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Economia

Ranking Pisa: desempenho do Brasil deve afetar mercado de trabalho

O país teve um dos dez piores desempenhos do mundo em matemática na avaliação mundial de educação. Entenda como um ensino básico ineficiente pode interferir no futuro do trabalho

Escrito por Elaine Ortiz em 06.12.2019 | Atualizado em 29.03.2020

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O  Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), testa a cada três anos o rendimento dos estudantes de 79 países e economias. Na terça-feira (3) os resultados da prova de 2018 foram divulgados e deixou evidente que a educação brasileira ainda está muito longe de ser minimamente boa. Os números falam por si só: o Brasil ficou em 70º lugar em Matemática, 66º em Ciências e 57º em Leitura.

Neste contexto, a pergunta que surge para quem se preocupa com o futuro do país é só uma: quais os impactos de uma educação ineficiente para o mercado de trabalho? Afinal, os estudantes de hoje serão os profissionais de amanhã. Para o professor de Gestão de Pessoas e Inovação Corporativa do Ibmec-SP, Marcelo Rivani, trata-se de assunto muito complexo, que já mostra seus reflexos no mercado de trabalho atual e que, no longo prazo, tende a piorar. 

“A questão principal é que nós teremos, no futuro, um anafalbetismo intectual que irá interferir nas tomadas de decisões”, diz. “Não adianta investir na graduação e na pós-graduação se o ensino básico não é devidamente adequado. No futuro, vamos encontrar um grupo de pessoas menos preparadas para exercer cargos de liderança”.

Ranking Pisa: conclusões da OCDE

É triste e alarmante o desempenho apresentado pelos 10.691 alunos de 638 escolas brasileiras que fizeram a prova em 2018. As conclusões da OCDE, ao analisar as edições anteriores do Pisa, é que o Brasil mantém uma tendência de estagnação, embora as notas médias tenham variado alguns pontos para cima e para baixo no decorrer da última década. 

Em linhas gerais, dois terços dos brasileiros de 15 anos sabem menos que o básico de matemática. Em leitura, os dados do Brasil apresentam estagnação nos últimos dez anos. Entre os países da América Latina, o Chile teve o melhor desempenho e a República Dominicana teve o pior desempenho e entre os países da América do Sul, a Argentina tem o pior resultado.

Um ponto positivo é que o Brasil foi um dos países que conseguiu aumentar consideravelmente o número de adolescentes de 15 anos matriculados na escola, sem que isso fizesse cair sua nota média no Pisa. “A diminuição da evasão é muito positiva, mas o cerne da questão é a qualidade da formação desse aluno que está na escola”, diz Rivani, do Ibmec. “O ensino básico está muito deficitário, além disso a qualificação do professor não é boa e, atrelada aos salários baixos, a situação só piora e no fim irá repercutir na mão de obra do país”.  

Atualmente, o patamar do Brasil deve ser comparável em leitura com a Bulgária, a Jordânia, a Malásia e a Colômbia. Em matemática, com a Argentina e a Indonésia. Já em ciências, os países que estão no mesmo grupo do Brasil no ranking mundial são Peru, Argentina, Bósnia e Herzegovina e a região de Baku, no Azerbaijão.

Já no topo do ranking internacional, a China (que não participa como um único país, mas sim com regiões específicas), é a grande estrela e liderou nas três provas. Cingapura, Macau e Hong Kong aparecem na segunda, terceira e quarta posições.  Outras duas potências asiáticas, Coreia do Sul e Japão também figuram entre os melhores países do mundo no Pisa 2018. As demais posições são ocupadas por países europeus e o Canadá.  

A escola em um mundo em transformação

O mundo mudou completamente com o avanço tecnológico, o comportamento social também foi alterado profundamente e o mercado de trabalho segue criando profissões e ocupações que menos de uma década atrás éramos incapazes de prever. Sendo assim, por que a escola ainda utiliza os mesmos métodos de ensino do mundo analógico? Essa é uma das grandes questões que surgem ao avaliar a educação no Brasil.

“O aluno de hoje é outro, mas a escola se mantém em modelos antiquados, a geração de hoje quer aprender de outra forma, com novas metodologias, e os professores não estão se qualificando para isso”, diz o professor Rivani, do Ibmec.

Mas, apesar de todas as transformações do mundo digital, conhecimentos básicos como os avaliados no ranking do Pisa ainda são importantes. O professor explica que aprender matemática, física e biologia nas escolas serve para desenvolver a cognição das pessoas, independentemente se aquele conhecimento será utilizado no cotidiano do trabalho ou não. 

“Quando não há um processo cognitivo bem elaborado o comportamento é afetado e, por consequência, a gestão relacional e dos entregáveis também”, diz Rivani. “A ausência de alguns comportamentos necessários para a condução de atividades impacta efetivamente nas entregas, ou seja, a pessoa não sabe interpretar um texto, não consegue fazer uma conta que não seja na calculadora, não é eficiente”. 

Leia mais: 10 habilidades comportamentais para quem quer um novo emprego em 2020

Liderança em xeque 

Um dos principais reflexos que a educação de base ineficiente pode impor ao mercado de trabalho está no âmbito das chamadas soft skills - inteligência emocional, comunicação clara, controle de ansiedade, relacionamento interpessoal.  E a ausência dessas características impacta na análise para a tomadas de decisões, na capacidade de gerenciar problemas e ainda no processo de liderar pessoas.

“Na hora que você tem uma dificuldade na tomada de decisão dentro do mundo corporativo é porque te falta um raciocínio analítico e lógico sobre o fato”, explica o professor Rivani. “Como a pessoa não sabe fazer isso, ela cai no julgamento e o julgamento é uma opinião pessoal e aí essa pessoa não tem recursos verbais para colocar essa ideia para fora, porque para isso ela precisa do português, e aí ela já se deu mal no trabalho”.

É por esse motivo que muitas empresas hoje já oferecem aulas básicas de português e matemática para seus colaboradores e até mesmo as universidades sentiram a necessidade de incluir nos primeiros semestres de seus cursos conteúdos que deveriam ter sido melhor trabalhados durante toda a vida escolar das pessoas.  

“O conhecimento hoje é responsável por mais de 60% da riqueza do mundo, não mais a informação, a informação hoje é etérea, você encontra no Google”, diz Rivani. “Agora como aproveito essa informação? Esse é o déficit que a gente tem e o desempenho do Brasil no Pisa mostra exatamente isso. Com um desenvolvimento cognitivo comprometido essa turma vai ter muita dificuldade em movimentar o mundo”.

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Elaine Ortiz

Escrito por Elaine Ortiz

Repórter do Portal Exponencial, com dez anos de experiência em redações de jornais e revistas. Acredita que informação de qualidade é capaz de fazer a diferença na vida das pessoas e que conhecimento financeiro tem tudo a ver com liberdade.

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