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Finanças

Você sabe o que é circuit breaker? Entenda

Saiba mais sobre o mecanismo que paralisa os negócios para minimizar oscilações bruscas na bolsa de valores em momentos de turbulências atípicas na economia
Escrito por Elaine Ortiz em 25.03.2020 | Atualizado em 25.03.2020
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Até pouco tempo atrás, raramente se ouviu falar em circuit breaker. A crise do novo coronavírus no Brasil impactou a economia e levou a bolsa de valores a cair fortemente em março de 2020. Um mês, de um ano, que entrará para história como o período da incerteza, da tristeza, da morte disseminada a partir de um inimigo invisível, um vírus. 

Por este motivo, o termo, antes restrito a investidores e economistas, popularizou-se, gerando muitas dúvidas a respeito de sua definição e propósito.

Afinal, o que é circuit breaker? 

Em momentos de crise nos mercados, o mecanismo conhecido como circuit breaker é acionado para evitar que a bolsa de valores despenque. Ele serve para suspender temporariamente os negócios. Na história da bolsa de valores, nunca o circuit breaker havia sido usado duas vezes no mesmo dia, como aconteceu em 12 de março de 2020. 

O mecanismo é tão raro que foi utilizado somente 23 vezes no Brasil -- a primeira vez foi em 28 de outubro de 1997, um dia após a Bovespa cair mais de 14% durante a crise financeira asiática. 

O educador financeiro da Messem Investimentos Leandro Benincá, explica que circuit breaker, em inglês, significa “fusível, disjuntor”. “O nome desse dispositivo de proteção da bolsa é uma analogia com o disjuntor, esse que a gente tem em casa de eletricidade”, explica. 

“Quando passa energia demais, o disjuntor desarma, para não queimar a casa. É a mesma coisa na B3, a bolsa de valores: quando ocorre uma queda muito acentuada na Bovespa, ela desarma, as negociações são desligadas por 30 minutos para que o mercado não se machuque muito, essa é a ideia do circuit breaker”. 

O especialista explica ainda que o motivo que leva a bolsa à paralisação é, muitas vezes, apenas uma notícia, uma euforia, uma especulação. Mas sempre é algo atípico.

Leia também: Coronavírus derruba bolsa e reduz ganhos em investimentos

Mas, como funciona o circuit breaker na Bovespa?

O mecanismo de circuit breaker é acionado para interromper o pregão todas as vezes que ocorrem oscilações muito bruscas e atípicas no mercado de ações, capazes de derrubarem a bolsa em 10% em relação ao dia anterior. Ou seja, sempre que que isso acontece, esta ferramenta é acionada com o objetivo de suavizar e rebalancear as ordens de compra e venda dos investidores e, assim, proteger o mercado da volatilidade. 

Após 30 minutos de pausa, os negócios são retomados. A ideia é que durante esse tempo, os operadores da bolsa discutam quais serão suas ações assim que a bolsa for reaberta. 

“Durante esses 30 minutos que o mercado está parado, os operadores da bolsa aproveitam para confirmar as notícias, conversar com os clientes, acalmar os ânimos, para ver se a situação volta ao normal ou não”, explica Benicá. 

Se depois que o mercado reabrir essa queda acontecer novamente em mais 5%, o mercado fecha novamente, agora por mais 1 hora, afinal, já somaria 15% de queda em relação ao fechamento da véspera. A paralisação também ocorre em todos os mercados acionários. 

Qual o limite de uso diário do circuit breaker?

Caso após essa 1 hora de interrupção, a Bovespa recuar mais de 20%, é possível que os negócios e, todos os mercados, sejam suspensos por um prazo definido pelo diretor do pregão.

Esse é o limite de uso diário do circuit breaker. Quando se chega a terceira paralisação, 20% de queda, interrompem- se as negociações”, explica Benincá. “E aí tem um interpretação meio dúbia: algumas pessoas dizem que interrompe-se pelo dia, até hoje foi assim, mas a regulamentação da B3 diz que o diretor do pregão é quem determina quando o mercado será reaberto. Ou seja, ele determina. Até hoje isso nunca aconteceu, mas pela regulamentação, é possível definir que a bolsa só volte depois de uma semana, por exemplo”. 

Principais eventos que levaram ao circuit breaker

Alguns operadores do mercado costumam atrelar o circuit breaker a grandes eventos históricos. É quase uma regra: após grandes mudanças, o circuit breaker costuma aparecer como tentativa de equilibrar o mercado ou minimizar suas oscilações bruscas. 

No Brasil, a ferramenta foi utilizada 23 vezes. Confira abaixo algumas situações em que a bolsa de valores precisou ser interrompida. 

  • 17 de maio de 2017: conhecido como “Joesley Day”, crise do frigorífico JBS  e denúncias contra o presidente Michel Temer.
  • 22 de outubro de 2008: a crise do ‘subprime’ nos Estados Unidos respingou no Brasil e fez o pregão da Bovespa ser interrompido por quatro vezes durante meia hora, e por uma vez durante 1 hora naquele mês.
  • 11 de Setembro de 2001: atentado às torres gêmeas de Nova York. Os negócios também foram interrompidos na Bovespa, mas o circuit breaker não foi acionado nesse caso. A reabertura só ocorreu no dia seguinte.
  • 14 de janeiro de 1999: na véspera da adoção do câmbio livre no país, os negócios foram suspensos por meia hora e o índice recuou 9,33%. O mercado temia os possíveis efeitos dessa nova estratégia de política macroeconômica.
  • 10 de setembro de 1998: no ano da crise na Rússia, o mecanismo entrou em ação por cinco vezes. No dia 10 de setembro a bolsa parou durante 1 hora e fechou em baixa de 15,82%.
  • 28 de outubro de 1997: um dia após a Bovespa cair mais de 14% durante a crise financeira asiática. O mecanismo foi usado por mais duas vezes naquele ano.

Circuit breaker é uma ferramenta antifraude?

Pode-se considerar o circuit breaker também uma ferramenta antifraude. Leandro Benincá, da Messem Investimentos, explica: “No Joesley Day, por exemplo, quem tinha informação privilegiada lucrou muito. E usar informação privilegiada é ilegal. Portanto, se você sabe que a bolsa vai cair e aposta na perda, o máximo que irá conseguir é 10% porque o mercado vai fechar antes disso”, explica. “Nesse sentido, o circuit breaker é também um dispositivo antifraude que protege a bolsa de aproveitadores ”. 

Existe circuit breaker fora do Brasil?

O circuit breaker não é exclusividade brasileira. Por aqui, só começou a ser utilizado em 1997, mas no mundo é ferramenta difundida.

Ele foi criado após a quebra da Bolsa de Nova York, em 22 outubro de 1987, dia também conhecido como Black Monday, quando o índice do mercado norte-americano, Dow Jones Industrial Average (DJIA), caiu 508 pontos (22,6%), a maior queda percentual do índice em um único dia. 

Com o colapso, o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, e as Bolsas de Valores criaram os circuit breakers com o objetivo de dar um tempo para os investidores refletirem sobre a interrupção temporária das negociações.

Cada país tem sua especificidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, existe o circuit breaker de alta, que ocorre quando a alta da bolsa é muito acentuada em relação ao dia anterior. No Brasil, isso não existe.

“O circuit breaker é um dispositivo amplamente utilizado no mundo todo, Estados Unidos, Japão, Inglaterra, com algumas regras de diferença”, diz Benincá. 

Como o circuit breaker impacta a minha vida?

A economia impacta a vida de todas as pessoas. Uma economia em turbulência pode levar ao fechamento de empresas e ao consequente aumento do desemprego. Pessoas desempregadas, reflete no consumo e na queda da circulação do dinheiro. A roda da economia começa a girar para trás, e o país entra em recessão. 

O circuit breaker pode ser, em um primeiro momento, mais importante para os investidores, que negociam ações no mercado de valores. Mas impacta na vida do cidadão no médio prazo. 

“Os preços da ações chegando a limites muito baixos na bolsa, como se já tivessem precificando quebra das empresas, é preocupante”, diz Benincá. “Circuit breaker na bolsa reflete um momento de muita incerteza na sociedade”.

Leia também: Recorde na Bolsa: como vencer o medo e começar a investir?

E você, já sabe tudo sobre circuit breaker? O que acha desse mecanismo de segurança dos mercados? Compartilhe nos comentários!

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Elaine Ortiz

Escrito por Elaine Ortiz

Repórter do Portal Exponencial, com dez anos de experiência em redações de jornais e revistas. Acredita que informação de qualidade é capaz de fazer a diferença na vida das pessoas e que conhecimento financeiro tem tudo a ver com liberdade.

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