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Negócios

Em isolamento, é possível cuidar da saúde emocional dos funcionários?

Manter uma comunicação transparente e considerar as dificuldades pessoais enfrentadas pelos funcionários são algumas maneiras de tornar o trabalho remoto mais leve em meio à crise
Escrito por Flávia Marques em 03.04.2020 | Atualizado em 06.04.2020
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O novo coronavírus e as transformações que a pandemia tem trazido à rotina da população já estão incomodando até aqueles que se consideram mais adaptáveis a mudanças. Desde que o governo determinou medidas de isolamento social no país, há quase três semanas, as empresas passaram a adotar o modelo de trabalho remoto para evitar que os funcionários saíssem de casa. A ação é uma tentativa de frear a propagação da doença e evitar um colapso no sistema de saúde - como aconteceu na Itália, que viu os números de contaminações e mortes decolarem ao afrouxar as medidas de prevenção. 

O problema é que, sem os cuidados necessários, passar tanto tempo em casa pode gerar sérias dificuldades à saúde emocional dos profissionais. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de indivíduos (cerca de 9,3% da população) convivem com o transtorno. E mais: também estamos entre os recordistas em Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional. Ao todo, mais de 33 milhões de brasileiros são afetados por ela. 

Para a neuropsicóloga Tammy Marchiori, esses números devem crescer por conta da COVID-19. “Neste momento de incerteza sobre o futuro, é natural que as pessoas tenham medo do desemprego e dos impactos da doença no bolso. Somado a isso, há o próprio pavor da contaminação e a possibilidade de perder pessoas próximas”, afirma. “O isolamento social também não é uma questão fácil de se lidar, e por isso é tão importante fazer um esforço ainda maior para cuidar da mente agora”.

Saúde emocional e produtividade: uma relação que interessa às companhias 

Em um período tão delicado, as empresas possuem um papel importante na manutenção do bem-estar dos funcionários. Isso porque, além de o expediente ocupar grande parte do dia das pessoas, muitas das questões que geram medo e ansiedade durante a pandemia estão justamente relacionadas ao trabalho. Demissões, corte de benefícios e redução de jornada e salário são alguns dos maiores pesadelos dos brasileiros neste momento. 

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A boa notícia é que as companhias têm percebido que cuidar da saúde mental dos colaboradores também é uma forma de garantir resultados melhores para a empresa. Por esse motivo, líderes e gestores estão passando a olhar para essa questão com mais cuidado. “Desde que os primeiros estudos das relações humanas começaram a se desenvolver, caiu por terra a ideia de que os profissionais que possuem as mesmas ferramentas e são submetidos às mesmas condições de trabalho sempre vão entregar os mesmos resultados. Isso é enxergar as pessoas como máquinas”, explica Rafael Jaworski, especialista em gestão de pessoas e diretor de RH da Pormade. “Com o passar do tempo, percebeu-se que fatores psicológicos, como a manutenção de relacionamentos no ambiente de trabalho, o clima organizacional e a maneira como os profissionais se sentem fora da empresa também interferem muito na sua produtividade”. 

Na Creditas, por exemplo, os colaboradores têm acesso a treinamentos online em formato de webinars durante a quarentena. No "Quarentraining", desenvolvido pela universidade corporativa da fintech, todos os dias são realizados encontros com temáticas variadas, que envolvem aprendizado para lidar com tempos de incerteza, discussões sobre saúde mental e técnicas de meditação e até informações atualizadas sobre o coronavírus. Os temas são definidos a partir de um diagnóstico com as lideranças e demais funcionários.

Comunicação transparente: um elemento fundamental 

Os especialistas garantem que estabelecer uma boa comunicação com os funcionários é um dos segredos para amenizar a insegurança e o medo que envolvem a crise. “O ideal é que por parte da empresa sempre haja sinceridade em relação às providências tomadas neste momento”, orienta Tammy Marchiori. “Não saber o que está reservado para a sua vida profissional deixa as pessoas aflitas e é muito prejudicial à saúde em todos os aspectos”. 

A transparência também é uma maneira de evitar mal-entendidos. “Ao comunicar mudanças, quanto menos intermediários houver no processo, menores são as possibilidades de ruídos”, comenta Rafael Jaworski. “É sempre muito importante conscientizar as pessoas de que cada medida adotada, por mais dolorosa que seja, é necessária para manter a empresa funcionando”. 

Por outro lado, vale destacar que uma postura satisfatória das companhias nem sempre vai resolver o problema dos funcionários. “Em alguns casos, a renda de um colaborador é a única fonte de sustento da casa, e perder o emprego ou ter o salário reduzido nessa situação é sempre difícil, mesmo que a empresa tenha tato”, alerta a neuropsicóloga.

Mais do que comunicar, é preciso expor os motivos que geraram cada decisão e, depois, dar espaço para que os funcionários exponham suas ideias, dúvidas e sugestões. Esta é uma maneira de fazer com que eles também se sintam parte importante das mudanças. 

Orientações da liderança e relacionamento remoto

Para que os profissionais não se sintam solitários em período de isolamento, é importante que os líderes e suas equipes mantenham contato diário para compartilhar atualizações sobre o trabalho e, se for interessante, conversar sobre como estão se adaptando às novidades. Esta é uma maneira de o funcionário perceber que não está sozinho e que pode contar com o apoio da sua liderança.

“Para que o home office funcione, é preciso que cada funcionário saiba se organizar para fazer o dia render, já que trabalhar de casa exige ainda mais foco e disciplina”, comenta o especialista em RH. “O líder precisa ser um orientador. Pergunte se os funcionários têm dificuldades com o novo modelo de trabalho e ofereça ajuda àqueles que precisam. Mesmo longe, é importante fazer com que os profissionais se sintam cuidados pela empresa”. 

Para afastar a sensação de isolamento, o melhor caminho é tentar manter a rotina o mais próxima possível da habitual. Ao acordar, tomar um café da manhã e trocar de roupa, como você faria para trabalhar no escritório, ajuda o cérebro a compreender que é hora de realizar uma nova atividade. “As empresas também podem oferecer orientações sobre cuidados com a saúde mental”, sugere Tammy Marchiori. “Muitas companhias têm no departamento de RH psicólogos e profissionais preparados para fazer recomendações diárias por meio de canal de comunicação interna, por exemplo”. 

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A prática de exercícios físicos e a manutenção de uma alimentação leve em casa estão relacionadas aos neurotransmissores que melhoram o estresse, a ansiedade e até a depressão. Além disso, fazer reuniões com os amigos - e não necessariamente da empresa - e familiares ajuda a não se sentir solitário. “Nestas conversas, tente não falar sobre a doença, pois já estamos recebendo muitas informações sobre o assunto. Aproveite esses momentos como se estivesse tomando um chop com os amigos”, indica a neuropsicóloga. 

Supervisão ou microgerenciamento? 

Algumas empresas estão adotando o home office pela primeira vez e, por isso, ainda têm dificuldades para avaliar as entregas dos funcionários que não estão sob o olhar dos chefes. Aí, surge outro problema: o microgerenciamento.

Nestes cenário, alguns líderes tendem a cobrar excessivamente atualizações sobre as atividades executadas e solicitar relatórios extensos - e não convencionais - de tarefas feitas. Além de demonstrar falta de confiança e tirar a sensação de autonomia do funcionário, a prática pode aumentar a ansiedade e prejudicar a saúde mental do colaborador. “Estabelecer metas e objetivos claros para serem cumpridos diariamente é uma das maneiras de administrar as demandas sem precisar de cobranças excessivas, que geram estresse ou ansiedade”, indica Rafael.

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Rotinas diferentes: sensibilidade e empatia são fundamentais 

Em meio à quarentena, muitas pessoas têm reclamado de ociosidade e afirmam que estão entediadas com a rotina em casa, mas essa não é a realidade de todos. “Tenho notado que muitas mulheres, especialmente as que têm filhos e estão fazendo home office, estão extremamente cansadas com as multitarefas”, comenta Marchiori. “Muitas delas contavam com o apoio de uma babá ou empregada doméstica e agora estão sozinhas, tendo que cuidar dos filhos, da casa e do trabalho. É óbvio que uma pessoa nessa situação enfrenta mais dificuldade, para desempenhar um bom trabalho, e é importante que os líderes sejam sensíveis a essa situação, entendam que essa dinâmica é atípica e que todos estão enfrentando problemas específicos neste período”.

Para manter a saúde emocional em dia, é importante que os funcionários sejam sinceros com a sua liderança e digam quando estão se sentindo sobrecarregados. Os que se sentem mais confortáveis também podem expor a situação enfrentada em casa para que o gestor tenha mais visibilidade das limitações do profissional e consiga pensar em alternativas para a sua rotina. 

Limite de trabalho

Em tempos de home office, outro tipo de profissional merece atenção especial: os chamados workaholics, viciados em trabalho e que tendem a aproveitar o tempo livre para estender a sua jornada - o que é prejudicial para a saúde mental. “No home office, o workaholic dificilmente terá algo que o impeça de parar de trabalhar. Não vai ter escritório fechando ou algum colega alertando que é hora de ir embora, por exemplo”, comenta Marchiori. “Depois de algum tempo, a falta de descanso adequado pode levar à exaustão, então esses profissionais, junto com os seus líderes, precisam impor limites a si mesmos”.

 

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Flávia Marques

Escrito por Flávia Marques

Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.

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