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Economia

Retomada econômica é lenta, mas consistente, diz Mendonça de Barros

Em evento, ex-presidente do BNDES defende retomada consistente, mas projeção para o PIB sofre nova queda e faltam indicadores econômicos otimistas. Afinal, ainda estamos em um mau momento?
Escrito por Flávia Marques em 17.02.2020 | Atualizado em 29.03.2020
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RESUMO DA NOTÍCIA

  • Com a divulgação de novos indicadores, as projeções de crescimento robusto para a economia do Brasil em 2020 estão perdendo força. Nesta semana, o relatório Focus, do Banco Central, reduziu a projeção de crescimento do PIB em 2020 para 2,23%;
  • Para o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, o Brasil está se recuperando de uma crise econômica intensa, o que justifica a lentidão da retomada;
  • Rafael Guedes, da Fitch Ratings, defende que além da reforma da Previdência, outras são necessárias para garantir um crescimento mais robusto e sustentável - e que conseguir a aprovação de novas propostas no Congresso é um dos maiores desafios do atual governo.

 

 

O ano está passando e, aos poucos, as projeções mais otimistas sobre o desempenho da economia brasileira em 2020 vão perdendo força. Nos dois últimos anos, o país viveu uma situação parecida: os primeiros dias vieram acompanhados de apostas de que o crescimento do país seria robusto, mas à medida que os meses terminavam, as expectativas de avanço do PIB (Produto Interno Bruto) diminuíram. 

Na última sexta-feira (14), o Banco Central divulgou o Índice de Atividade Econômica (IBC-BR). O indicador tem como objetivo antecipar o comportamento do PIB, que só fica disponível dois meses e meio depois de fechado o trimestre. 

O IBC-BR mais recente mostrou que o quarto trimestre do ano passado fechou com um avanço de 0,46% - um desempenho considerado baixo. Neste ano, os indicadores também não têm sido otimistas. 

Focus anuncia queda da expectativa para o PIB 2020

À medida que novos indicadores econômicos são divulgados, a esperança de crescimento robusto para 2020 parece uma realidade cada vez mais distante. Nesta segunda-feira (17), o Relatório de Mercado Focus, do Banco Central, mostrou redução na expectativa de crescimento do PIB - de 2,30% para 2,23%. 

Os números, pouco otimistas, fazem com que os brasileiros comecem a questionar se o país está, de fato, conseguindo se recuperar da crise econômica. 

Em contrapartida, há especialistas que, com um olhar mais otimista, defendem que a retomada é lenta, mas consistente. Na manhã de sexta-feira, em painel na Câmara Americana de Comércio (Amcham), o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros declarou que não se pode exigir para o Brasil uma recuperação rápida, como aconteceu das outras vezes.

Na ocasião, o economista defendeu que a crise da qual o país luta para deixar tem natureza diferente e, por isso, deve ser tratada sob outra ótica. “Ela não tem origem nas quebras de grandes bancos nem em corridas cambiais, mas está ligada a uma queda do consumo e baixo investimento”, declarou Luiz Carlos. “A virada já chegou e é consistente, mas vem devagar”, acrescentou. 

Quais medidas têm sido tomadas? 

Em meio a um cenário de forte polarização política, o anúncio da eleição de Jair Bolsonaro, em outubro de 2018, trouxe uma dose de entusiasmo ao mercado financeiro e empresários. Mas, de lá para cá, a população ainda aguarda por impactos positivos mais concretos na economia do Brasil. 

Para avançar neste sentido, o governo federal e a equipe de Paulo Guedes somam esforços e apresentam medidas em diferentes setores: já no primeiro semestre de 2019, a reforma da Previdência, principal pauta do governo, mobilizou a Câmara dos Deputados e a opinião pública.

A medida foi aprovada e, segundo a IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão ligado ao Senado, deve representar um corte de mais de 630 bilhões de reais em despesas para os próximos dez anos. O governo, por sua vez, estima que a reestruturação das regras de aposentadorias e pensões tenha um impacto fiscal da ordem de 800 bilhões de reais em uma década. 

Ainda no debate organizado pela Amcham Brasil, o diretor-executivo da agência de rating Fitch, Rafael Guedes, trouxe considerações da companhia sobre as medidas econômicas mais recentes e, apesar de reconhecer a importância da reforma no cenário atual, evidenciou que outras são importantes para que a recuperação seja "mais sustentável". "Apesar de não ser uma medida muito popular, a aprovação da reforma da Previdência foi fundamental, mas o governo precisa continuar com reformas fiscais, por exemplo, que sustentem o crescimento a médio e longo prazo", defendeu.

Outro assunto que virou tema de discussão foi a Selic, que a 4,25% desde o dia 5 de fevereiro, está em sua mínima histórica. Estimativas apontam que, no curto prazo, a redução da taxa pode trazer um impacto de pelo menos 40 bilhões com o pagamento de juros da dívida. Isso porque a Selic é o principal termômetro do Banco Central para controlar a inflação: se ela está alta, o BC tende a aumentar os juros e, como consequência, o custo do crédito aumenta e o consumo é desacelerado. Mas, quando a taxa é reduzida, o efeito é reverso: o consumo pode ser retomado e a inflação melhor controlada. 

Embora os cortes da taxa básica de juros visem estimular que a inflação fique dentro da meta neste ano, a medida não é considerada suficiente para salvar a economia do país e nem garantir avanços mais expressivos no PIB. 

No final do ano passado, outra medida anunciada pelo governo federal com o intuito de aquecer a economia foi a liberação do saque do FGTS e PIS. Juntos, os benefícios devem injetar cerca de 42 bilhões de reais na economia até o final de 2020. 

Novas reformas são necessárias para a economia decolar

Mas, se as medidas que estão sendo tomadas parecem insuficientes para garantir o crescimento que a economia do Brasil precisa, o questionamento mais natural é: o que ainda precisa ser feito? 

As ações já mencionadas tem como foco o impacto no curto prazo, mas além dessas iniciativas, a equipe econômica prepara um pacote de medidas de olho no médio e longo prazos: os planos incluem projetos de privatizações, liberação de compulsórios, desburocratização por meio de digitalização de documentos, reforma tributária, projeto de lei de saneamento, entre outros. 

Na avaliação de Rafael Guedes, da Fitch Ratings, as propostas do governo federal estão alinhadas ao que o país precisa para crescer, mas, para que se tornem realidade há um desafio pela frente: a aprovação no Congresso. "A agenda de reformas do governo é correta, tem foco nos pontos corretos, mas a questão é quanto dessa agenda vai realmente passar pelo Congresso em 2020", comentou. "Esta é, sem dúvida, uma questão determinante para definir os rumos da economia brasileira neste ano". 

 

Imagem: Amcham Brasil 

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Flávia Marques

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Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.

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