainda está no Código Civil brasileiro. O que mudou, nas últimas décadas, é que o mercado de crédito praticamente deixou de utilizá-la. Entender por quê ajuda a compreender como funciona o crédito imobiliário atual e o que esperar ao usar seu imóvel como garantia.

Este artigo explica o conceito, os tipos de hipoteca previstos em lei, a diferença para a alienação fiduciária e quando faz sentido avaliar o imóvel como garantia de crédito hoje.

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Neste guia, você vai encontrar:

O que é hipoteca?

Hipoteca é um direito real de garantia pelo qual um imóvel responde por uma dívida sem que o proprietário perca a posse do bem. O devedor continua morando ou usando o imóvel normalmente, mas o credor tem um direito inscrito na matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis. Esse registro tem validade jurídica perante terceiros.

Na prática, o mecanismo funciona assim: enquanto a dívida estiver sendo paga, nada muda no uso cotidiano do bem. Se o devedor parar de pagar, o credor pode acionar a justiça para executar a hipoteca. O processo é judicial, pode levar anos, e ao final o imóvel pode ir a leilão para quitar a dívida.

A hipoteca está regulamentada nos artigos 1.473 a 1.505 do Código Civil. Conforme o artigo 1.485, o prazo máximo de uma hipoteca convencional é de 30 anos, podendo ser prorrogado.

Mas se hipoteca existe na lei, por que você quase nunca ouve falar dela em contratos de crédito hoje no Brasil?

Quais são os tipos de hipoteca que existem no Brasil?

O Código Civil brasileiro prevê três tipos principais de hipoteca: convencional, legal e judiciária. Cada uma tem origem diferente e opera em contextos distintos. Há ainda uma modalidade mais específica, a cedular, criada para o mercado habitacional.

Hipoteca convencional

A hipoteca convencional nasce de um contrato entre as partes. Devedor e credor chegam a um acordo e formalizam a garantia por escritura pública, ou por instrumento particular quando o valor do imóvel é inferior a 30 salários mínimos ou o contrato se enquadra nas regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

É o tipo historicamente mais comum. Em contratos de financiamento habitacional mais antigos, celebrados antes da popularização da alienação fiduciária, a hipoteca convencional aparecia com frequência. Hoje, raramente é escolhida em novas operações de crédito com bancos ou fintechs.

Hipoteca judiciária

A hipoteca judiciária não nasce de contrato. Ela decorre de sentença condenatória: quando um devedor perde uma ação judicial e o juiz reconhece que seu imóvel responde pela dívida definida na decisão. O credor, nesse caso, não é uma instituição financeira, mas a parte vencedora do processo.

Hipoteca legal

A hipoteca legal é determinada diretamente pela lei, sem depender de contrato ou sentença. O artigo 1.489 do Código Civil lista as situações em que ela se aplica para proteger obrigações específicas.

Um exemplo: filhos têm hipoteca legal sobre imóveis do pai ou da mãe que se casa novamente antes de concluir o inventário do cônjuge falecido.

Hipoteca cedular

A hipoteca cedular foi criada pelo Decreto-Lei 70/1966, vinculada ao Sistema Financeiro da Habitação. A cédula hipotecária representa o crédito garantido pelo imóvel na forma de um título negociável, podendo ser endossado como um título de crédito, o que facilitava a circulação do crédito entre instituições.

Pouco usada atualmente, ela pode aparecer em contratos de financiamento habitacional mais antigos ou em operações estruturadas fora do mercado bancário convencional.

Como funciona a execução da hipoteca se a dívida não for paga?

Se o devedor não pagar a dívida garantida por hipoteca, o credor precisa entrar com ação judicial para executar a garantia. O processo pode levar anos até a conclusão.

O caminho usual é este: o credor notifica o devedor, ajuíza uma ação de execução hipotecária, obtém a penhora do imóvel e, após decisão judicial, o bem pode ir a leilão. Em cada etapa há prazos legais, possibilidade de recursos e custos processuais.

A morosidade desse rito judicial foi, historicamente, um dos principais motivos que levaram o mercado de crédito a buscar uma alternativa mais ágil.

Essa alternativa foi a alienação fiduciária de imóveis, criada pela Lei 9.514/1997. Na alienação fiduciária, a retomada do bem em caso de inadimplência pode ser feita extrajudicialmente, seguindo um procedimento cartorial muito mais rápido.

Essa diferença prática é central para entender por que a hipoteca foi praticamente abandonada nos novos contratos de crédito.

O risco de perder o imóvel existe nos dois instrumentos, mas é consequência da inadimplência, não um cenário automático ou imediato. Quem paga a dívida em dia não tem motivo para preocupação.

Qual a diferença entre hipoteca e alienação fiduciária?

A diferença central está em quem detém a propriedade durante a vigência da dívida. Na hipoteca, o devedor mantém a propriedade plena do imóvel e apenas oferece o bem como garantia ao credor. Na alienação fiduciária, o devedor transfere a propriedade ao credor e só a recupera integralmente após quitar a dívida.

Característica Hipoteca Alienação Fiduciária
Quem detém a propriedade Devedor Credor (até a quitação)
Base legal Código Civil (arts. 1.473–1.505) Lei 9.514/1997
Execução em caso de inadimplência Judicial (processo mais lento) Extrajudicial (mais ágil)
Uso no mercado atual Raro Predominante
Possibilidade de segundo grau Sim (mesmo imóvel pode ter hipoteca em 2º grau) Não permitido

A lei 9.514/1997 foi um divisor de águas no mercado imobiliário brasileiro. Ao criar a alienação fiduciária de imóveis, ela deu às instituições financeiras mais segurança jurídica e agilidade para recuperar o bem em caso de inadimplência. A partir daí, os bancos praticamente deixaram de usar a hipoteca em novos contratos.

Hoje, quando você utiliza seu imóvel como garantia de crédito em qualquer banco ou fintech, o mecanismo jurídico é quase sempre a alienação fiduciária.

E o empréstimo com garantia de imóvel, onde entra nisso?

O empréstimo com garantia de imóvel entra como a aplicação prática desses mecanismos jurídicos no mercado de crédito. Trata-se de uma modalidade em que o imóvel é utilizado como garantia da operação, permitindo avaliar condições como prazo, valor e estrutura do contrato. Nos contratos atuais, a garantia costuma ser formalizada por meio da alienação fiduciária, que é o modelo jurídico mais utilizado hoje.

Na prática, isso significa que o empréstimo com garantia de imóvel é o produto financeiro, enquanto a alienação fiduciária é o instrumento jurídico que viabiliza a garantia. A hipoteca permanece prevista na legislação, mas aparece com menor frequência em novos contratos. Por isso, ao entender como funciona o empréstimo com garantia, fica mais claro como esses conceitos se conectam dentro da estrutura legal do crédito.

Saiba também | Como funciona o empréstimo com garantia de imóvel?

A hipoteca ainda é usada no Brasil hoje?

A hipoteca ainda existe como instituto jurídico no Brasil, mas raramente aparece em novos contratos de crédito com instituições financeiras.

Ela sobrevive principalmente em contratos mais antigos do SFH (Sistema Financeiro da Habitação), em garantias judiciais e em operações muito específicas fora do mercado bancário convencional.

O mercado de crédito imobiliário e de home equity opera hoje quase exclusivamente com alienação fiduciária. Se você procura usar seu imóvel como garantia para um empréstimo, vai encontrar alienação fiduciária nos contratos, não hipoteca.

Com a Selic em patamar elevado, modalidades de crédito sem garantia ficam mais caras, e o home equity se torna mais atrativo por comparação. O mecanismo jurídico que viabiliza essas operações, porém, é a alienação fiduciária, não a hipoteca.

Saiba mais | O que é hipoteca: entenda como funciona a hipoteca de imóvel no Brasil

Vale a pena usar o imóvel como garantia de crédito?

Usar o imóvel como garantia pode ser uma das formas mais baratas de obter crédito no Brasil, mas exige clareza sobre o risco: o imóvel responde pela dívida.

Inadimplência pode resultar na perda do bem. situações em que esse tipo de crédito pode fazer sentido, e outras que pedem mais cuidado antes de qualquer decisão.

Quando pode fazer sentido avaliar:

  • Consolidar dívidas com juros altos, como cartão de crédito ou cheque especial, por uma dívida de custo menor;
  • financiar um projeto com retorno claro, como reforma ou expansão de um negócio;
  • precisar de capital com prazo mais longo e parcelas compatíveis com a renda.

Quando avaliar com mais cuidado:

  • Renda instável ou imprevisível;
  • O imóvel é o único patrimônio da família;
  • O objetivo do crédito não tem retorno financeiro ou emocional claro.

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Como ficariam os valores na prática?

Para tornar o raciocínio concreto, considere um imóvel residencial quitado avaliado em R$ 500 mil. Com um LTV de 60%, o valor máximo que pode ser liberado como crédito é de R$ 300 mil.

A simulação abaixo é ilustrativa, baseada em condições de referência de mercado em 2026, e serve apenas para demonstrar a ordem de grandeza.

Exemplo ilustrativo de simulação de empréstimo com garantia de imóvel
Parâmetro Valor ilustrativo
Valor do imóvel (avaliação) R$ 500.000
LTV aplicado 60%
Valor liberado R$ 300.000
Taxa de referência 1,09% ao mês + IPCA
Prazo 120 meses (10 anos)
Parcela estimada* ~R$ 4.200/mês

O exemplo deixa claro o perfil dessa modalidade: valores mais altos, prazos mais longos e parcela que, para um crédito de R$ 300 mil, seria difícil de acessar em modalidades sem garantia. O contraponto é o risco real de perda do imóvel em caso de inadimplência, que precisa entrar na análise antes de qualquer decisão.

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Confira | Como funciona empréstimo com garantia? Veja mitos e verdades!

Tire suas dúvidas

Entenda as diferenças técnicas entre hipoteca e alienação fiduciária, os riscos de perda do bem e o cenário atual do mercado de crédito imobiliário em 2026.

Hipoteca e financiamento imobiliário são a mesma coisa?
Não. No financiamento imobiliário atual, os bancos utilizam a alienação fiduciária e não a hipoteca. Na alienação, o banco detém a propriedade do imóvel até a quitação, enquanto na hipoteca o devedor mantém a propriedade e apenas concede o bem como garantia ao credor.
Posso hipotecar um imóvel que ainda está financiado?
Depende. Se o imóvel foi financiado via alienação fiduciária, a propriedade ainda pertence ao banco, impossibilitando oferecê-lo como garantia. Se o imóvel estiver quitado e registrado em seu nome, é tecnicamente possível constituir hipoteca, embora o mercado prefira a alienação pela segurança jurídica.
A hipoteca pode ser feita em segundo grau sobre o mesmo imóvel?
Sim. O Código Civil permite que um mesmo imóvel seja dado em hipoteca mais de uma vez para credores diferentes, criando graus de preferência. O credor de primeiro grau tem prioridade total sobre o de segundo em caso de execução. Importante notar que isso não é permitido no modelo de alienação fiduciária.
Se eu não pagar a dívida hipotecada, posso perder o imóvel?
Sim, mas o processo não é imediato. O credor precisa ajuizar uma ação judicial de execução hipotecária, que pode levar anos. Somente após a decisão do juiz o imóvel pode ir a leilão. O risco existe e é a consequência direta da inadimplência contratual.
Qual a diferença entre hipoteca convencional e judiciária?
A convencional nasce de um contrato firmado entre as partes por livre vontade. Já a hipoteca judiciária é determinada por uma sentença de tribunal, quando o juiz reconhece a obrigação de pagamento e ordena que o imóvel do devedor sirva como garantia da dívida.
O que é hipoteca cedular?
É uma modalidade vinculada ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH) onde o crédito é representado por um título negociável chamado cédula hipotecária. É mais comum em contratos de financiamento habitacional muito antigos, sendo pouco utilizada em novas operações hoje.
A hipoteca ainda existe no Brasil?
Sim, ela segue prevista no Código Civil. No entanto, caiu em desuso nos novos contratos bancários. Desde a Lei 9.514/1997, o mercado migrou para a alienação fiduciária, que permite uma execução muito mais ágil e extrajudicial em caso de falta de pagamento.
Qual a diferença entre hipoteca e empréstimo com garantia de imóvel?
Hipoteca é o mecanismo jurídico de garantia. O "Empréstimo com Garantia de Imóvel" (Home Equity) é o produto financeiro. Atualmente, o Home Equity utiliza a alienação fiduciária como base jurídica por ser mais eficiente, deixando a hipoteca como um modelo do passado.

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