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Como reverter a insatisfação dos profissionais com o salário? Entenda

Pesquisa revela que 40% dos profissionais com nível superior acreditam que merecem ganhar mais. Como o RH pode contribuir para diminuir essa sensação?

Escrito por Elaine Ortiz em 07.02.2020 | Atualizado em 19.02.2020

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pesquisa revela que 40% dos profissionais com nível superior acreditam que merecem ganhar mais. Destes, 34% estão insatisfeitos com o atual salário e 6% estão muito insatisfeitos;
  • Ter mais funções ou mais responsabilidades do que o previsto na contratação, receber menos do que a média do mercado ou ainda menos quando se comparam a pessoas com o mesmo cargo dentro da empresa, falta de benefícios não-financeiros e ainda horas trabalhadas acima do acordado são os principais motivos para a insatisfação;
  • Um dos caminhos para diminuir a sensação do colaborador de que seu salário não é bom o suficiente é fornecer benefícios não financeiros extras. 

 

Pedir um aumento de salário para os líderes não é tarefa fácil. Por mais que a insatisfação afete até mesmo a produtividade, muitos profissionais preferem amargar sozinhos a sensação de desconforto em relação ao dinheiro que entra na sua conta bancária todos os meses, do que chamar a chefia para uma conversa franca e direta.

Segundo estudo da empresa de recrutamento Robert Half, 40% dos profissionais com nível superior atualmente empregados acreditam que merecem ganhar mais. Destes, 34% estão insatisfeitos com o atual salário e 6% estão muito insatisfeitos.

Entre os principais motivo da insatisfação estão: ter mais funções ou mais responsabilidades do que o previsto na contratação, receber menos do que a média do mercado ou ainda menos quando se comparam a pessoas com o mesmo cargo dentro da empresa, falta de benefícios não-financeiros e ainda horas trabalhadas acima do acordado.

Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half no Brasil, explica que a melhor forma e hora de pedir aumento é, primeiro, se perguntar objetivamente se você merece um aumento. “Avalie seu desempenho, reflita se você conseguiu agregar um valor significativo aos membros da sua equipe e a organização como um todo. Confira se você pode provar isso. Pense se você recebeu ótimos comentários de seus gerentes e chefes”, explica.

“Se a resposta a essas perguntas for sim, é possível que haja espaço para negociar um aumento salarial, mas não antes de considerar a situação financeira da empresa e o desempenho do mercado”.

“Se a companhia para a qual você trabalha apresentou um balanço fraco ou fez um corte de pessoal há pouco tempo, deixe a conversa sobre aumento de salário mais para frente. Caso contrário, durante a negociação, certamente seu gestor dirá que a empresa não tem condições de aumentar a folha de pagamento neste momento”, diz Montovani, da Robert Half.

Para as empresas, insatisfação com o salário é só um dos desafios para manter a geração Z trabalhando em seus escritórios e fábricas. Trata-se de pessoas que, além de bons salários, querem, trabalhar com algo que seja pessoalmente importante para elas. Algo como o "Ikigai”, conceito japonês que define, em linhas gerais, “o motivo que faz você acordar todos os dias”.

“Se o profissional não encontrar um propósito, um ideal naquilo que ele está executando, para ele não vai fazer sentido”, explica o professor de Gestão de Pessoas e Inovação Corporativa do Ibmec-SP, Marcelo Rivani. “No passado, o empregado procurava a empresa que gostaria de trabalhar, hoje isso está invertido, as empresas estão procurando as pessoas e reter talentos se tornou um grande desafio”.

De fato, pesquisa produzida em 2019 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), revelou que jovens com idades entre 18 e 24 anos, nascidos dentro da chamada ‘Geração Z’, acreditam que o significado de sucesso profissional não é medido somente por um alto salário. Para esse público, trabalhar com o que gosta (42%), equilibrar trabalho e vida pessoal (39%) e ser reconhecido pelo que faz (32%) são aspectos mais importantes que ganhar bem (31%).

Como o RH pode atuar para reverter a insatisfação com o salário

Um dos caminhos para diminuir a sensação do colaborador de que seu salário não é bom o suficiente é fornecer benefícios não financeiros extras, além dos clássicos vale alimentação, vale refeição, vale transporte, seguro saúde, seguro de vida. Cada vez mais as empresas estão procurando se preocupar com o ser humano em sua integralidade, ou seja, observado todos as faces que compõem a vida do colaborador.

A saúde financeira é uma delas. Segundo uma pesquisa realizada pelo ADP Research Institute com 7 000 pessoas em 13 países, cerca de 90% dos funcionários preferem trabalhar para uma empresa que se preocupa com as suas finanças. Plano de ação importante, ainda mais no Brasil, onde 61 milhões de pessoas estão inadimplentes, de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito.

RHs que oferecem aos colaboradores oportunidades como, por exemplo, acesso a crédito consignado, modalidade de empréstimo que tem como garantia o salário do colaborador, ou ainda clubes de descontos em lojas, incentivos e parcerias com universidades e escolas de línguas, subsidiam planos de academia, entre outros benefícios não-financeiros aumentam as chances de contribuir para que os colaboradores se sintam mais confortáveis com seus salários atuais.

Plano de carreira que apresenta claramente as possibilidades de crescimento dentro da empresa, treinamentos e ainda confraternizações e reconhecimentos pontuais também podem funcionar como incentivos.

“Com o crescimento da Gig Economy, muitos profissionais buscam um pacote de benefícios vão além dos financeiros”, diz Fernando Mantovani, da Robert Half. “Um levantamento feito nos EUA e Canadá, com mais de 1,5 mil trabalhadores e 600 gerentes de Recursos Humanos, mostrou que o benefício mais desejado de 88% dos funcionários é horário de trabalho flexível. Na sequência vem semana de trabalho mais curta (66%) e trabalho remoto (55%)”.

Segundo a Robert Half, pagar salários mais atrativos contribui para manter um engajamento alto, além de reduzir a rotatividade das equipes, um dos grandes problemas enfrentados atualmente pelas empresas. Os melhores talentos também podem ser atraídos para as empresas que pagam melhores salários e ainda mostrar que a equipe é valorizada.

“Realizar uma pesquisa salarial de mercado permite que a empresa tome conhecimento de seu posicionamento salarial em relação a outros players e que defina uma estratégia de remuneração capaz de atrair e manter profissionais qualificados, aumentando sua competitividade e diminuindo seu turnover”, finaliza Montovani.

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Elaine Ortiz

Escrito por Elaine Ortiz

Repórter do Portal Exponencial, com dez anos de experiência em redações de jornais e revistas. Acredita que informação de qualidade é capaz de fazer a diferença na vida das pessoas e que conhecimento financeiro tem tudo a ver com liberdade.

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