Revolucionando o empréstimo no Brasil
Use seu carro como garantia de novas conquistas
Use seu carro como garantia de novas conquistas
Empreendedorismo

DogHero: da ideia ao desafio de cuidar de mais de um milhão de pets

Em entrevista ao Exponencial, Eduardo Baer comenta os desafios de empreender e os esforços para conquistar a confiança de um público cada vez mais exigente
Escrito por Flávia Marques em 06.02.2020 | Atualizado em 11.05.2020
  • 1 Likes
RESUMO DA NOTÍCIA

  • Quando pensou em adotar um cachorro, Eduardo Baer percebeu que não teria onde deixar o animal de estimação quando precisasse viajar. Foi quando decidiu criar uma plataforma que conectasse donos de cães que precisam de pessoas para cuidar dos bichinhos a anfitriões e passeadores;
  • Baer discutiu a ideia com seu colega de MBA, Fernando Gadotti. Em 2014, os dois tiraram os planos do papel e criaram a DogHero;
  • Hoje, a plataforma tem 18 mil anfitriões em 750 cidades do Brasil, Argentina e México.

 

Muitos defendem que para conseguir enfrentar os percalços do empreendedorismo e obter sucesso nos negócios é preciso dedicar-se a uma paixão. E, para Eduardo Baer, a paixão por cachorros transformou-se em uma ideia lucrativa.

Tudo começou em 2012, quando ele deixou o Brasil para cursar um MBA em Stanford, nos Estados Unidos. Junto com a esposa, Eduardo pensava em adotar um cão logo que voltasse ao país, mas se deparou com um problema: "Como viajávamos muito, não teríamos onde deixá-lo, e os hoteizinhos não eram uma opção", relembra Baer. "A inspiração para criar a DogHero começou aí".

Eduardo conversou com alguns amigos e descobriu que, no Brasil, os donos de cachorros precisavam deixar seus animais de estimação com familiares ou em hotéis para pets quando estavam fora - e a falta de novas possibilidades incomodava. Para os americanos, a realidade já era diferente: eles tinham uma plataforma onde podiam encontrar "anfitriões" para cuidar de seus cães quando fosse necessário.

Foi quando começou a fazer mais pesquisas sobre o mercado e descobriu que o setor tinha grande potencial: no Brasil, existem mais de 50 milhões de cachorros. Além disso, Eduardo tinha na bagagem uma experiência importante: fez parte do grupo que fundou o iFood, aplicativo de delivery de comida e mercado. O negócio tinha tudo para dar certo.

Baer discutiu a ideia com seu colega de curso, Fernando Gadotti. Em 2014, os dois tiraram os planos do papel e criaram a DogHero, que conecta donos de cães que precisam de pessoas para cuidar dos bichinhos quando viajam a anfitriões e passeadores. E funcionou. O negócio não para de crescer, tem 18 mil anfitriões e já está em 750 cidades do Brasil, Argentina e México.

Mercado pet: expansão de clientes aumenta a responsabilidade 

A tarefa de cuidar de um animal de estimação tem ficado cada vez mais séria. Mais do que grandes companheiros para os seres humanos, os pets estão movimentando a economia de forma muito positiva. Hoje, o mercado brasileiro já ocupa a 2ª posição em faturamento no mundo.

Os números impressionam: em 2018, o setor movimentou 34,4 bilhões de reais no país, de acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB). No ano seguinte, o faturamento foi ainda maior, ultrapassando os 36 bilhões.

Não à toa, o mercado tem entrado na mira dos investidores. Em março do ano passado, a própria DogHero captou 27 milhões de reais em uma rodada de investimentos liderada pela Rover, plataforma americana de serviços para cachorros. O valor foi aplicado em ações de marketing, atendimento a usuários, na própria usabilidade do aplicativo e do site e em procedimentos de segurança.

Mas, junto com a prosperidade, vêm as responsabilidades. "Estamos falando de pais de cachorros que desejam que os filhos estejam em segurança e sejam tratados com o mesmo cuidado e carinho que recebem em casa", diz o CEO da DogHero. Hoje, a plataforma tem mais de 1,2 milhão de pets cadastrados.

Ao portal Exponencial, Eduardo Baer contou mais detalhes sobre a história da empresa, as dificuldades enfrentadas e a relação com os donos de pets e seus "heróis", como chama os anfitriões e passeadores cadastrados na plataforma. Confira, a seguir:

Como e quando foi a sua primeira experiência como empreendedor?

Foi quando tinha 14 anos e montei um site de mp3 que disponibilizava músicas brasileiras para download. Foi a primeira vez que eu construí algo que as pessoas usavam e tínhamos alguma receita. Mas, um dia, recebemos uma carta da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual dizendo que o empreendimento era classificado como ilegal. Aí, precisei fechar.

Depois disso trabalhei em consultoria, mas meu sonho de empreender continuava. Em 2008, com 24 anos, entrei em uma pequena empresa chamada Disk Cook, até que mais tarde, em 2010, lançamos o iFood. Lá, fui sócio e atuava diretamente com produto e marketing.

E como surgiu a ideia da DogHero?

Conversando com alguns amigos, soube que muitos deixavam de viajar por não ter com quem deixar os seus animais de estimação. Eu já tinha a intenção de voltar para o Brasil e no final do meu MBA descobri nos Estados Unidos duas empresas que prestavam um serviço similar ao que a DogHero oferece hoje.

Compartilhei minhas ideias e planos com o meu atual sócio que na época era um colega de MBA, o Fernando Gadotti. Propus que trouxéssemos o modelo de negócio para o Brasil, ele gostou da ideia e deu muito certo. Hoje, já somos a maior empresa de serviços para animais de estimação da América Latina e estamos em 750 cidades entre Brasil, Argentina e México.

Qual foi o maior desafio ao começar o negócio?

O primeiro grande desafio foi construir confiança. Estamos falando de pais de cachorros que desejam que os filhos estejam em segurança e sejam tratados com o mesmo cuidado e carinho que recebem em casa. Então, o nosso desafio também era entender como criar uma comunidade com os incentivos corretos, onde as pessoas agissem de uma forma bacana, com sensibilidade e disposição para cuidar e amar os pets como se fossem seus.

Na verdade, tivemos dúvida se iríamos encontrar pessoas que estavam dispostas a fazer isso. Então, a primeira coisa que fizemos foi validar a hipótese: criamos uma landing page e um anúncio no Facebook pra ver se tinha gente interessada em ser anfitriã.

Como foram os primeiros resultados?

Positivos. Vimos que havia, sim, gente interessada. A gente ligava para os anfitriões para conversar, entender suas motivações e conhecê-los até nos sentirmos seguros de que aquela pessoa tinha o perfil que buscavámos. Assim, conseguimos montar uma base com os melhores anfitriões.

As primeiras hospedagens foram fechadas pelo meu WhatsApp pessoal. Eu queria acompanhar esse processo de perto, entender as dores e dificuldades dos clientes, como eles tomavam as decisões e colher feedbacks sobre como o negócio estava sendo construído. Assim fomos montando a plataforma, aprimorando as funcionalidades e ampliando o alcance do produto sem perder qualidade na seleção dos anfitriões. Este contato próximo colocou o cliente no centro da tomada de decisão da DogHero.

E hoje? Qual você considera a maior dificuldade de empreender?

Atualmente, continuamos com foco em fortalecer a confiança entre os pais e mães de pet e nossos heróis. Mas o maior desafio hoje é conseguir o time certo, contratar talentos e encontrar pessoas que compartilham do mesmo sonho, com os mesmos valores da empresa e também fazer com que essas pessoas sejam engajadas com o seu negócios e dispostas a entregar o seu melhor.  

Falando em engajamento, muitos usuários estão tão engajados que conseguem no aplicativo dinheiro suficiente para compor parte importante do orçamento - e, em alguns casos, a DogHero já é a única fonte de renda. Esse resultado te surpreendeu? Quando começou o negócio, você também chegou a pensar em como ele poderia impactar a vida dessas pessoas?

Tínhamos uma ideia de que isso poderia acontecer e ficamos felizes em ver isso na prática. Eu gosto de pensar que existem três níveis de engajamento com o trabalho.

O primeiro é o trabalho que tem fim em si mesmo, quando um funcionário recebe o seu salário e não tem interesse relacionado a encarreiramento na empresa. O segundo é carreira: neste caso, o funcionário trabalha, tem perspectiva de carreira e se sente  desafiado a crescer. Em terceiro, a vocação: aqui a pessoa trabalha e nem percebe que está trabalhando, faz o que ama. E me anima muito ver tanta gente que encontrou sua vocação cuidando de cachorros. Elas acham que é um hobby, mas esse trabalho faz parte da sua renda. Proporcionar isso é muito bacana, mas sabemos que também demanda responsabilidade.

Para muitos, empreender em sociedade é um obstáculo. Como é a sua relação com o Fernando? 

Costumo dizer que eu não conseguiria montar uma empresa sozinho. Tive sócios no iFood e também na DogHero. Aqui, temos a política Employee Stock Option para os funcionários tornarem-se futuros sócios. Sobre o Fernando Gadotti, nós nos completamos. Ele trabalha mais voltado para os processos, rotinas e planejamento e acaba sendo mais organizado que eu. Formamos uma boa dupla.

Na sua visão, hoje, quem é o principal concorrente para os serviços da DogHero? E como vocês têm buscado se diferenciar?

Os principais concorrentes da DogHero são os amigos e familiares dos tutores de pets. Também temos a concorrência com hoteizinhos, mas, neste caso, existe a preocupação com rotina do animal e o conforto. Na DogHero, buscamos manter a rotina que o animal tem em casa pra que ele sofra menos com a distância, enquanto também garantimos que pais e mães de pets se sintam seguros, recebendo fotos e vídeos durante o dia e tendo acesso a garantia veterinária.

Se você pudesse dar um conselho àqueles que desejam começar uma startup e, assim como a DogHero, atrair o olhar de investidores, o que diria?

Meu conselho é que os novos empreendedores entendam profundamente do problema que buscam sanar. Muitos pensam: “Vou construir isso aqui”, mas não entendem perfeitamente como isso pode ser aplicado à vida do cliente. É importante ter essa sensibilidade. Outros pensam: “Não vou contar minha ideia para ninguém”, com medo de roubarem o seu projeto, mas no geral, as ideias valem pouco. O desafio está no dia a dia, na execução, em entender o cliente e construir times. Portanto, a ideia tem pouco valor, o grande diferencial é a execução.

Receba conteúdos exclusivos
Não perca nenhuma novidade, assine nossa newsletter.
Carregando...
  • 1 Likes
Flávia Marques

Escrito por Flávia Marques

Repórter do Portal Exponencial, jornalista e curiosa. Gosta de observar, absorver e, diariamente, dividir o que aprende escrevendo.

Comentários [0]

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Comentário enviado com sucesso!
Erro ao enviar comentário. Por favor, tente novamente.
Revolucionando o empréstimo no Brasil

Quem somos

As transformações do mundo exigem cada vez mais de nós. Mais funções, mais responsabilidades, mais conhecimento. Mais, mais e mais. Mas o que Creditas e Exponencial têm a ver com isso?

Somos movidos por fazer a diferença na vida das pessoas. Se vivemos o tempo das informações ilimitadas, é nossa função criar e filtrar diferentes conteúdos aos nossos leitores, para que o conhecimento financeiro deles cresça exponencialmente.

Exponencial. Informação é fonte de crescimento.

A Creditas é uma plataforma digital que atua como correspondente bancário para facilitar o processo de contratação de empréstimos. Como correspondente bancário, seguimos as diretrizes do Banco Central do Brasil, nos termos da Resolução nº. 3.954, de 24 de fevereiro de 2011.

Creditas Soluções Financeiras Ltda. é uma sociedade limitada registrada sob o CNPJ/MF 17.770.708/0001-24, com sede na Av. Engenheiro Luís Carlos Berrini, 105, 12º andar Itaim Bibi, São Paulo – SP, 04571-010