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Empreendedorismo

Como abrir um negócio: passo a passo para realizar o seu projeto

Para obter sucesso na jornada empreendedora, alguns cuidados são fundamentais ao começar uma empresa. Conheça quais são e aprenda a se planejar para abrir o seu negócio
Escrito por Flávia Marques em 01.02.2017 | Atualizado em 11.05.2020
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Seja para realizar o sonho de empreender ou por falta de oportunidades no mercado de trabalho, muitos brasileiros buscam entender como abrir um negócio. No entanto, para que o empreendimento sobreviva no mercado e  prospere, é preciso investir em pesquisa e muito planejamento. 

No Brasil, essa necessidade é incontestável: o último relatório divulgado pelo Sebrae mostrou que a cada quatro negócios abertos no país, um fecha as portas antes de completar dois anos de existência. 

Mas, com muita organização, a nova empresa pode trazer excelentes resultados. Confira, a seguir, alguns passos importantes para ter sucesso na jornada empreendedora.

Conheça o mercado e o seu público-alvo 

O primeiro passo para abrir um negócio bem-sucedido é entender  o mercado em que você deseja atuar e as dores e necessidades do seu público-alvo. Também é fundamental pesquisar  as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas do setor, as ofertas que estão em falta no mercado - e que podem ser grandes diferenciais do seu negócio - e quais são os períodos em que as buscas pelo produto ou serviço aumentam e diminuem, para que você possa planejar as finanças da empresa com mais clareza. 

Parte desse processo tem a ver com a definição do seu público-alvo, ou seja, o perfil de consumidor que você deseja atrair. A qual faixa etária os seus futuros clientes pertencem? Quais são os seus hábitos de consumo e o que eles valorizam? Por meio de quais canais eles fazem pesquisas e efetuam compras? 

Entender as características do seu público é fundamental, pois permite desenvolver ações mais assertivas, alcançar melhores resultados e evitar frustrações. 

Outro fator primordial é conhecer bem os seus concorrentes e avaliar se o local onde pretende trabalhar tem potencial de mercado. Neste momento, quanto mais pesquisa fizer, melhor. 

Gostar do que se faz é muito importante, mas dominar o que se propõe a fazer é fundamental. Para aumentar as chances de sucesso, busque capacitação profissional continuamente: procure cursos, participe de eventos com empreendedores do segmento e leia tudo o que puder sobre a sua área. 

Nesta fase, é possível conhecer pessoas que podem se tornar ótimos parceiros profissionais. Aproveite o período para reforçar o networking e ouvir orientações de empreendedores mais experientes. 

Crie um plano de negócio 

O planejamento é um dos grandes segredos para uma empresa bem-sucedida. Comece fazendo um plano de negócio: ele serve para ter uma visão do cenário onde a empresa vai nascer e analisar os prós e os contras que envolvem o negócio. 

Por exemplo: um empreendedor que deseja abrir uma papelaria em frente a uma grande escola pode ter uma boa oportunidade, pois os alunos e pais que precisarem de materiais terão fácil acesso ao estabelecimento. 

Por outro lado, se o colégio tiver muitos alunos que decidem ir à papelaria no mesmo horário e o espaço for pequeno, pode ser que o empreendedor não consiga atender a todos e comece a perder clientes para outro comércio nas proximidades. 

O plano de negócio ajuda a entender as necessidades, pontos fortes e fraquezas de um novo negócio. Com essas informações, fica mais fácil antecipar soluções e evitar alguns problemas. 

Como fazer um plano de negócio? 

O plano de negócio é um documento que descreve os objetivos de uma empresa e quais ações devem ser colocadas em prática para que esses objetivos sejam alcançados. A medida parece simples, mas permite identificar erros ainda no papel, em vez de cometê-los no mercado e ter problemas maiores.

O ideal é que o empreendedor reserve um tempo para fazer um relato com as principais características do novo negócio. Neste registro, é importante mencionar alguns pontos de maneira detalhada. Anote: 

  • O que é o negócio; 
  • Quais são os seus principais produtos e/ou serviços;
  • Quem serão os seus principais clientes; 
  • Localização da empresa; 
  • Montante de capital a ser investido; 
  • Estimativa de faturamento mensal; 
  • Estimativa de lucro; 
  • Prazo para retorno do investimento. 

Com todas as informações registradas, fica mais fácil visualizar as principais características do negócio e entender se todas as ideias para o novo empreendimento são viáveis e funcionam na prática. 

Monte uma reserva financeira 

Todo negócio, por mais planejado que seja, leva algum tempo para trazer retorno financeiro. Por isso, é fundamental estar preparado e ter uma reserva para garantir a sobrevivência do negócio no mercado durante os primeiros meses. Esta quantia é chamada de capital de giro. 

De acordo com os especialistas, o capital de giro ideal deve suportar seis meses de despesas fixas e de estoque até o negócio gerar lucro. Então, estipule os gastos mensais que a empresa terá neste período para descobrir de quanto precisa para abrir a empresa. 

Busque recursos financeiros 

Algumas pessoas passam anos trabalhando com o propósito de guardar dinheiro para investir em um negócio próprio no futuro. Porém, nem todos têm a possibilidade de economizar uma quantia razoável, que permita a abertura e a manutenção do negócio nos primeiros meses. 

Esta realidade acomete principalmente os empreendedores por necessidade, que geralmente começam um empreendimento por não encontrarem alternativas de colocação no mercado de trabalho. 

A falta de recursos financeiros para pagar despesas do dia a dia de uma empresa - como os salários dos empregados, compra de mercadorias ou quitação de impostos - é uma das maiores causas de fechamento de novas empresas no Brasil. 

Um estudo realizado pelo Sebrae e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2018 ouviu empreendedores que quebraram em menos de um ano e mapeou as principais dificuldades enfrentadas por eles: 16% declararam que precisaram fechar o empreendimento por falta de capital. 

Como abrir um negócio com pouco dinheiro: conheça linhas de crédito que podem ajudar 

Para os que não conseguiram a reserva financeira necessária para a abertura e manutenção inicial de um negócio, é possível avaliar linhas de empréstimo

Mas, atenção: é sempre importante consultar as taxas de juros e as condições de pagamento antes de fechar negócio. Além disso, logo que começar a pensar na ideia de como abrir um negócio, o empreendedor deve colocar na ponta do lápis a quantia exata de que irá precisar, para garantir que o crédito tomado realmente deve suprir as demandas financeiras da empresa. 

A seguir, listamos algumas linhas de crédito consideradas saudáveis, ou seja, com juros mais baixos e maiores prazos para pagamento. Essas condições propiciam mais saúde financeira ao empreendedor, que não precisará comprometer muito do orçamento todos os meses para quitar a dívida. Confira, a seguir: 

1 - Empréstimo com garantia 

Como o próprio nome sugere, no empréstimo com garantia, o interessado apresenta um bem à instituição financeira para assegurar o pagamento das parcelas. Entre as modalidades mais comuns estão o empréstimo com garantia de veículo e o empréstimo com garantia de imóvel, também chamado de home equity. 

Como o tomador usa algo concreto como garantia de pagamento, as chances de inadimplência diminuem. O resultado é positivo: os juros costumam ser mais baixos do que em outras modalidades de empréstimo, os prazos são mais longos e as prestações, menores. 

Isso permite que o empreendedor possa investir no próprio negócio sem comprometer demais o orçamento com o pagamento da mensalidade. 

Tanto para imóveis quanto para veículos, não é necessário que os bens estejam quitados, mas precisam estar regularizados para que sejam alienados à instituição financeira e utilizados como garantia.

Na Creditas, a maior plataforma de empréstimo com garantia do país, as taxas praticadas no empréstimo com garantia de automóvel começam em 19,08% ao ano. Para o home equity, os juros são a partir de 10,68% no mesmo período. 

2 - Peer to peer

O peer to peer é um tipo de empréstimo coletivo que conecta tomadores de crédito a investidores por meio de plataformas digitais específicas. Assim, um investidor empresta dinheiro diretamente para a pessoa jurídica, ou seja, a operação não depende de um agente financeiro. 

A verificação do risco consiste em checar o perfil financeiro de quem tomará o empréstimo. Os investidores podem decidir disponibilizar o valor total ou parcial que o empreendedor deseja. 

O modelo surgiu em 2005, no Reino Unido, e começou a ganhar espaço no Brasil em 2011. No modo tradicional, os investidores aplicam o seu dinheiro em um banco, que repassa ao cliente que precisa de um empréstimo. Dessa forma, as instituições financeiras lucram ao cobrar uma quantia mais alta de quem recebe o dinheiro comparado ao que paga ao investidor. 

As empresas de peer to peer surgiram com estruturas enxutas e processos online, com custos e burocracia menores. Neste formato, os investidores conseguem melhores remunerações e os juros acabam sendo mais baixos para quem contrata.  

3 - Antecipação de recebíveis 

Esta modalidade é mais interessante para os empreendedores que já emitiram notas fiscais. Ela permite que as empresas recebam, de forma antecipada, créditos futuros. 

Na prática, a antecipação de recebíveis permite ao empreendedor adiantar o recebimento por vendas a prazo ou serviços prestados.

O processo costuma ser menos burocrático e é utilizado por empresários que ainda não têm capital de giro. Como esse crédito antecipa pagamentos que a empresa já vai receber, os pagamentos em questão funcionam como uma garantia, o que se reflete em juros mais baixos e em um crédito mais barato e acessível.

Empréstimo para abrir um negócio: linhas de crédito para micro e pequenas empresas 

Quando o assunto é contratação de crédito, muitos empreendedores - especialmente donos de micro e pequenas empresas - ainda não estão inseridos em um mercado favorável. Em 2019, um estudo divulgado pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) mostrou que 25% dos empresários não pretendiam tomar crédito nos próximos meses por conta das altas taxas de juros encontradas no mercado. 

Além disso, o acesso ao crédito ainda é um obstáculo para os empresários de menor porte: mais de um terço dos empreendedores ouvidos durante a pesquisa afirmaram que têm dificuldades para contratar empréstimos e financiamentos - seja para investir na expansão da empresa, quitar dívidas, levantar capital de giro ou atender a qualquer outra necessidade. 

A boa notícia é que, além das opções já mencionadas, ainda existem alternativas públicas destinadas especialmente a viabilizar o acesso de pequenos empreendedores ao crédito. Conheça algumas delas: 

1 - Crédito para empresas BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece linhas de crédito exclusivas para micro e pequenas empresas. 

A BNDES Crédito Pequenas Empresas é vinculada a agentes financeiros credenciados e oferece limite de crédito máximo de R$ 500 000 por cliente a cada 12 meses, com prazo máximo de até 60 meses e dois anos de carência. A taxa média de juros chega a 1,3% ao mês e inclui a remuneração do BNDES e do agente financeiro envolvido na operação.

2 - Crédito para empresas Proger Urbano 

O Proger Urbano Capital de Giro, como o próprio nome diz, é indicado para empresários que desejam levantar capital de giro para o negócio. A verba também é uma opção para financiar reformas das instalações da empresa, comprar máquinas, equipamentos e veículos.

Oferecido pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do Governo Federal, o Proger oferece taxas de juros que chegam a 1,3% ao mês, com isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

3 - Empréstimo para empresas Caixa Econômica 

A Caixa Econômica Federal oferece uma linha de crédito chamada Microcrédito Produtivo Orientado, disponível para empresas de pequeno porte (EPPs) com faturamento de até 200 000 reais por ano e microempreendedores individuais (MEIs).

O limite máximo para o empréstimo é de 21 000 reais e o prazo máximo para pagamento é de 24 meses. As taxas médias de juros giram em torno de 3,3% ao mês.

4 - Investidores-anjo

Outra alternativa para pequenas empresas obterem aporte financeiro é recorrer a investidores-anjo, pessoas físicas que investem em empresas com alto potencial de crescimento.

A organização sem fins lucrativos Anjos do Brasil, por exemplo, oferece oportunidade de aportes entre 100 000 reais e 800 000 reais. Mas, para captar recursos, as empresas devem apresentar produtos ou serviços inovadores, que tenham alto potencial de crescimento e apresentem processos escaláveis.

Neste tipo de operação, o investidor-anjo - que também pode ser um pequeno grupo de pessoas físicas - recebe uma participação minoritária no empreendimento, entre 5% e 10%. Mais do que dinheiro, os investidores podem contribuir compartilhando experiências e contatos estratégicos. 

Agora que você já sabe como buscar crédito para fazer o seu negócio decolar, compartilhe outras dúvidas sobre o assunto nos comentários para ajudar mais empreendedores na mesma situação.

Com essas dicas de como abrir um negócio, esperamos que você esteja mais preparado para tirar suas ideias do papel e entrar de vez no universo mundo do empreendedorismo. Que tal compartilhar os seus planos conosco? Utilize o campo de comentários e conte suas ideias para nós! 

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Flávia Marques

Escrito por Flávia Marques

Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.

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